domingo, 30 de março de 2014

"E se o sistema prisional fosse um reality show?" no Ouro de Tolo


"De tempos em tempos, o debate sobre o sistema prisional brasileiro vem à tona. Quase sempre, é uma sucessão de lugares-comuns à respeito do estado das coisas: ouve-se que as prisões são medievais, que são universidades do crime. Ao mesmo tempo, tem bastante gente dizendo que o Brasil é o país da impunidade, cobrando mais prisões, mais repressão. É apresentador berrando “cadeia neles!”, dizendo que presos têm mordomia ou que ser condenado a 30 anos é pouco (?!). Mas, aí, o outro jornal mostra um presídio botando gente pelo ladrão. Desculpem o trocadilho infame, mas tem alguma coisa errada, né?"

"E se o sistema prisional fosse um reality show?" é o meu texto deste mês pro Ouro de Tolo, do Pedro Migão. Todo mês, na última semana, sobe um texto meu na 457.

sábado, 29 de março de 2014

Blog do Houdini



"Não é fácil ser um sujeito tentando ganhar a vida honestamente no ramo da mágica e do ilusionismo. Sempre me esforcei para dar o meu melhor nos shows, mesmo nas mais adversas condições. Pois faço meu trabalho bem feito, sumo com um avião de quase 250 toneladas e, em vez de receber elogios públicos e a segunda parte de depósito, vocês arrumam um satélite chinês e um rastreador norte-americano para tentar encontrá-lo. Ao menos, não chamaram o Mister M desta vez."

Texto meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além, com ilustração do José Luiz Tahan. O texto integral está aqui. Para conferir outros personagens do além, clique aqui.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Van Gogh no Blogs do Além

"E, mesmo com toda a tecnologia, é difícil ser um selfista profissional. Nem todos têm a sorte de ter um irmão que sustente o ofício ou um patrocinador como a Ellen DeGeneres. Os selfistas trabalham o tempo todo e experimentam milhares de possibilidades. Tem para todos os gostos, é só escolher, como num Selfie Service: há os clássicos retratos de elevador e os com a paisagem ao fundo; mas há gente também que se fotografa na maca da ambulância, depois de uma ressaca de Keep Cooler com Red Bull no enterro da mãe. Mas quem sou eu para criticar esses hábitos estranhos, fiz um autorretrato depois de ter cortado minha orelha, né?"




O texto é meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além, com ilustrações do José Luiz Tahan, e tá disponível na edição impressa da Carta Capital e aqui

terça-feira, 25 de março de 2014

Todos os dias

Comia todos os dias no mesmo lugar. 
Comia todos os dias no mesmo lugar. Restaurante, mesa, cadeira.
Comia todos os dias no mesmo lugar. Restaurante, mesa, cadeira. O mesmo prato.
Comia todos os dias no mesmo lugar. Restaurante, mesa, cadeira. O mesmo prato. Os mesmos olhos rondando o restaurante, pousando sobre a mesa, as cadeiras e o prato.
Comia todos os dias no mesmo lugar. Restaurante, mesa, cadeira. O mesmo prato. Os mesmos olhos rondando o restaurante, pousando sobre a mesa, as cadeiras e o prato. Olhos abertos, bem abertos, procurando os olhos dela.
Mas ela nunca mais voltou ali.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Blog do Van Gogh



"Sempre desconfiei de minha sanidade mental. Mas nunca considerei minha obsessão por autorretratos um sintoma da minha falta de juízo. Ainda que não soubesse, estava difundindo a prática do selfie em minha época. E, com a minha visão amarelada por conta do excesso de absinto, posso dizer que inventei metade dos filtros do Instagram." Blog do Van Gogh: http://blogsdoalem.com.br/vangogh/


Texto meu e do Vitor Knijnik pro Blogs do Além. A ilustração é do José Luiz Tahan.








sábado, 22 de março de 2014

Breve intervalo nos dramas cotidianos: Kimland



"Tudo em Pyongyang serve para enaltecer o orgulho nacional e a imagem dos líderes. Há fotos deles e todos cômodos, até nos vagões de metrô. Visitar a Coreia do Norte é mudar seu parâmetro sobre o que é culto à personalidade. O lugar mais parece uma 'Kimlândia', um parque temático para os grandes líderes."

