sábado, 28 de junho de 2014

Vi no estádio: Bósnia e Herzegovina x Irã *



Acredito que nunca, em toda a história, um torcedor ouviu tantas risadas e viu tantos rostos assustados diante de uma resposta simples. O diálogo começava assim:
- Oi, tudo bem? Como você tá? Escuta, esse aqui é o Rafael, ele vai assistir Bósnia e Irã.
- Ele vai… Você vai assistir Bósnia e Irã?
- Vou.
Minha resposta era seguida por risos de todos os presentes. Até eu mesmo. Afinal, por que alguém vai assistir a Bósnia X Irã? A resposta é simples: porque quer assistir a um jogo da Copa do Mundo.
Não consegui entradas pros jogos no Rio. Perdi todos os prazos das primeiras ofertas. Na reta final, querendo assistir a um jogo da Copa, entrei na fila monstruosa do site da Fifa. Esperei, esperei. Apareceu a possibilidade de ir assistir a Costa do Marfim e Colômbia, em Brasília. Passagem cara, estadia cara, uma cidade que detesto.
Cuiabá também poderia ser legal. Não que houvesse bons jogos, mas era uma possibilidade de conhecer a cidade. Do Centro-Oeste, só conheço Goiás e Brasília. Além de porta de entrada do Pantanal, a capital do Mato Grosso é o centro geodésico, ponto mais central da América do Sul, como aprendi com os camaradas da geografia. Mais difícil ainda: passagens tão caras que nem quis pesquisar opções de estadia.
Diante desse quadro de compras na última hora e passagens caras, decidi apostar em lugares onde eu tivesse algum tipo de abrigo, como casa de amigos ou parentes. Sobraram Curitiba ou Salvador. Apostei, assim, numa grande pelada: aproveitando as férias, decidi e comprei passagem para passar uns dias em Salvador e ingresso a fim de ver Bósnia e Irã.
Quando comprei, a Bósnia ainda não era o fiasco que demonstrou ser na Copa. O Irã era só mais um dos asiáticos que vão passear nas Copas do Mundo. Duas rodadas depois, o time do Dzeko já estava eliminado e os iranianos tinham chances de classificação, apesar de não terem marcado gol até a partida em Salvador.
Em Salvador, tudo lindo. Confesso que sou fã da cidade. De cara, encontrei um aeroporto muito diferente do que vi da última vez que estive por lá, em novembro. Cheguei junto com o início do jogo do Brasil contra Camarões, por isso houve alguma demora em conseguir um ônibus, nada fora do comum.
No dia do jogo, foi fácil chegar ao estádio. De alguns pontos da cidade, partem ônibus especiais até a Fonte Nova. O único problema foi que, por conta dos bloqueios, o motorista aparentemente errou o caminho e quase saímos da cidade. Acabou sendo divertido: pudemos até ver o metrô baiano em operação e o ônibus inteiro aplaudiu. Um senhorzinho sentado ao meu lado disse que eu ficasse tranquilo, pois a volta enorme que estávamos dando era pra mostrar a cidade aos turistas.
A entrada não teve maiores problemas, ao contrário do que o Migão encontrou no jogo que assistiu por lá na Copa das Confederações. Talvez um problema de minha parte: deixei meu ingresso cair numa enorme poça de água e ficou inteiramente molhado, o que me deixou um pouco tenso até a hora em que a catraca foi liberada. Outro detalhe: entrei com água e biscoito. Passei pelo detector de metais, mas ninguém conferiu uma sacola que levava na mão.
fn2Mais uma vez, a grande maioria do público era de famílias brasileiras, o que criou um ambiente semelhante ao descrito por várias pessoas que foram aos jogos: tínhamos visitantes. Provavelmente, muitos estavam naquele espaço pela primeira vez. É legal que as pessoas queiram ir aos estádios. Para quem tá acostumado a ir, no entanto, fica aquele ar de torcida de vôlei. Com todo o respeito ao vôlei e a sua torcida, claro.
Como o estádio não estava cheio, desci do meu lugar e fui à área mais próxima ao campo. Muita gente fez o mesmo, o que acabou gerando uns clarões na parte de cima da Fonte Nova, lugar dos ingressos mais baratos, dando a impressão de que havia menos gente ainda do que fato estava lá. Não houve qualquer impedimento pra se fazer isso, já que osstewards estavam basicamente interessados em coibir o fumo na torcida.
Já posicionado no meu novo lugar, em pé, numa das escadas, assisti ao jogo junto com a torcida iraniana. E é aqui que discordo um pouco do que disse o Daniel Reis em seu texto sobre o jogo, talvez por estarmos em áreas diferentes da Fonte Nova. Não sei se é fácil de acreditar, mas foram eles, os torcedores do Irã, que, em grande quantidade, ajudaram a dar uma cara de jogo de futebol. Cantaram bastante e atraíram a torcida dos brasileiros para sua seleção.
Os brasileiros chegaram a começar um SOUBRASILEIROCOMMUITOORGULHOCOMMUITOAMOR, mas não conseguiram emplacar quando torcedores assopraram suas cornetas e gritaram “Irã!”.
O jogo foi meio morno, apesar dos quatro gols. O primeiro tempo foi sofrível. Sorte que o segundo deu uma animada, o que acabou salvando a coisa toda. A Bósnia foi sonolenta. Pareceu não fazer muita força pra jogar e fizeram três gols de pelada. O Dzeko pedia o tempo inteiro para a galera ir mais devagar. Tá certo, os caras já estavam eliminados, mas, apesar do problema com a arbitragem no jogo contra a Nigéria, foi a impressão que tive vendo os outros jogos da equipe também: uma certa dose de lerdeza. O camarada Simas falou sobre o “sangue de baratinha” deles.
E o Irã? Bom, o Irã é esforçado. Mas só. É uma seleção comparável ao Vasco-Modelo2014, sem o Douglas e o Edmílson. Entenderam o drama? Pois é.
Só que correram demais, o tempo inteiro, sem parar. O técnico Carlos Queiroz gritou, xingou, reclamou. Os iranianos tentaram, até deram umas porradas nos bósnios. Só que não foi suficiente. Tentando atacar, acabaram sofrendo três gols e pouco ameaçaram concretamente o goleiro adversário.
No fim das contas, quatro gols, média alta mantida na Fonte Nova, os dois eliminados. Para mim, um jogo visto numa Copa do Mundo – e, claro, mini férias em Salvador. Não sei se pareço muito maluco por ter ido ver Bósnia e Herzegovina e Irã, pode ser que sim. É uma questão de ponto de vista. A verdade é que não sei se vou estar vivo em outra Copa do Mundo no Brasil e, bom, já tenho alguma história para contar a meus netos sobre um jogo que vi naquela Copa espetacular que aconteceu no Brasil em 2014. Só espero que os outros avós deles não tenham conseguidos ingressos para a final.

