sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Segunda rodada de leituras do Núcleo de Dramaturgia do SESI Cultural





Como já disse por aqui nesta semana, na próxima segunda, 2 de fevereiro, continuam as leituras dos textos produzidos no 1º Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural. Dessa vez, teremos "Entre", de Rita Elmor, e "Amores flácidos", de Herton Gustavo.

O negócio começa às 19hs, lá no Teatro SESI Centro, que fica na Avenida Graça Aranha, número 1. E, pra melhorar, é gratuito, com senhas distribuídas a partir das 18hs.

Na outra segunda, dia 9, será a vez do meu "Vende-se uma geladeira azul". No elenco, Adassa Martins, Leonardo Hinckel e Bernardo Marinho, sob a direção do Pedro Nercessian.

Pra quem quiser ser lembrado, tem um evento no Facebook em que você pode se inscrever e ir sendo atualizado da coisa toda.

Para mais informações sobre o Núcleo e as leituras, clique aqui.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ruth de Souza homenageada mais uma vez


Segundo notícia daquele jornal azul e branco do Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense fará um belo tributo nesse próximo carnaval: primeiros atores negros a pisar o palco do Municipal, Haroldo Costa e Ruth de Souza serão homenageados no desfile da escola.

Os atores estarão representados por Vinicius Romão e Elisa Lucinda, que serão Orfeu e Eurídice no carro “Vozes da Igualdade”, que saúda personalidades que lutaram contra o preconceito racial. Romão, pra quem não lembra, foi vítima de uma prisão injusta, em 2014, motivada também pelo velho e comum racismo, entranhado na sociedade e em suas instituições.

Em 2011, visitei a exposição Ruth de Souza, a Sacerdotisa da Dramaturgia, no Salão Guarani do Teatro Carlos Gomes. Escrevi o texto abaixo, que foi publicado pela finada Aguarrás. Como o arquivo da revista saiu do ar, republico aqui o que saiu por lá e que você pode ler aqui também.



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O release da exposição anunciava uma “uma retrospectiva da vida e da carreira da grande dama do teatro brasileiro, com fotografias, pinturas e objetos pessoais”. Porém, a exposição Ruth de Souza, a Sacerdotisa da Dramaturgia, em cartaz no Salão Guarani do Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, até dezembro, é mais do que uma retrospectiva ou um tributo a Ruth de Souza. Trata-se de um marco necessário na construção da memória e da identidade da sociedade brasileira.

A exposição que homenageia os 90 anos de Ruth de Souza faz parte das comemorações pelo Dia da Consciência Negra. Com curadoria do Museu Afro Brasil, de São Paulo, lugar onde estreou a exposição, apresenta uma excelente entrevista com a atriz, além de fotos de seus trabalhos, figurinos utilizados e homenagens recebidas.

Ruth nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1921. Descobriu o teatro – ou o teatro a teria descoberto? – duas décadas depois, com Abdias Nascimento e Paschoal Carlos Magno, no Teatro Experimental do Negro. A partir daí, torna-se sucesso nos palcos e no cinema. Em 1954, disputa o Leão de Ouro, em Veneza. Não vence, mas vale lembrar que uma de suas concorrentes era a estrela em ascensão Katherine Hepburn.

Com uma carreira consolidada no cinema e no teatro, em 1969 passa a integrar o elenco da Rede Globo, tornando-se a primeira negra a protagonizar uma novela, em A Cabana do Pai Tomás. Desde então, participa ativamente das produções da emissora.

Ao visitar o Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, além do passeio pelo centro histórico, em processo de revitalização, o expectador pode observar um trabalho bastante interessante na composição da exposição. Toda a força dramática da atriz está expressa nas fotos, não se perde o frescor e delicadeza de sua atuação, ainda que congelada na tela. O rosto da atriz, na foto, no cinema, na tv, é a representação da população brasileira, com seus sorrisos e sofrimentos.

Contudo, apesar do cuidado acentuado em todo o trabalho de pesquisa e exposição iconográfica, merece destaque a recordação de outro aspecto da vida de Ruth: a luta contra o racismo. Isso está presente logo ao entrar no Salão Guarani: a primeira visão é uma entrevista concedida por Ruth de Souza à revista AfroB.