"Kimland" é o tipo de coisa que eu gostaria de ter escrito. O livro, segundo da Juliana Cunha (com o projeto gráfico da Mariana Newlands), é uma crônica sobre a viagem dela à Coreia do Norte. Tem espaço pra falta constante de energia, pros guias da embaixada, pras crianças que atravessam a cidade e até pra um breve apanhado da história coreana. O que há de melhor, porém, são as impressões pessoais da autora, as fotos são sensacionais e o texto delicioso, com uma delicadeza que leva junto nos caminhos exóticos da capital do país. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

BLOGS DO ALÉM: Isaac Asimov


Foto: http://blogsdoalem.com.br/asimov/

Isaac Asimov, um dos maiores autores de ficção científica de todos os tempos, baixa no Blogs do Além ampliando as leis da robótica:

" A raça humana está em vias de ser esculachada, razão pela qual urge ampliar as leis da robótica. Eis uma sugestão:

Em ataques de guerra, drones devem, eventualmente, matar grupos de civis. Isso já acontece, mas não custa transformar em lei para garantir."

Nesta semana, Isaac Asimov baixa no Blogs do Além pra propor novas leis da robótica. O texto é meu e do Vitor Knijnik e você pode ler a versão completa na edição impressa da Carta Capital ou no site do Blogs do Além.


"A questão é que estamos prestes a virar uma espécie de segunda linha, um alvo fácil para bullying. A raça humana está em vias de ser esculachada, razão pela qual urge ampliar as leis da robótica. Eis as minhas sugestões:

4- Todo robô escritor deve fazer esporadicamente o uso preguiçoso de lugares-comuns, além de cometer erros de concordância.

5- Um pequeno grupo de robôs motoristas deve ser programado para estacionar nas vagas exclusivas para deficientes. E quando alguém reclamar, a máquina deve levantar o dedo médio.

6- Um robô deve discriminar outro robô que não tenha a sua cor.

7- Em caso de novo lançamento da Apple, alguns robôs devem aguardar na fila da Apple Store com, pelo menos, dois dias de antecedência.

8- Robôs superinteligentes e capazes devem desperdiçar parte do seu tempo nas redes sociais. De preferência, utilizando os termos "gênio", "petralha" ou "reaça" para descrever alguém.

9- Um grupo de robôs deve ser programado para desviar, sistematicamente, as rações de óleo e componentes de sua estrutura. Se descobertos, responderão: “Vamos apurar e os culpados serão punidos”.

10- Em ataques de guerra, drones devem, eventualmente, matar grupos de civis. Isso já acontece, mas não custa transformar em lei para garantir."


terça-feira, 18 de março de 2014

"Ambicioso" no audiolivro "Colcha de Retalhos"




Desde o ano passado, o escritor Rodrigo Domit recebeu uma série de contribuições para seu projeto de lançamento de uma versão em áudio de seu livro Colcha de Retalhos. Agora, depois de todos os contos do livro gravados, alguns até por mais de um leitor, o Domit está fazendo testes antes de disponibilizar a versão definitiva do audiolivro.


Participei lendo três textos. "Ambicioso" , um deles, pode ser conferido aqui.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Blog do Asimov

"Em Eu, Robô (que muitos, pelo título, pensam tratar-se de um livro de contos narrados por uma criança não alfabetizada que confessa um furto), apresentei as famosas “3 Leis da Robótica”. Que nada mais eram do que os princípios que permitiriam a coexistência entre humanos e máquinas inteligentes. Um esforço para evitar que, no futuro, você precisasse dar uns tapas na tevê para a imagem melhorar ou brigasse com a cafeteira nova porque o cappuccino não ficou bom."


O Blog do Asimov é meu e do Vitor Knijnik e a ilustração do José Luiz Tahan.