* Texto publicado originalmente no Ouro de Tolo.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Textos sobre a Copa do Mundo

Tenho escrito alguns textos sobre a Copa do Mundo. Não são tratados filosóficos, análises táticas, reportagens esportivas surpreendentes ou teses profundas sobre futebol. São minhas impressões sobre a Copa e os jogos. Já falei da Costa Rica, da Argélia, do jogo que fui assistir na Fonte Nova. Escrevi também sobre a cobertura pela TV do evento e sobre o meu jogo inesquecível em Copas.

Os textos foram escritos para o Ouro de Tolo, site comandado pelo Pedro Migão, que ta fazendo uma cobertura bem legal sobre a Copa do Mundo. Para ler os meus textos lá no Ouro de Tolo, clique aqui. Tem muita coisa boa por lá, aproveita pra conferir. Você também pode encontrar os textos republicados aqui no Fazendo um Drama.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Vamos falar da seleção da Argélia *


Menos de dois dias depois de ter escrito que, às vezes, é bom estar do lado mais fraco, a Argélia aparece pra reforçar as minhas palavras. Ninguém deu nada pela Argélia antes da Copa do Mundo começar. Agora, a seleção aparece com três pontos, em segundo lugar do grupo H, com boas chances de classificação para as oitavas de final.

E não é de se estranhar que ninguém apostasse muito na Argélia. No mesmo grupo, temos ainda Bélgica, Rússia e Coreia do Sul. Três seleções que, aparentemente, passariam fácil sobre a pobre Argélia, que voltaria pra casa, rápido, sem pontos e sem gols marcados.

Só que não é bem assim que as coisas têm sido. A Ótima Geração BelgaTM, tema de disputas apaixonadas nas redes sociais, ainda não mostrou nada demais. Nada mesmo. Tá certo, ganhou dois jogos (a estreia contra a própria Argélia e o segundo jogo, no Maracanã, contra a Rússia), mas não jogou nada. Posso queimar a língua em breve, deve cair na próxima fase, seja quem for o adversário vindo do Grupo G (Alemanha, Gana, EUA e Portugal). No fundo, todos sabemos que os belgas são bons em cerveja, chocolate, batata frita e waffle. O resto é exagero de quem assisti muito futebol europeu e joga Playstation.

Além dos belgas, russos e sul-coreanos, minhas apostas no bolão que participei, também não mostraram nada. Ou melhor, mostraram, sim: os russos, que Capelo não tem condições de comandar uma seleção numa Copa do Mundo e que precisam começar a pensar, rapidamente, na formação de um grupo competitivo para a Copa de 2018; os sul-coreanos, que é muito difícil conquistar resultados positivos num mundial disputado fora da Coreia do Sul e sem arbitragens equivocadas como as de 2002. Subestimamos, mesmo sem saber o porquê, a Argélia num grupo sem grandes potências.

Refletindo a respeito, na última semana, o Rodrigo Borges escreveu sobre a Argélia no Esporte Fino. O texto é certeiro: sabe-se pouco sobre as seleções africanas como um todo, menos ainda sobre uma seleção sem grandes estrelas jogando nos clubes europeus e sem aparições constantes na TV. Nas palavras do jornalista, a surpresa com a Argélia “é uma mistura de preconceito e desinformação, de jornalistas e de torcedores em geral”.

