quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Antes do fim chegar" no Bar do Escritor

Mas é maior que isso. Fico pensando em quantas vezes na vida, nos próximos anos, vou ter, teremos nós, que nos deparar com situações, se não iguais, parecidas. E como em todas as vezes que penso sobre isso, reforço a certeza de que não estou preparado pra lidar com a morte.


Nem sei se alguém está. Só que a gente perde as pessoas sem estar mesmo. A gente recebe o soco, empurra o soco de volta e tenta transformá-lo em lágrimas e lembranças. Às vezes, literatura ou música.


Para ler a versão completa do texto, você pode acessar o Bar do Escritor ou dar uma olhadinha no post original aqui no Fazendo um Drama.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sejamos mais parciais, camaradas *

Não queria escrever sobre as eleições. Tentei, me esforcei, pensei noutras coisas. Mas o tema tava rondando, pedindo pra ser escrito aqui. Afinal, salta aos olhos nessas horas o nosso espírito democrático. E, dentro dele, uma busca odisseica pela imparcialidade.

Que fique claro, não se trata de uma análise sobre as campanhas ou pesquisas. Já tem bastante gente por aqui escrevendo sobre isso nestas eleições. Este aqui tá mais pra uma análise do discurso, um exercício, um olhar sobre as coisas que vejo pululando nas redes sociais e nos textos que esbarro pelo caminho. Não sou ombudsman do Ouro de Tolo. A respeito dos colunistas daqui, há dos mais diferentes tipos, acredito que você possa tirar suas próprias conclusões.

O fato é que é muito curioso pra mim como as pessoas acreditam na imparcialidade. Eu sinto como se fosse uma espécie de credo. Se tivesse um pouco mais de coragem, fundaria uma seita baseada na crença na imparcialidade e, tenho certeza, atrairia milhares, talvez milhões, de seguidores fiéis.

Em geral, as pessoas tendem a associar a ideia de democracia à imparcialidade. E como todo mundo quer ser muito democrático, precisam ser imparciais, muito imparciais. Não sei por que isso deveria fazer sentido, mas acho que é meio por aí que as coisas têm funcionado.

Só que não somos assim. Ou a maioria de nós mortais, a grande maioria, pelo menos. A gente tem lado, uma história, um passado, coisas que ajudam a construir a maneira como a gente vê o mundo. Ou deveríamos ter.

E ter lado não é demérito algum: ao contrário, é situar o leitor/ouvinte sobre quem somos, o que defendemos, qual o nosso ponto de vista. Porque lembremos sempre que a neutralidade, a pretensa neutralidade é ótima pra perpetuar as desigualdades e pra proteger os mais fortes.

Essa questão é, ou deveria ser, alvo de uma discussão mais profunda no jornalismo. A maior parte das pessoas ainda enxerga a produção de veículos de imprensa como se não houvesse interesses envolvidos. Sempre há, camaradas. Sempre.

Não se trata de implicância pura e simples, é uma provocação no âmbito das ideias. Não merece uma reflexão profunda o modo como o jornalismo tem tratado a notícia, como se tornou uma máquina de publicação de boatos, de o sujeito A disse que o sujeito B fez, de bolinhas de papel no horário nobre? Sem contar a desqualificação da participação popular nas decisões fundamentais com coisas como bolivarianismo, chavismo, populismo, sovietes e que tais.

Quando a Carta Capital ou o New York Times publicam editoriais explicando porque apoiam Dilma ou Obama, estão se posicionando. E isso é muito bom. Só que as reações são muito diferentes: aqui no Brasil é quase desmoralizante fazer isso. Poucos conseguem enxergar nisso um gesto significativo dos avanços da democracia.

E isso acaba se refletindo na maneira como nos relacionamos com a política. Eu, ao contrário de muitos colegas, acredito que o brasileiro gosta de política. Pratica, faz, exerce, todo dia. Talvez não tenha a exata noção disso, mas gosta e tem aumentado a sua participação gradativamente, ao descobrir, ainda que de maneira lenta, que ela não se restringe ao voto a cada dois anos. Não sei se melhoramos o nível, confesso que nem saberia especificar o que é melhorar o nível, mas a quantidade cresceu e isso é importante.

Essa mudança de comportamento, me parece, tem um pouco a ver com as redes sociais. Aí moram dois perigos claros. E não estou falando do fluxo constante de opiniões, mas do compartilhamento de qualquer coisa e os comentários aleatórios.