Aparentemente, é um texto longo, que, pode-se imaginar, desestimula o visitante, interessado em observar as fotos, prêmios e figurinos. Mas, basta um olhar mais atento para perceber a importância daquelas palavras. Seja na análise sobre a forma de tratamento ao negro no Brasil, independentemente de profissão, seja na fala sobre os jovens atores negros que explodem no Brasil, como Lázaro Ramos e Thaís Araújo. Em tempos de negação constante da existência de preconceito racial, é importante a posição expressa pela atriz. Sobretudo, considerando que se trata de um evento da agenda da consciência negra na cidade.

Assim, a exposição Ruth de Souza, a Sacerdotisa da Dramaturgia marca não apenas os 90 anos de idade da atriz, mas seus 65 de carreira e uma vida de luta contra o racismo. Vivendo em um país em que, muitas vezes, as personalidades se omitem diante de questões polêmicas, Ruth deixa sua marca. Faz lembrar sua personagem na novela O Bem Amado, Chiquinha do Parto, esposa de Zelão das Asas, lembrando ao público que não se destrói sonhos. 

Mais do que isso, permanece viva e ativa, sonhando com todos nós. Em 1986, homenageando a atriz em um artigo no jornal O Globo, Artur da Távola dedicou a “Ruth de Souza, atriz de importância proporcional ao seu silêncio e discrição, o abraço comovido do fã”. Faço minhas as palavras do jornalista.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O dia em que não encontrei Eduardo Galeano