E isso, a meu ver, ultrapassa o futebol. É mais uma daquelas coisas que mostra o quanto o esporte é parte importante pra se compreender a sociedade: damos as costas à África e aos nossos vizinhos de América. Ignoramos sua existência em quase todos os momentos e não apenas no futebol. E nem vamos entrar na questão das generalizações e das coisas ditas em transmissões e matérias, como o narrador que não percebeu que os argelinos rezavam na comemoração do gol contra a Bélgica.

Podemos olhar pra coisas mais simples. Basta lembrar, por exemplo, que só o SporTV tinha uma repórter em San Jose, na Costa Rica, pra cobrir as comemorações pela vitória contra a Itália e a classificação para a próxima fase. Entendo as limitações orçamentárias, mas, no jornalismo, em todas as áreas, quantos correspondentes brasileiros temos na América Latina? E na África? Não muitos, né? E isso não é prerrogativa do jornalismo apenas: o quanto nós, professores, falamos de América Latina, África e Ásia em sala de aula?

Assim, ver uma Argélia, por quem ninguém dava nada, se mostrando competitiva, fazendo uma boa campanha na Copa do Mundo do Brasil e disputando uma vaga nas oitavas com boas chances de passar, é mais do que legal ou curioso. É importante pra que olhemos, jornalistas, torcedores, brasileiros, com mais atenção pra África, muito além dos jogos de resultados duvidosos, dos tapetões nas eliminatórias ou das greves de Camarões. As vitórias de Argélia, Costa Rica e outros, obrigam que se fale sobre lugares quase sempre deixados de lado. Talvez não seja a forma ideal, mas é uma forma.

Hoje, tão pouco tempo depois de dizer que a Costa Rica ganharia a minha torcida, posso dizer que quero muito que a Argélia ganhe dos russos e siga em frente também. Não sei se falaremos mais dessas seleções e de seus países, mas há chances, penso. Tomara que consigamos, nós e eles. Fará bem ao futebol, à Copa do Mundo e à sociedade.

* Texto originalmente escrito para o Ouro de Tolo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Às vezes, é bom estar do lado mais fraco *

Os especialistas já devem estar falando sobre as grandes joias da ótima geração costarriquenha para o qual eles haviam alertado há tempos. Com enorme naturalidade, devem estar falando sobre o estilo de jogo de Yeltsin Tejeda, Brian Ruiz, Christian Bolaños, Keylor Navas. Certamente, estarão ainda dizendo que não se poderia desprezar uma seleção classificada pela Concacaf, com eliminatórias duras, muito disputadas, com jogadores experientes, que disputam os campeonatos europeus.