Honestamente, as opiniões de todos sobre tudo não me incomodam. Por outro lado, incomoda a tentativa de fazer as opiniões políticas parecerem fruto de uma postura completamente racional, de um saber superior, e dotada de total imparcialidade simplesmente impossíveis de existir.

Se observarmos bem, a quantidade de gente pelas timelines da vida compartilhando páginas falsas, notícias duvidosas, páginas preconceituosas é muito preocupante. Porque dão visibilidade a discursos mentirosos, preconceituosos ou cretinos. Às vezes, tudo ao mesmo tempo.

Além disso, os comentários aleatórios, supostamente feitos a título de livre expressão de ideias, e que supostamente manteriam o debate das ideias, criam um clima ruim. Não entendo a necessidade, por exemplo, de alguém fazer um comentário apresentando um ponto de vista divergente e polêmico, só por fazer. Um exemplo recorrente que encontro é: sujeito 1 posta texto defendo alguma política pública do governos Lula/Dilma/PT; sujeito 2 vai lá é comenta “FORA CORRUPTOS LULA DILMA PETRALHAS”, tudo em caps lock mesmo.

Não sei se isso tem a ver com democracia, especificamente, como você pode estar argumentando mentalmente. Claro, a democracia está no fato dele poder fazer isso. Mas, ele fazer, pra mim, é só chatice mesmo. “Ah, mas você tem que aceitar uma opinião contrária”. Não, não tenho. A única obrigação que tenho é de não te impedir de falar, mas continuo podendo, legitimamente, te considerar, de maneira respeitosa, bobo, idiota ou apenas alguém com uma visão de mundo diferente da minha.

Leio sempre umas coisas por aí que acho, pra dizer o mínimo, risíveis. E me seguro, porque ninguém deve ser imparcial. Mas me choca quando as pessoas acham que estão sendo. Já li de um secretário municipal de uma cidade do interior do estado, num tom professoral quase, que ele não gostava do PT porque o partido “inventou a luta de classes”. Essa me marcou especialmente, fiquei com vontade de imprimir e emoldurar.

Em um discurso disfarçado de imparcialidade também, tem se falado sobre alternância de poder e corrupção. Sobre a primeira, sinto como se o PT fosse uma espécie de PRI, que estivesse ocupando o poder por 70 anos. Já sobre a corrupção, é problema cultural, não só dos políticos. Afinal, não são 594 extraterrestres, ainda que o History Channel possa discordar de mim, ocupando o parlamento em Brasília.

Diria mais: não resolveremos a questão da corrupção pelas próximas gerações. Aquela malandragem combatida nos anos 1930/40 se transfigurou num levar vantagem a qualquer custo instalada na mentalidade nacional. Nem se tem vergonha. Ao mesmo tempo, é atacada no outro se ele ocupar um cargo público, eletivo ou não.

Pra ilustrar: já ouvi, ao vivo, na mesa do bar, por exemplo, de um estudante de medicina, rapaz bem nascido, que o fato dele praticar pequenos atos de corrupção no dia a dia não o impede em nada de criticar a corrupção de determinado partido. Fica claro que estamos falando de uma instituição nacional, um patrimônio imaterial da cultura brasileira. Se tivéssemos um pouco mais de cara de pau, seria tombada pelo Iphan.

Noutra oportunidade mágica, dessa vez proporcionada pelas redes sociais, pude ler um professor postando uma notícia falsa atribuindo uma declaração a uma pessoa pública. Como sabia que se tratava de uma notícia falsa e conhecia o dono do perfil, avisei. A resposta foi: não importa se é falsa, porque diz coisas importantes pra levantar a discussão. O sujeito se disse neutro e eu, sinceramente, não soube o que fazer.

Além disso, ainda tem um purismo anticríticas meio insuportável. Fica parecendo que a gente tinha que receber um livro de regras de como se comportar na eleição, de como criticar os candidatos. Principalmente, no caso da candidata do PSB, já que os do PT e do PSDB tomam porrada nas redes sociais o tempo inteiro.

No fundo, acho que a razão maior de escrever este texto é dizer que ninguém é assim tão democrata, caras. A força feita por analistas por aí pra parecerem imparciais é quase comovente. Não fosse tão chato e irreal.


Por isso, por favor, esqueçam, se puderem, a imparcialidade. Ela não existe. Eu já coloquei um camaradas no título, já postei umas fotos da Dilma no texto, já ficou claro que não pretendo ser imparcial, né? Dependendo da situação, a gente até pode e deve controlar as paixões. Mas vamos descer do muro mais vezes, tomar partido e confrontar ideias respeitosamente porque a vida é assim mesmo. Só vamos tentar ser menos chatos. E, por favor, mais parciais. Porque isso é bom também.