Um conhecido que vai com frequência ao Uruguai, ao ser perguntado por mim sobre o que fazer em Montevidéu, deu uma dica que me fez abrir um sorriso:
- Há uma livraria na Ciudad Vieja, bem perto do Cabildo, em que o Galeano costuma ir no fim da tarde.
Galeano, o Eduardo. Aquele moço que você conhece do As veias abertas da América Latina. Ou da trilogia Memória do fogo. Ou do Livro dos abraços. Jornalista e escritor uruguaio, militante contra as ditaduras latino-americanas, voz progressista no continente.
As veias, pros mais íntimos, foi um dos livros que li no Ensino Médio e que me fizeram balançar um pouco e até pensar em ser jornalista. Livro lido por gerações e mais gerações sobre a história de exploração da América Latina. É uma daquelas coisas que servem pra sensibilizar o espírito adolescente pros problemas próprios e comuns aos outros. Não virei jornalista, mas virei professor de História.
Depois desse breve aparte, voltemos ao ponto central: o Galeano, segundo esse meu colega, frequentava uma livraria em Montevidéu. E eu estaria lá por quatro dias. Tinha, assim, quatro oportunidades de encontrá-lo e dar um abraço.
Não pense você que se tratou de uma espécie de estalqueamento. Não ia perseguir o cara, né? Mas se por acaso eu estivesse todos os fins de tarde na tal livraria, poderíamos nos encontrar espontaneamente numa dessas coincidências da vida.
Já comecei a me preparar desde a ida. Quase todas as conversas sobre a viagem passavam pela frase “me disseram que tem uma livraria que o Galeano frequenta na Ciudad Vieja”. Pensei no que dizer, em como dizer e, claro, como fingiria a surpresa do encontro.
Isso, porque logo veio à memória outro encontro. Um meio desastrado.
Em 2013, estava em Lisboa e fui visitar a Fundação José Saramago. Claro que não encontrei o Saramago, morto desde 2010. Na verdade, acabei bem perto dele, parando alguns minutos na frente da árvore sob a qual ele está enterrado, em frente à Fundação.
Naquele dia, depois de me perder pelas ruas da Alfama, bairro lisboeta, cheguei à Fundação perto da hora do fechamento. Havia lá uma obra grande na frente, bloqueando o acesso à entrada do lugar. Fiquei meio tenso pensando que estaria fechada e não poderia visita-la. Foi quando resolvi pedir uma informação a uma senhora que estava saindo lá dentro.
A senhora me explicou tudo, mas ficou um pouco espantada porque eu gaguejava enquanto repetia Obrigado! Obrigado! e deixava escorrer uma lágrima. Era Pilar Ruiz, a viúva de Saramago.
A lágrima se explica fácil. Saramago, por si só, já me deixa meio marejado. Além disso, toda vez que ouço falar de Saramago e Pilar, penso em José e Pilar, filme do Miguel Gonçalves Mendes, que virou livro também. E dá uma vontade de chorar um pouquinho de emoção.
Só que esse é outro assunto, pra outra hora. Contei essa história pra dizer que não queria repetir o jeito meio mané. Ia ser legal falar com o Galeano, deveria, então, falar alguma coisa mais que alguns gaguejos, alguma coisa inteligente, sei lá.
Acontece que meus planos não teriam uma vida muito fácil. Primeiro, a chegada a Montevidéu foi no fim da tarde. Até fazer o check-in, o comércio já estava todo fechado. Não deu nem pra achar a livraria.
No dia seguinte, saí do hostel após o café da manhã procurando a tal livraria. Não sabia o nome, a referência era “é perto do Cabildo”. Portanto, depois de encontrar o Cabildo, o desafio era encontrar uma livraria nas proximidades. E, claro, uma que se encaixasse naquela situação: não podia ser de qualquer jeito, tinha que ter um espaço pra sentar, um café, alguma coisa do tipo.
Essa parte foi a mais fácil. Tinha lá, bem perto do Cabildo, entre ele e o portal da Ciudad Vieja, uma livraria que se encaixava no perfil. Era a Puro Verso, na Sarandí com Bartolomeo Mitre, bem perto de onde estava hospedado. Livraria construída num prédio do começo do século passado, com sofás no térreo e um restaurante-café no segundo andar.
Para minha frustração, Galeano não estava lá. Entretanto, ainda era manhã. A dica era que ele aparecia lá no fim da tarde. Tinha algum tempo, então.
Hora de passear pela cidade. Durante as andanças, perto do porto, numa exposição fotográfica na rua, a epígrafe era um trecho do escritor. Achei um bom sinal e continuei o dia.
No fim da tarde, voltei à livraria. Olhei da porta e nada, ele não estava lá. Entrei, olhei o primeiro piso, subi o primeiro lance de escadas. Dali podia ver por cima das estantes de livros. Nada. Fui até o segundo andar e nada. Desci, sentei num sofá e peguei um livro pra ler enquanto esperava por ele. Mas ele não foi lá naquele dia.
A viagem seguiu e, depois de passeios noturnos e diurnos, no outro dia, fim de tarde, estava lá na livraria outra vez. Outra vez, ele não apareceu. Pensei em perguntar se era ali mesmo, mas quem sabe fosse um segredo e, ao perguntar, eu destruísse aquela possibilidade? Preferi não arriscar.
No terceiro fim de tarde, levei meu caderninho de notas e aproveitei pra começar a escrever sobre a viagem. E a possibilidade daquele encontro, claro. Escrevi, bebi um café, um café bem ruim, aliás. O Galeano não apareceu mais uma vez.
No quarto dia, já meio sem esperança, fui, pedi uma água com gás pra ocupar a mesa do andar superior e esperei pela repetição dos outros dias. Escrevi mais um pouco no caderninho e pensei naquele e nos outros dias em que não encontrei Eduardo Galeano na livraria até a hora de ir embora.
Aquela tinha sido a última oportunidade na viagem pro encontro. Não, não segurei a grande virada pro fim do texto, eu saindo lá de dentro e batendo de frente com ele na rua. Ou no aeroporto, noutro dia. Ou no mercado, fazendo compras, na fila do queijo. Nada disso. No dia seguinte, partiria pra Colônia do Sacramento e não voltaria à livraria tão cedo.

No fim das contas, não sei se era a livraria certa ou mesmo se o Galeano estava no Uruguai e em Montevidéu naqueles dias ou até se não era a senhora espanhola naquele outro encontro. Uma pena. Mas o que queria dizer pessoalmente dá pra dizer por aqui, porque só queria dizer Obrigado!, num agradecimento um pouco menos gaguejante e trêmulo do que aquele que dirigi à Pilar em Lisboa. Só não é possível ainda dar um abraço por aqui. Isso fica pra próxima.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Leituras dramatizadas do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural



Começam hoje os trabalhos: as leituras dramatizadas dos textos produzidos pela primeira turma do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural têm início hoje, dia 26, às 19hs. O evento acontece no Teatro SESI Centro, na Avenida Graça Aranha, 1. A entrada é gratuita, com retirada de senhas a partir das 18hs.

O meu "Vende-se uma geladeira azul" vai ser lido no dia 9 de fevereiro, na mesma hora e no mesmo lugar. A direção das leituras é do Pedro Nercessian e todos os textos do projeto foram escritos sob a orientação da Carla Faour e do Henrique Tavares.