Eu não sou especialista. Em nada, diga-se de passagem. Nada mesmo. Tenho dificuldade em acertar até a temperatura da água do chuveiro, que uso todo dia, há anos. E, na minha opinião de não-especialista, acho tudo isso uma imensa bobagem. Acho a Concacaf uma grande baba, apesar do México ser uma pedra nos sapato brasileiro.
Não conhecia a seleção da Costa Rica. Nunca assisti a nenhum jogo dela. No sábado, não vi a virada contra os uruguaios. Nem em 2002, quando o Brasil, já classificado, enfrentou na primeira fase a Costa Rica do Wanchope, que parece nome de cerveja artesanal metida a besta servida em barzinho da moda, me empolguei. Perdi um jogo cheio de gols e ganhei a uma noite inteira de sono naquelas madrugadas de Copa e relógio biológico desequilibrado.
Mas futebol é um negócio muito mágico. Sobretudo, quando você descobre a empolgação de torcer por times desconhecidos, fracos e dedicados. É uma outra face do esporte que pra muitos, há torcedores no Rio que tão aí de prova, é a verdadeira essência da coisa. Eu descobri isso há pouco tempo.
Explico: fui criança e me apaixonei por futebol numa época em que meu time ganhava bastante. Sou vascaíno e tenho 29 anos. Isso significa que, até os meus 15 anos, pude ver um tricampeonato estadual, dois títulos Brasileiros, uma Libertadores e uma final mitológica de Mercosul, entre outras coisas. Depois, um abismo: derrotas estúpidas, carência de títulos, dois rebaixamentos, campanhas cretinas.
Esse tempo no deserto ensinou algumas coisas. A primeira é: nunca elejam um ídolo presidente do seu clube. Nunca. Outra: é nas desgraças que a gente percebe o caráter de um homem. Se o aço é forjado na porrada, o torcedor é construído mais nas tragédias que nas vitórias. Sem a menor sombra de dúvida, amo muito mais ao meu time hoje do que 15 anos atrás. Sem a menor sombra de dúvida também, posso dizer que não gostaria de ter descoberto isso desse jeito, preferia talvez amar menos do que amo e ter continuado no rumo das vitórias e dos títulos. Até porque, é bom estar do lado mais forte, vitorioso, favorito e candidato a todos os títulos.
Agora, como essa quebra no texto pra falar sobre o Vasco tem a ver com a Copa do Mundo? Tudo, tem tudo a ver. Por exemplo, comecei a me interessar mais pela Seleção Brasileira, depois de muitos anos, no momento em que eles se tornaram saco de pancadas e chegaram à Copa das Confederações desacreditados. E, nesta Copa, tem sido bom torcer pelos mais fracos.
No jogo de hoje (ou ontem ou anteontem, depende de quando o texto subir e de quando você vai conseguir ler), Costa Rica e Itália se enfrentaram pela segunda rodada do Grupo D. O grupo era, numa daquelas expressões que o futebol eterniza e que os narradores fazem questão de repetir a cada três ou quatro piscadas de olhos, o da “morte”: três campeões mundiais juntos. O problema é que os campeões mundiais não eram campeões tão ameaçadores assim: Inglaterra, Uruguai e Itália.
A Itália, claro, era a força a ser respeitada no grupo. Chegaram trôpegos ao mundial, o que só os torna mais perigosos. Por outro lado, a Inglaterra é uma seleção famosa por ir às Copas do Mundo e voltar para seu país com grande velocidade. Ganharam uma Copa em casa e só. “Ah, mas, depois disso, eles chegaram numa semifinal de Copa do Mundo”, você poderia dizer. Tá certo, não vamos discutir, né? E tem ainda o Uruguai que, por mais simpatia que tenhamos pelo Mujica, é um time cansado, envelhecido e muito dependente do Suárez.
Nesse contexto, a Costa Rica chegou completamente desacreditada. Só que já na estreia deu uma sapecada nos uruguaios, 3 a 1. O mundo olhou pra zebra. No segundo jogo, uma vitória por 1 a 0 contra os italianos. Incontestável. Assisti torcendo pros caras, praquela rapaziada correndo atrás da bola e partindo pra vencer uma seleção quatro vezes campeã mundial. Até a Fifa desconfiou de tamanha disposição.
Foi bonito. É legal ver o futebol, e uma Copa do Mundo no Brasil, tocar tanto a população de um país. As ruas de San José, capital costarriquenha, foram tomadas de vermelho. Por favor, não é o comunismo tomando conta do continente, gente, é só uma festa. Mais legal ainda tem sido ver o entusiasmo de Luís Guillermo Solís, presidente da Costa Rica. Se você ainda não o conhece, dá uma olhada no perfil dele no Twitter.
Depois das duas vitórias, os caras se classificaram para a segunda fase por antecipação. Ainda resta um jogo contra os ingleses antes disso. Quem sabe mais uma vitória e o primeiro lugar do grupo? Seria fantástico. Eles continuarão sendo a Costa Rica, uma seleção sem tradição no futebol mundial, azarões na Copa, totalmente franco-atiradores. Mas seria muito interessante vê-los avançando. Por isso, vão, Keylor Navas, Bolaños, Brian Ruiz, Yeltsin Tejeda, vão!
E tomara que avancem o máximo possível. Vou torcer. Avançar o máximo possível significa, é claro, até enfrentarem o Brasil. Aí, chega, né? Sou muito grato pelo que a Costa Rica fez. Nesse dia 20 de junho, mais uma vez, a Copa do Mundo me mostrou porque gosto tanto de futebol. É esse negócio mágico e completamente imponderável. Claro que é bom ser o multicampeão favoritíssimo. Mas não nos esqueçamos que, às vezes, é bom estar do lado mais fraco.

* O texto foi publicado no Ouro de Tolo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Vamos falar da seleção da Argélia" no Ouro de Tolo

Menos de dois dias depois de ter escrito que, às vezes, é bom estar do lado mais fraco, a Argélia aparece pra reforçar as minhas palavras. Ninguém deu nada pela Argélia antes da Copa do Mundo começar. Agora, a seleção aparece com três pontos, em segundo lugar do grupo H, com boas chances de classificação para as oitavas de final.

O texto foi originalmente escrito para o Ouro de Tolo e pode ser lido aqui.