* Texto originalmente publicado no Ouro de Tolo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Mais sobre "O quarto de Bianca" em Rio Bonito: "Praça Fonseca Portela em Rio Bonito é palco de espetáculo teatral"



Matéria da Secretaria de Cultura de Rio Bonito:

A Praça Fonseca Portela, em Rio Bonito, foi palco do espetáculo “O Quarto de Bianca”, ontem (12) à noite, em mais uma edição do evento “Até Que Enfim, Hoje, É Sexta-feira”, da Secretaria Municipal de Cultura.


A apresentação teve início por volta de 19h e chamou atenção de quem passava pelo Centro da cidade. Dezenas de pessoas prestigiaram  o monólogo, estrelado pela atriz Renata Egger, escrito e dirigido pelo dramaturgo Rafael Cal. [continua aqui]


terça-feira, 16 de setembro de 2014

"Sejamos mais parciais, camaradas" no Ouro de Tolo

Não queria escrever sobre as eleições. Tentei, me esforcei, pensei noutras coisas. Mas o tema tava rondando, pedindo pra ser escrito aqui. Afinal, salta aos olhos nessas horas o nosso espírito democrático. E, dentro dele, uma busca odisseica pela imparcialidade.

O texto integral tá lá na 457, no Ouro de Tolo. Todo mês, nem sempre seguindo uma ordem muito certinha, tem coisa minha por lá. Para ir direto ao texto "Sejamos mais parciais, camaradas", clique aqui

Vai lá ler!

domingo, 14 de setembro de 2014

Ainda sobre "O quarto de Bianca" em Rio Bonito: entrevista com Renata Egger




Após a apresentação de "O quarto de Bianca", na última sexta-feira (12), na Praça Fonseca Portela, a atriz Renata Egger participou de uma entrevista com o jornalista Flávio Azevedo, do grupo de mídias "O Tempo em Rio Bonito"

A atriz fala sobre a iniciativa da secretaria, com o projeto "Até que enfim, hoje é sexta-feira" e da necessidade de fomento a cultura, sobretudo ao teatro, na cidade. A entrevista está disponível no youtube e na página do jornalista no Facebook.

sábado, 13 de setembro de 2014

"O quarto de Bianca" em Rio Bonito

Foto: A atriz riobonitense, Renata Egger, agora, na Praça Fonseca Portela, com o espetáculo "O Quarto de Bianca". A apresentação é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura de Rio Bonito, através do projeto Até que enfim, hoje, é sexta-feira.



Ontem, teve "O quarto de Bianca" na Praça Fonseca Portela, em Rio Bonito. 

A apresentação fez parte do projeto "Até que enfim, hoje, é sexta-feira", da secretaria de cultura local.

A foto é do camarada Flavio Azevedo.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"A árvore" no II Prêmio UFES de Literatura

Chegaram, ontem, os livros que ganhei da Coletânea de Contos & Crônicas do II Prêmio UFES de Literatura. Tem texto meu, "A árvore", aí dentro.


Como escrevi por aqui, os trabalhos selecionados e publicados foram lançados no último dia 28 de agosto, em Vitória. 


Foi muito legal participar do Prêmio e da Coletânea. Mais uma vez, quero elogiar o pessoal da UFES (Valeu, Fernanda Scopel!) pelo tratamento e a qualidade do material. Ficou excelente!


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Antes do fim chegar

Quando eu morrer, queimem meu corpo e coloquem as cinzas nos canteiros com plantas da casa em que cresci na aldeia. Antes, bebam, riam, lembrem das nossas histórias e toquem umas canções. Quem sabe alguma coisa do Paulinho da Viola, do Chico Buarque, da Legião Urbana, do Pearl Jam. Façam uma mistura grande, uma farofada mesmo, essa mistura toda que me formou.

Esse é meu desejo. Se puderem cumprir, que seja. Espero não dar muito trabalho. Se não puderem, entenderei também. Ou não, já que morto, em tese, não teria condições de relativizar a situação. Mas fiquem tranquilos, não atormentarei ninguém, juro.