Para mais informações, você dar uma olhada aqui e no site do próprio SESI.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"Vende-se uma geladeira azul" no Teatro SESI Centro (9/2)


Nas próximas três segundas-feiras (26/1, 2/2 e 9/2), acontecerão no Teatro SESI Centro, aquele da Avenida Graça Aranha, sempre às 19hs, leituras dramatizadas dos textos construídos na 1º Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural.

O meu "Vende-se uma geladeira azul" estará lá no dia 9/2, no último dia do evento. Estão todos convidados desde agora, pra não ter desculpinha. A entrada é gratuita, só tem que chegar um pouco antes pra retirar a senha.

Antes disso, "Romantic", do Leandro Bacellar, abre o evento na segunda-feira que vem (26). Na sequência, os textos do Leandro Bellini (ainda no dia 26); do Herton Gustavo e da Rita Elmor (no dia 2); e do Thales Parabela e da Nívea Oliveira (junto com o meu, no dia 9).

Os textos foram escritos sob a orientação da Carla Faour e do Henrique Tavares e serão dirigidos pelo Pedro Nercessian. Se puderem aparecer por lá, será um prazer.

Pra quem quiser saber mais, basta ver aqui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A grama do país vizinho é sempre mais verde *


Nos últimos anos, o crescimento econômico e a ascensão social de uma parcela importante da sociedade brasileira têm possibilitado uma nova realidade: viagens, muitas viagens. Pelo Brasil e para o exterior, nós brasileiros temos viajado bastante. Basta entrar no Facebook e conferir os álbuns dos seus amigos e conhecidos.
Nesta época, então, temos uma explosão nesse movimento: janeiro é tempo de férias pra muitos e, justamente por isso, um período em que muita gente viaja. E, como vocês sabem, um dos esportes prediletos dos brasileiros em suas viagens, sem dúvidas, é reclamar do Brasil. Mais ainda se a viagem for pro exterior.
Aí, ele se enche de força pra reclamar de todas as coisas que deixou pra trás quando passou pelo guichê da Polícia Federal no aeroporto. Ganha uma disposição impressionante pra cobrar eficiência de serviços públicos, reclamar dos preços das coisas no Brasil, falar mal do clima e questionar o serviço de mesa no restaurante.
Que fique claro, não há nada de errado em reclamar. É até bastante saudável. Só é curioso, e inconveniente, às vezes, o tom das reclamações. Explico: algumas coisas que acontecem no mundo inteiro são tratadas como se fossem problemas exclusivamente brasileiros; e o jeito arrogante como a coisa é verbalizada também pode incomodar bastante.
Em 2013, fui à Europa pela primeira vez. Passei o mês de dezembro inteiro lá. Em todos os países em que estive, os trens atrasaram. Todos, sem exceção. Em muitos, não houve qualquer tipo de aviso ou, quando houve, demoraram pra acontecer. Cheguei a falar disso no meu primeiro texto no Ouro de Tolo.
A diferença em alguns lugares, como a Holanda, tava no serviço. Como assim? Eu e os outros passageiros esperávamos por uma conexão em Roterdam, às 8:08. Ela não veio e, àquela hora, bem cedo para o inverno europeu, sol ainda nascendo, já havia uma fiscal da empresa na plataforma pra ouvir as reclamações, nos dar uma satisfação e encontrar uma solução. No caso, a confirmação do trem seguinte e um voucher pra tomar café da manhã.
Mas a verdade é que, dos lugares que visitei, a Holanda foi uma exceção. Lá os trens tinham até conexão wi-fi e dava pra ver na tela do celular quanto tempo demoraria para chegar à estação seguinte. Era tudo muito bom. Já fora de lá, não era nada demais. Às vezes, bem ruim.
Nada também, claro, que se compare ao serviço prestado pela Super Via e o Metrô Rio por aqui. Não era tão ruim também. Sem nem entrar em temas como conforto, segurança e tecnologia, basta pensar que a atenção ao usuário é praticamente inexistente. O mais perto que se chega disso são os seguranças do metrô empurrando a galera pra dentro dos trens na hora do rush.
De fato, o serviço prestado por aqui pelas empresas de transporte, ônibus, metrô, trem, barcas é horrível. Isso pra não falar dos táxis: no Rio, paga-se ao taxista pra ele fazer, quando aceita, a viagem reclamando do caminho que você escolheu. E antes fosse apenas o problema de um setor específico, né?