sábado, 21 de junho de 2014

Vendo a Copa na TV *



No momento em que escrevo este texto, a primeira rodada terminou e a segunda começou com o jogo do Brasil contra o México. Foram 16 jogos, quase metade dos jogos tiveram viradas e temos a maior média de gols desde a Copa de 1958 (se você é dos que gosta muito de estatísticas, dá uma olhada aqui). Não sou muito velho, acabei de fazer 29 anos, mas, sem dúvida, é a melhor Copa a que já assisti.
Tenho minhas preferências pra acompanhar a Copa. Assisto aos jogos do Brasil na Globo. Podem me crucificar, aceito. A exceção é quando o Milton Leite narra. Aí, mudo pro SporTV. Quanto aos demais jogos, vario na busca pelos narradores que gosto: além do Milton Leite, o Everaldo Marques (ESPN) e o João Guilherme (Fox Sports). Nos intervalos entre um jogo e outro e no final da rodada, costumo ficar pela ESPN.
Pensando na primeira que vi pra valer, em 1994 (contei um pouco sobre essa experiência em outro post), acho que melhoramos muito. Na época, a sensação que tenho é que o futebol não era visto como a tábua de salvação da audiência na TV. A Globosat engatinhava e o SporTV nem existia como SporTV. Hoje, são só no HD, são dois canais SporTV, dois ESPN, dois Fox Sports, um Band Sports e mais Globo e Band na transmissão. É futebol 24 horas por dia na Copa.
No entanto, essa quantidade enorme de canais transmitindo os jogos, na TV aberta e na TV a cabo, não garante muitas novidades. A cobertura parece igual a todas as outras que vi. Aparentemente, a necessidade de manter uma programação de tema futebolístico por tanto tempo no ar tem sido um problema.
Há, na busca pela audiência, um adicional de bizarrices no ar. A Ana Maria Braga já serviu comida mexicana às nove da manhã. Teve também uma tartaruga fazendo previsão, via prato de milho no chão com os nomes dos times na disputa, em programa da Record e o Louro José fazendo análise tática num programa culinário. Nada contra, sou defensor da tosqueira na televisão. Se a Copa incentiva, ponto pra Copa.
Como uma tentativa de inovar, a Fox Sports colocou em seu canal 2 humoristas na transmissão. O recurso já é conhecido do público carioca, a Rádio Transamérica já fez isso há alguns anos. Honestamente, não sei se é bom. Também não vi nenhum jogo com eles pra ter uma opinião a esse respeito. Acho que pode dar muito errado, mas a tentativa em si não tem nada de errado. A galera profissional da área já fala tanta bobagem mesmo.
Em geral, fica claro que o grande número de pessoas utilizadas na cobertura do evento derruba um pouco a qualidade. É muito estagiário tendo que assumir microfone ao vivo. O sujeito entra no ar, fala, fala, fala e não explica nada. Isso ficou claro no dia da abertura, quando a repórter do SporTV teve muita dificuldade pra explicar o problema de acesso ao Galeão por conta de uma manifestação dos aeroviários. A mesma coisa vale pras entradas dos correspondentes do canal nos países participantes da Copa: às vezes, falta intimidade com o retorno e, acima de tudo, presença espírito de quem tá no comando da transmissão pra ajudar os caras.
Sobre os links ao vivo, no meio da torcida, é sempre um negócio tenso. O pessoal chega lá e, ao que parece, não tem nada de original pra perguntar. No primeiro sábado da Copa, um pouco antes de começar a primeira partida no Mineirão, repórter entrou ao vivo e, numa conversa com uma torcedora colombiana que segurava uma réplica de papelão da taça, perguntou o que a moça ia fazer com a taça se a Colômbia vencesse. Sério, cara? Confesso que fiquei torcendo pra moça colocar a taça na frente do púbis e chacoalhar. Ou responder com um portunhol fuleiro: enfiar em tu culo. Ela só ergueu os braços.
A necessidade de muita gente pra trabalhar na transmissão não afeta apenas a reportagem. Também aparece quando nos deparamos com os comentaristas escalados pros jogos. Juninho Pernambucano tem sido um sopro de talento. Mas o terreno é árido, muito árido. Caio, Roger, Loffredo, Renê Simões. Não sei nem o que dizer sobre. Casagrande e Mário Sérgio são interessantes porque não dá pra entender muito bem o que tão falando, tornando a coisa toda meio surreal, às vezes. Se formos pensar nos ex-árbitros, só melhora: além do eterno comentador de replay, o rei do gabarito comentado, Gaciba, temos Simon, Paulo César Oliveira e Márcio Rezende de Freitas. Sim, Márcio Rezende de Freitas, cujo maior feito nos campos de futebol foi ter cometido um erro crasso numa final de Campeonato Brasileiro.
Acontece que a Copa do Mundo no Brasil vai muito bem. E todos esses problemas na transmissão se tornam apenas uma parte, quase folclórica, de todo o resto. Vai tão bem que, apesar de ter batido muito no mundial, no governo, na presidenta e na realização da Copa como um todo, a imprensa parece ter aderido ao evento. Até houve um ensaio de aumento dos ataques, com o destaque imenso dado às vaias contra Dilma Roussef na estreia do Brasil (sobre o episódio na Arena Corinthians, o Gustavo Cardoso escreveu aqui). Mas, ao que parece, não dá pra negar que a Copa é um sucesso esportivo, econômico e de mídia. Assim, a imprensa tem preferido, a meu ver, dar destaque aos jogos. Com o fim da Copa, a relação certamente voltará aos níveis anteriores de tensão. Talvez nem demore tanto, já que a campanha eleitoral começa oficialmente em 6 de julho. A conferir.
Fora das transmissões das redes de TV, a Copa do Mundo tem sido um momento muito legal da internet e das redes sociais. Não que não tenha havido isso em 2010. É que quando tudo parece meio parecido, sites como Impedimento eTrivela trazem complementos muito legais ao que se vê na TV. O próprio Ouro de Tolo vem trazendo uma cobertura especial. Além disso, acompanhar os jogos pelo twitter tem sido, cada vez mais, uma experiência divertida.
Antes de acabar, peço aos colegas da imprensa, uma reportagem legal com bósnios que vivem no Brasil. Ou sobre os argelinos. Ou iranianos. Algo melhor que repórter perguntando no CT do Corinthians se é um problema os jogadores do Irã usarem verde. Talvez tenha tido alguma coisa e eu não vi. Dá pra fazer coisas bem legais. O Brasil é um país de muitos imigrantes e um prato cheio pra essas matérias. Mas, por favor, vamos lutar contra os clichês. Até porque, de pizzaria lotada no Bexiga pra falar de Itália, a gente já tá meio cheio. E de outros lugares-comuns e desinformação sobre os estrangeiros também.
No mais, é aproveitar, quem pode, claro, os dias de Copa. Por pior que seja a narração ou os comentários, é COPA DO MUNDO NO BRASIL. Não sei se dá pra estragar uma coisa assim.