Minha avó, por exemplo, sempre disse querer ser enterrada de pé. A morte, rápida, um mês entre a descoberta da doença e o fim, atrapalhou as coisas: ela não falou sobre isso, os filhos fingiram que esqueceram. No enterro, não havia meio de enfiar o caixão deitado na gaveta. Levou uns 40 minutos até que muitos homens, além do coveiro, esforçados, conseguissem resolver a situação. Parecia haver dedinhos invisíveis segurando. A gente até riu de tudo isso, como uma forma de aplacar a dor.

Tenho pensado na morte ultimamente. Mais que o normal. Ver tanta gente boa morrer, próxima e distante, mas conectada de alguma forma, faz isso. No fundo, depois de várias conexões possíveis, volto sempre à mesma questão: é estúpida a morte. E como é.

A mãe de dois amigos queridos foi atropelada por uma bicicleta lá na aldeia. Na rua de casa. É a cena da qual provavelmente riríamos. Como sempre fizemos, aliás, rindo das nossas desgraças, dos fracassos, das nossas tragédias pessoais, coletivas e individuais.

Só que dessa vez não teve graça. A estupidez dela, da morte, veio rasgando. E o atropelamento de bicicleta virou morte cerebral. Em horas, dias, quase uma semana, não sei e nem importa. Estúpida a forma, estúpida a morte.

Nunca sei o que pensar nesses momentos. Como a gente consola alguém diante de uma coisa assim?, o que a gente diz?, não sei, não sei. Acho que a gente só deve chorar, a única forma de expressão sincera desse sentimento esquisito que vem. E, claro, dizer que tá ali, por perto, e pras pessoas ficarem firmes.

Mas é maior que isso. Fico pensando em quantas vezes na vida, nos próximos anos, vou ter, teremos nós, que nos deparar com situações, se não iguais, parecidas. E como em todas as vezes que penso sobre isso, reforço a certeza de que não estou preparado pra lidar com a morte.

Nem sei se alguém está. Só que a gente perde as pessoas sem estar mesmo. A gente recebe o soco, empurra o soco de volta e tenta transformá-lo em lágrimas e lembranças. Às vezes, literatura ou música.

Um pouco por tudo isso, voltar à aldeia é sempre pensar em saudade. E só aumentará, penso, essa sensação. Porque as coisas seguem, a vida segue, as pessoas envelhecem e morrem. E nem sempre envelhecem antes de morrer.

A verdade é que escrevi tudo isso pra falar as coisas de sempre, que a gente tá cansado de saber, que dói, às vezes, que a perda é foda, sempre. Então desculpa os clichês que estiverem soltos pelo caminho, mas escrevi pra falar, porque a gente precisa falar, precisa colocar pra fora essa coisa meio angustiante que toma a gente quando alguém morre. Não importa se próxima ou distante, tenho aprendido isso a cada dia, a morte de alguém querido, pra nós ou pros nossos queridos, é sempre uma força quase inconsolável que esmaga tudo por dentro.

Outra verdade, desculpem, não era só uma, é que escrevi pra pedir o impossível. Amigos e amigas, não morram. Não, por favor, não morram. Vamos fazer o seguinte: vivemos todos até os 100 anos e, depois disso, começamos a evaporar devagarzinho.

E, se por acaso não for possível mesmo, que a gente possa se encontrar mais antes do fim chegar, porque a gente não sabe nunca quando ele vem, e ouvir mais músicas juntos e rir mais de tudo, de todos, dos outros, de nós, dos riscos. Da vida. Fazer as coisas que sempre fizemos, uma farofada mesmo, como sempre, essa mistura, essas grandes misturas que nos formaram.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014

TEATRO >>> "O quarto de Bianca" em Rio Bonito


Na próxima sexta-feira (12), tem "O quarto de Bianca" na Praça Fonseca Portela, em Rio Bonito, às 18hs. O espetáculo da Interferência Teatral, escrito e dirigido por Rafael Cal (este que vos escreve) e estrelado por Renata Egger, estará na programação especial de sexta-feira preparada pela Secretaria de Cultura local para o início do fim de semana.

É muito bom ter a oportunidade de fazer uma apresentação na nossa casa. E esperamos que a iniciativa da Prefeitura Municipal continue valorizando os artistas locais e que essa iniciativa dê frutos.

A apresentação deveria ter acontecido no último dia 29. Mas, como se trata de um evento em local aberto, por conta da chuva, não houve apresentação. Estamos na torcida por tempo bom nesta semana!

"O quarto de Bianca" foi premiado em festivais nacionais pelo país e está em cartaz desde 2012. Para mais informações sobre o espetáculo, clique aqui.

Aqui, você pode ler a matéria sobre o evento tá no jornal O Tempo sobre o evento.