segunda-feira, 30 de março de 2015

O dia em que não encontrei Eduardo Galeano

"Um conhecido que vai com frequência ao Uruguai, ao ser perguntado por mim sobre o que fazer em Montevidéu, deu uma dica que me fez abrir um sorriso:
- Há uma livraria na Ciudad Vieja, bem perto do Cabildo, em que o Galeano costuma ir no fim da tarde."

O texto foi o primeiro que publiquei aqui no Fazendo um Drama sobre a viagem. De certa forma, a boa reação a ele foi o que motivou a publicação dos demais. Pra ler a versão completa, basta clicar aqui.

domingo, 29 de março de 2015

De Montevidéu a Santiago, passando por Buenos Aires: um anti-guia de viagem

Este texto começou a ser escrito pra ser um arquivo de compartilhamento do Google Docs. Era um roteiro informal pra minha viagem por Uruguai, Argentina e Chile. Viagem que começou como um plano solo e que acabou ganhando a companhia de amigos e amigas, antes, durante e depois da viagem.
Quando enviei para um grupo de amigos que também viajaria (alguns em datas diferentes), pra que compartilhássemos interesses e expectativas, ouvi uma pergunta:
- Isso é uma crônica ou um roteiro de viagem?
O texto era uma espécie de justificativa das minhas escolhas para a viagem. Afinal, é possível se viajar de modos muito diferentes. Eu gosto de rua, por exemplo.
Isso pode parecer uma informação banal, mas o fato de gostar de rua condiciona toda a viagem. Porque significa reduzir bastante o tempo dentro de museus ao essencial e evitar passeios guiados ou ônibus turísticos. Nada contra, é uma opção apenas.
Uma opção que está associada a uma espécie de perder-se. Mapas são amigos, mas como amigos que são podem querer te controlar, às vezes. Deixá-los descansando na mochila em alguns momentos é uma sábia decisão: de cabeça baixa, lendo o nome de ruas e conferindo legendas, pode-se deixar escapar detalhes únicos do caminho.
Gostar de rua é também perder-se em esquinas, no centro da cidade, por lugares estranhos e cheiros diferentes; em mercados, de rua, de porto, de pulgas. É vagar por bairros em que se possa caminhar a pé e fugir do metrô.
Significa ainda gostar de áreas decadentes, envelhecidas, meio abandonas, meio sobrevivendo; zonas portuárias, de prostituição, regiões centrais, muquifos. Nada pra se colocar em risco, talvez uma ou outra vez, é a vontade de ver a cidade que o turista não vê.
Um dos campeões de atenções em viagens, os museus, me causam certa desconfiança. Sim, eu sei que deveria amá-los, já que sou professor de História. Mas posso explicar: boa parte dos museus não parece feita para ser agradável aos visitantes. São coleções, em geral, coleções cercadas de proibições e regras.
Apesar disso, queria ir especialmente a alguns nessa viagem: ao Malba ver o “Abapuru”, ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos, ao Estádio Centenário, ao Museu do Boca. Além desses, costumo apostar sempre nos museus “da cidade”. Alguns lugares ainda têm promoções e, com promoção, a gente entra pra ver, né?
No mais, o texto tratava de ver um tango, comer um churrasco, ou vários, ver um espetáculo teatral, assistir ao Fuerza Bruta, livrarias e bares sugeridos por amigos, colegas e conhecidos e algumas outras coisas.
A partir dessa justificativa-manifesto de viagem, nasceu a ideia de transformar as anotações do período em um conjunto de textos sobre as impressões experimentadas na viagem. Algo que não fosse um diário que só fizesse sentido pra mim, mas tampouco fosse um roteiro do que fazer e lugares pra ir. Afinal, tem gente muito boa e eficiente fazendo esses roteiros. Eu mesmo sempre viajo com o Guia Criativo d’O Viajante.
Havia, entretanto, uma preocupação em não dar conta do projeto. Em 2013, numa viagem de um mês pela Europa, tentei começar a organizar uma coisa parecida. Mas perdi meu caderninho de anotações na passagem por Fátima e a coisa esfriou. Por fim, a viagem rendeu algumas, não muitas, fotos, um texto sobre Portugal e, acima de tudo, um conjunto de imagens e sentimentos inesquecíveis tatuados em mim.
Dessa vez, me prometi tomar mais cuidado. Usar um caderninho ao sair e deixar outro no hostel, de modo que não perdesse as anotações do dia. Parecia uma coisa meio metódica demais, mas acabou sendo uma maneira ótima de me disciplinar pra escrever um pouquinho, 30-40 minutos todo dia durante a viagem.
E valeu bastante. A viagem foi fantástica e rendeu muitas anotações que viraram estes escritos que começam aqui. Teve de tudo um pouco: de sugestões de lugares pra ver a histórias presenciadas na cozinha de um hostel; de um escritor que não compareceu a um encontro que nós nunca marcamos a uma viúva que herdou uma livraria com quase 15 mil volumes.
Teve brasileiro, muito brasileiro. O continente tem sido reiteradamente descoberto por nós na última década, década e meia. Montevidéu, Punta Del Este, Buenos Aires, Bariloche, Patagônia, Santiago, Atacama, Cartagena, Machu Pichu. Se há uma certeza ao viajar pra esses lugares, é que você vai ouvir alguém falando português num local público em busca de informações. Ou reclamando do Brasil, um dos nossos mais difundidos esportes nacionais.
Mas, independentemente de nacionalidade e de reclamações, teve gente. Muita gente. Circular por Uruguai, Argentina e Chile foi espetacular, sobretudo, pelas pessoas encontradas pelo caminho. Senhorezinhos e senhorazinhas que provavelmente tinham acabado de sair de uma foto guardada dos anos 1950; gente bonita, uma beleza diferente da brasileira; vendedores e vendedoras de rua, artistas, militantes das mais variadas causas, estudantes, turistas; e, nada mais marcante, crianças e cachorros.
Essas histórias estarão aqui. Serão, sem uma periodicidade definida, textos sobre as gentes e o tempo que passei andando pelas ruas de cada cidade que visitei, neste anti-guia de viagem para Montevidéu, Buenos Aires e Santiago. Acho que não vai servir pra preparar o seu roteiro de viagem, mas espero que sirva pra ser lido por aí durante uma delas. Seja por onde for esse “aí”.

segunda-feira, 23 de março de 2015

"Frase para começar um romance #2" no Bar do Escritor


Em fevereiro, comecei uma série no Bar do Escritor chamada "Frase para começar um romance".

Talvez "começar" não seja exatamente o termo mais adequado, já que, no ano passado havia feito um post a partir disso, mas que ainda não se pretendia uma série. E, além disso, já havia trabalhado com essa ideia aqui mesmo no Fazendo um Drama.

De qualquer forma, está lá, estão lá, clica aqui, vai lá ler, vai ter uma frase pra começar um romance todo mês, todo dia 25, lá no Bar do Escritor.

domingo, 22 de março de 2015