* O texto foi originalmente publicado no Ouro de Tolo. O post está disponível aqui.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

"Vendo a Copa na TV" no Ouro de Tolo

10491182_633977910019986_7855020684331294962_n
"Pensando na primeira que vi pra valer, em 1994 (contei um pouco sobre essa experiência em outro post), acho que melhoramos muito. Na época, a sensação que tenho é que o futebol não era visto como a tábua de salvação da audiência na TV. A Globosat engatinhava e o SporTV nem existia como SporTV. Hoje, são só no HD, são dois canais SporTV, dois ESPN, dois Fox Sports, um Band Sports e mais Globo e Band na transmissão. É futebol 24 horas por dia na Copa.

No entanto, essa quantidade enorme de canais transmitindo os jogos, na TV aberta e na TV a cabo, não garante muitas novidades."


Escrevi sobre a cobertura da Copa do Mundo na TV. Amanhã, publicarei a versão completa por aqui. Por enquanto, o texto integral está no Ouro de Tolo. Vai lá ler! 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Ouro de Tolo na Copa do Mundo





O Ouro de Tolo, site comandado pelo Pedro Migão e para o qual colaboro, está fazendo uma cobertura especial da Copa do Mundo no Brasil. Os textos relacionados a ela estão aqui. Além dos relatos sobre os jogos, tem também a sessão Meu jogo inesquecível, como já destaquei em outro post, e as colunas estão mantidas, tocando em questões relevantes sobre o evento, a cobertura da imprensa e o ambiente político.  

Confere lá!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Breve intervalo nos dramas cotidianos: Festa no covil





"Algumas pessoas dizem que sou precoce. Dizem isso principalmente porque pensam que sou pequeno pra saber palavras difíceis. Algumas das palavras difíceis que eu sei são: sórdido, nefasto, pulcro, patético e fulminante."


"Festa no covil" é o primeiro livro do Juan Pablo Villalobos. O romance foi publicado no Brasil em 2012 e, apesar da curiosidade pela capa, que acho fantástica, demorei a me render. Tinha sempre muita coisa pra ler em casa, muita coisa pra ler pro trabalho, muita coisa pra escrever. Muita coisa.

Há um mês, assisti a uma entrevista do autor no Globo News Literatura. Ele falava sobre o novo livro ao Edney Silvestre. Gostei daquele cara contando histórias. Comprei o livro, o primeiro.

É bem curtinho. Não sei, porém, se precisava ser maior. É fantástico do jeito que é. Independentemente de se conhecer o México ou não. É direto, incisivo, violento e doce. 

A história é contada por Tochtli, filho de um chefão do tráfico. Mas não se trata de uma história sobre drogas. Pode ser sobre como um garoto quer ter hipopótamos anões da Libéria, como o menino acha estar contando. O texto todo é marcado por uma crueza muito particular, que revela um personagem que convive o tempo inteiro com a violência física e psicológica. No fim das contas, fico com a definição do Ali Smith, do The Telegraph: o texto é sobre inocência e bestialidade.


Enfim, leiam Villalobos.


* A imagem que ilustra o texto tá no Blog da Companhia. A foto é do Renato Parada; a capa, da Elisa von Randow.

terça-feira, 17 de junho de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014

"Eu, Bebeto e Romário" no Página Cultural


No clima da Copa, "Eu, Bebeto e Romário" foi publicado no Página Cultural. O texto fala sobre as minhas impressões infantis sobre Brasil 1 X 0 EUA (1994). Você pode ler aqui

Originalmente, o texto foi publicado no site Ouro de Tolo, na série "Meu jogo inesquecível". É só clicar no link que tá no nome do site. Há também um post aqui no Fazendo um Drama.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Eu, Bebeto e Romário *



A primeira coisa que uma é criança na vida é o seu time. Se não pra todas, pra muitas. Se não a primeira, uma das primeiras. Uma manifestação de paixão e de um amor eterno. Você não sabe seu nome todo direito, não conhece todos os parentes dos seus pais, não sabe o CEP de casa e ainda come massinha na sala de aula. Mas basta alguém perguntar “qual o seu time?” pra resposta sair de pronto. Vasco da Gama, eu dizia rápido.