Acontece que as reclamações dos brasileiros no exterior costumam ser muito diferentes das de alguém que usa de fato o transporte ou qualquer outro serviço público. É o cara que só anda de carro no Brasil e quando vai pra Europa, fazendo aqueles passeios bem de turistão, só anda de transporte coletivo às duas da tarde, fora do horário de pico, em estações centrais e próximas, bem longe das periferias.
Afinal, o turistão, no Brasil ou no exterior, vai sempre achar tudo perfeito na cidade que visita por três dias e duas noites passeando naqueles ônibus coloridos que só param nos lugares legais e fazem aquele lance meio safári nos mais tensos.
E não ssomente sobre os serviços públicos são as reclamações. Quando estive em Montevidéu, em dezembro, ouvi uma brasileira esbravejando sobre o preço do show de um artista brasileiro por lá. Custava o mesmo que o show do mesmo artista aqui. Só posso deduzir que ela nunca foi a um show daquele músico. Ou pode ter sido enganada por um filho que usou o troco do ingresso pra comprar balas 7 Belo.
Essas reclamações, não só a da moça sobre o show, mas em geral, vem acompanhadas, muitas vezes, de uma fala sobre impostos. Na verdade, boa parte das reclamações de brasileiros no exterior, talvez a grande maioria, esteja apoiada no trinômio impostos-serviços-corrupção. Não vamos entrar nessa questão aqui, fica para outra oportunidade. O ponto é: essas reclamações são a expressão da realidade ou, em parte, fruto de uma visão distorcida propagandeada ao extremo?
Tendo a ficar com a segunda opção. Além disso, a forma e o comportamento de muitos desses mesmos reclamadores colaboram imensamente pro inconveniente. Grosserias desmedidas, gente furando fila, a famosa postura “faz agora porque estou pagando”“ai o Brasil é muito perigoso”. Tudo isso junto leva a duas imagens: o Brasil parece um lugar horrível pra se viver ou pra se visitar, em que nada funciona, e a Europa e os EUA são paraísos de perfeição; por outro lado, fica latente, diante de alguns comportamentos, que o sistema de educação carece de maior qualidade.
Belo Horizonte - aeroporto confinsQuando vejo isso acontecendo, lembro sempre de um amigo português que diz que nada faz tão mal à imagem do Brasil do que o brasileiro em viagem. Não se trata, repito, de esconder deficiências óbvias, da realidade brasileira, tratando o país sem fazer as devidas críticas. Mas de perceber que algumas questões são dilemas de qualquer grande cidade no mundo ou de países em desenvolvimento e de compreender certas características associadas aos contextos locais.
Nessas horas, prefiro pensar que é um processo, que quanto mais a gente viaja, mais conhece a realidade no exterior e percebe que a coisa é bem diferente da imaginação. E, de quebra, entende que não dá pra levar tudo no jeitinho, na esperteza. Só não sei quanto tempo esse meu otimismo é capaz de resistir.
No fim das contas, a verdade é que há sempre uma tendência em achar a grama do vizinho, ou do país vizinho, mais verde que a nossa. Mas, quem sabe, a gente vai ficando mais esperto e entendendo que a distância do olhar colabora muito pra isso e que os matizes de verde muitas vezes não são tão diferentes assim. Pro bem e pro mal.

* Texto originalmente publicado no Ouro de Tolo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"A grama do país vizinho é sempre mais verde" no Ouro de Tolo



Pra começar o ano, texto novo no Ouro de Tolo. Vai lá ler!

"Nos últimos anos, o crescimento econômico e a ascensão social de uma parcela importante da sociedade brasileira têm possibilitado uma nova realidade: viagens, muitas viagens. Pelo Brasil e para o exterior, nós brasileiros temos viajado bastante. Basta entrar no Facebook e conferir os álbuns dos seus amigos e conhecidos.

Nesta época, então, temos uma explosão nesse movimento: janeiro é tempo de férias pra muitos e, justamente por isso, um período em que muita gente viaja. E, como vocês sabem, um dos esportes prediletos dos brasileiros em suas viagens, sem dúvidas, é reclamar do Brasil. Mais ainda se a viagem for pro exterior. [CONTINUAR LENDO]"