Futebol sempre foi coisa importante em casa. Comigo, coisa de pai pra filho. E de avô pra pai. Somos uma casa de portugueses e vascaínos. Pra mim, assim como pra muitas crianças brasileiras, imagino, as primeiras memórias mais claras da infância estão relacionadas ao futebol. Ganhar uma camisa do Vasco com “Coca-Cola” escrito na frente e perguntar se não tinha uma do Guaraná Brahma é, e imagino que sempre será, história pra contar no almoço de família.
Entretanto, histórias do Vasco e de almoços de família na minha casa ficam pra outra oportunidade. Afinal, em junho de 1994, dias depois de completar nove anos, a criança que corria empolgada com uma bandeira cruz-maltina amarrada no pescoço e ainda comemorava o tricampeonato estadual incorporava uma outra torcida à paixão pelo futebol: sou Vasco e Brasil, dizia. Por aqueles dias, meu pai explicou como funcionava a Copa, falou que ia ser nos EUA, mas que eles não sabiam jogar bola, lembrou do Brasil X Uruguai das eliminatórias e me deu o álbum e as figurinhas pra colecionar. Minha tia deu uma tabela pra marcar os resultados dos jogos. Mal sabiam que estavam criando um monstrinho viciado na Copa do Mundo.
Assisti ao que pude. Dentro, claro, das limitações que uma criança de nove anos tem na vida, como sono aleatório, seriados japoneses violentos pra assistir e o tédio brutal que bate quando se encara um Alemanha X Bolívia arrastado. No Globo Esporte, depois da volta do Colégio pra casa, tendo visto ou não os jogos do dia anterior, ficava assistindo aos gols e reportagens sobre a Copa. A tabelinha ia sendo completada passo a passo e fazia questão de contar todos os resultados pro meu pai, pra minha tia e pra minha avó. E pra todo mundo que aparecia por lá. Pro carteiro e pro vendedor de picolé, todos os dias, inclusive.
Os jogos dos Brasil foram meio mornos. Ao menos é o que me diz a memória infantil. Por outro lado, minha casa andava agitada. Sempre todo mundo lá, casa cheia, pra ver os jogos. A TV velha, a imagem meio borrada e a gente gritando. Metade da sala xingava o Raí; a outra, o Zinho. Os lançamentos do Dunga eram acompanhados de um esse aí tá pensando que é o Gérson que só os adultos entendiam. Eu achava o Taffarel frangueiro, jamais me esqueceria do gol sofrido contra a Bolívia, em La Paz, nas Eliminatórias, por entre as pernas. Os únicos elogios eram pra Bebeto e Romário. Rússia, Camarões e Suécia: três jogos, duas vitória, um empate. Estávamos classificados e haveria mais jogos do Brasil pra ver.
E veio o jogo das oitavas de final. De novo, todos lá em casa. Dessa vez, pra Brasil e EUA. Hoje, fico pensando no quão surreal era aquele jogo ao meio-dia, num sol absurdo. Na época, só conseguia lembrar que meu pai tinha dito que eles eram fracos, que não sabiam jogar. Achava engraçado o Lalas e aquela cara de roqueiro e o Meola com aquela cara de filho de mafiosa de cinema.
Mas era 4 de julho. A festa era gigante. Aparentemente, tinham ido mais longe do que imaginavam. O jogo era feio, o Brasil jogava mal e os caras é que tocavam bola. Quase fizeram um gol no primeiro tempo. Automaticamente, Parreira recebia palavras doces do sofá da minha casa: retranqueiro maldito, vai ter que tomar gol pra aprender. Nós, as crianças, repetíamos retranqueiro maldito seguidamente, quase estabelecendo uma conversa toda baseada nas duas palavras.
Um pouco antes do fim do primeiro tempo, um barulho de espanto na sala. Numa jogada na lateral, agarra daqui, puxa dali, Leonardo acertou uma cotovelada violenta no rosto de Tab Ramos, jogador dos EUA. O juiz já chegou com o cartão vermelho na mão, tínhamos um a menos. Lembro do meu desespero, de um puta que pariu que soltei e que acabou não tendo um sanção, porque, afinal, puta que pariu, estávamos todos fodidos naquele sol de rachar, naquele calor da porra, no 4 de julho, num estádio cheio, os americanos imbuídos, íamos ser eliminados, íamos ser eliminados mais uma vez e íamos ser eliminados pelos Estados Unidos, aquele time dos caras que nem sabem jogar bola, que chamam futebol de soccer e que tomam leite no jantar.
O final do primeiro tempo ainda teve uma bola na trave (do Romário?). A jogada, porém, não mudaria o quadro geral. Veio o intervalo e a sala de casa era silêncio. Minha avó, vez em quando, soltava um vão perder, são muito ruins, vão perder e não quero ver ninguém chorando que nenhum de vocês ganha nenhum centavo com esse negócio de futebol. O começo do segundo tempo já trouxe um quase gol do Brasil e a sensação que deu, ao contrário do que poderia parecer, não era boa: aquele quase matava, parecia ser um traço de uma tragédia inexorável, a eliminação doída. Romário driblou o goleiro e, puta que pariu de novo, chutou pra fora. Vamos perder, pensei.
Só que eu era só uma criança. E o Romário foi gênio dentro de campo. Logo depois do erro, como que numa penitência, pegou a bola no meio de campo, arrancou em direção ao gol americano, os caras foram pra cima dele, eu fiquei de pé, Bebeto abriu na direita, eu ergui os braços, Romário viu, lançou a bola, coisa fina, a bola deu uma mascada, mas chegou perfeita pro Bebeto, Bebeto olhou pro Meola, tocou no cantinho, a bola chorou, puta que pariu, entrou no cantinho, no canto direito, a gente pulava na sala, a gente gritava, eu era uma criança boca suja, mas era gol do Brasil, ninguém tava preocupado com mais nada, a rua toda gritava, e o Bebeto olhou pro Romário e disse Eu te amo!, e, de repente, todo mundo na sala gritava Eu te amo!, e a gente comemorava sem parar, a rua comemorava sem parar, era o gol da vitória, era um a zero, mas não importava, era gol e os gritos do lado de fora e de dentro não paravam. Acho que o Brasil inteiro comemorava sem parar naquele dia.
Minutos mais tarde, o juiz apitou e estávamos nas quartas de final. Os jogadores comemoravam em campo e nós gritávamos outra vez junto com a rua inteira, quem sabe, com todas as outras ruas do Brasil. Eu e as outras crianças da família, nós e todas as outras crianças do Brasil, certeza, nos sentíamos parte daquilo. Na minha cabeça, era eu, Bebeto e Romário no ataque da seleção, aquela vitória era nossa. A Globo soltava a vinheta, o grito de Brasil! ecoava e a gente, na sala, ainda se abraçava e dizia um pro outro Eu te amo!.
Hoje, 20 anos depois, sei meu nome completo, conheço os parentes todos, não como mais massinha e continuo respondendo de pronto Vasco da Gama, sem dúvida. Tenho dificuldade pra lembrar meu CEP, confesso. A boca também continua meio suja, sobretudo durante uma partida de futebol. Mas, mais do que qualquer outra coisa, continuo vivendo esse amor descomunal, violento e alegre, alucinante e dolorido, que o futebol possibilita. E só consigo pensar que o esse tal de futebol é um negócio espetacular e agradeço todos os dias ao velho, que já não tá mais aqui, por ter me mostrado isso.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 x 0 EUA
Local: Stanford Stadium, em Palo Alto
Data/Hora: 4/7/94, às 12h35
Árbitro: Joel Quiniou (França)
Público: 84,147
Cartões vermelhos: Leonardo, 41'/1ºT (BRA); Clavijo, 42'/2ºT (EUA)
Gol: Bebeto 28'/2ºT (1-0)

BRASIL: Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Cafu); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
ESTADOS UNIDOS: Meola; Clavijo, Balboa, Lalas, Caligiuri; Tab Ramos (Wynalda), Dooley, Hugo Perez (Wegerle), Sorber; Cobi Jones e Stewart. Técnico: Bora Milutinović.

Aqui, o jogo completo:

* Texto publicado no Ouro de Tolo, na série especial "Meu jogo inesquecível". Para ler o post original, clique aqui. Além do meu texto, tem muita coisa boa lá, vai conferir!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Texto meu pra série "Meu jogo inesquecível" do Ouro de Tolo


"Eu, Bebeto e Romário" é o meu texto pra série especial do Ouro de Tolo sobre a Copa do Mundo. Contei minhas lembranças sobre a Copa de 1994 e sobre a minha infância e o futebol. Para ler o texto integral, clique aqui. Logo abaixo, um trecho do texto:

"Os jogos dos Brasil foram meio mornos. Ao menos é o que me diz a memória infantil. Por outro lado, minha casa andava agitada. Sempre todo mundo lá, casa cheia, pra ver os jogos. A TV velha, a imagem meio borrada e a gente gritando. Metade da sala xingava o Raí; a outra, o Zinho. Os lançamentos do Dunga eram acompanhados de um esse aí tá pensando que é o Gérson que só os adultos entendiam.

Eu achava o Taffarel frangueiro, jamais me esqueceria do gol sofrido contra a Bolívia, em La Paz, nas Eliminatórias, por entre as pernas. Os únicos elogios eram pra Bebeto e Romário. Rússia, Camarões e Suécia: três jogos, duas vitórias, um empate. Estávamos classificados e haveria mais jogos do Brasil para ver."

domingo, 1 de junho de 2014

Coisas por aí: "Meu jogo inesquecível" no Ouro de Tolo


O Ouro de Tolo, site comandado pelo Pedro Migão, tá com uma série muito legal. 

Aproveitando a Copa do Mundo no Brasil, entrou no ar o especial "Meu jogo inesquecível", com relatos sobre jogos que marcaram os autores dos textos. Tem de tudo um pouco: de uma testemunha ocular do Maracanazzo a um jovem de 15 anos escrevendo

Se você ainda não clicou em nenhum dos links espalhados pelo texto, acesse www.pedromigao.com.br/ourodetolo/.