domingo, 16 de março de 2014

Ainda somos tão jovens ou Sobre a volta da Rádio Cidade

Quando soube que a Rádio Cidade estava no ar outra vez, fiz uma viagem mental no tempo. Não foi preciso ouvi-la. A simples noticia da sua volta ao ar me fez, em alguns segundos, voltar a 2002, doze anos atrás, aos meus 17 e ao colegial. Eu e meus amigos tínhamos 17 anos, morávamos no interior e ouvíamos a Rádio Cidade.
Por conta disso, quis escrever um texto sobre pessoas que gosto, porque a volta da rádio significa, antes de tudo, a emergência de memórias felizes. Mas não consigo pensar nisso sem que soe piegas. Qualquer coisa nesse sentido parece comum demais pra ser escrito. Certamente, autores muito melhores, e muito piores também, já o fizeram, de sorte que já há toda uma gama de textos sobre o assunto. A maioria, não tenho dúvidas, é melosa, saudosista e piegas. Ou tudo junto.
E talvez devesse ser, pois como quaisquer adolescentes, coletiva e individualmente, sofríamos dores insuportáveis, tínhamos dilemas existenciais, vivíamos os amores impossíveis e pensávamos no que seria de nós pouco tempo depois, quando fosse preciso escolher a faculdade, a profissão, o rumo. Éramos filhos dos anos 1980 que não viveram os anos 1980, da tragédia amarga, das festas infantis que nunca ocorreram por causa dos planos cruzados da vida ou pelo confisco do Collor, uma geração de pais funcionários públicos, comerciantes ou desempregados. Éramos filhos de pais que diziam pra escolher uma profissão em que não fossemos empegados de ninguém, tínhamos de ser donos dos nossos próprios negócios. Tudo parecia tão definitivo, como sempre é aos 17.
Mas não era, como sempre se descobre perto dos 30. E não seguimos exatamente esse caminho dado, preferimos escolher coisas que nos pareciam mais divertidas. Naquela época e depois dela. Na verdade, havia preocupações maiores: os dilemas mais doloridos se curariam mais dia menos dia; os empregos existiriam quando fosse a hora. Urgente era sobreviver à escola e aos 17 e isso só era possível com uma dose de insanidade, de professores berrando, de guerrinhas com pedras de barro no pátio, de brigas por persianas abertas na sala, de mochilas escondidas, de pontos perdidos, de tachinhas nas carteiras, de “fart machines” irritando a professora de geografia.
A salvação maior estava nos finais de semana. Nos encontrávamos e falávamos por horas, comíamos e ouvíamos música. Na maioria das vezes, a Rádio Cidade nos acompanhou. Somos de uma geração que ouvia música no rádio, que a rádio era ouvida no rádio, sem internet em banda larga, com alguma internet discada na casa de um ou dois. Às vezes, o aparelho de tocar CD era acionado, mas quase sempre era preterido pela programação da Cidade.
Por isso, hoje, ao entrar no carro e ouvir a FM 102.9 outra vez, pouco importou que ainda estivessem tocando as mesmas músicas de 2002 ou que tivesse nos deixado na mão, órfãos por tantos anos. Não procurava novidades. Procurava, mesmo que inconscientemente, o passado, as lembranças, aquelas memórias tão bonitas. Porque, no fundo, crescer embrutece a gente. A criança morre dentro de nós. A gente tenta salvá-la todos os dias, mas ela morre lentamente, sufocada pelo bebê que nasceu, a viagem pra Europa, o doutorado e a prestação do carro.
Nessa noite, terminada como tantas outras com o dia quase amanhecendo, houve mais um reencontro. Mais um, tão necessário quando se é adulto. Sim, nos tornamos adultos, todos nós. A mesa do bar dividida tantas e tantas vezes, assim como o muro de casa e os bancos da varanda, de todas as nossas varandas, são uma espécie de templo, nosso templo. Nosso lugar de encontro e das nossas orações em forma de riso e provocação, doçura e virulência; é o copo transbordando, as garrafas suando, a comida espalhada. É a aldeia, nossa aldeia. É, enfim, o que deveria ser sempre.
Depois de tudo isso, tenho certeza que os mais velhos tinham razão ao dizer que sentiríamos falta desses tempos. De tantas gargalhadas. Voltei a 2002 e, eu que nem cheguei aos 30, senti, pela primeira vez, falta de ter 17 outra vez. Até tentei, mas a verdade é que não dá pra fugir da nostalgia pra falar disso. Afinal, algumas coisas são definitivas.

sábado, 15 de março de 2014

Isaac Asimov no Blogs do Além



Esta semana tem o escritor Isaac Asimov no Blogs do Além:

"SOBRE MIM
Um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. Fui um grande divulgador da ciência e previ como a internet seria muito antes de ela existir. Só não previ que em 2014 haveria uma nova marcha pela família. Bom, não se pode acertar todas."


O texto é meu e do Vitor Knijnik e está disponível na edição impressa da Carta Capital e aqui.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ibrahim Sued no Blogs do Além



"Há quem diga que, atualmente, os colunistas sociais estão aparecendo mais do que as colunas. O que acontece hoje é que nossa atividade é extremamente importante, pois reunimos num só espaço todas as editorias. Com a vantagem de podermos só insinuar uma informação e a desobrigação de fornecer dados precisos. E ainda podemos ilustrar nossas página com fotos de gente bonita e, eventualmente, mulheres seminuas em poses sensuais. Melhor que isso só publicações como Caras, que nem precisa de outras editorias para disfarçar."



O texto integral, meu e do Vitor Knijnik, pode ser lido aqui.

quarta-feira, 12 de março de 2014

"Da General Osório à Carioca: era só o metrô" no Ouro de Tolo



A estação de metrô na General Osório foi reaberta e nem tinha me dado conta. Faz sentido o fato passar quase despercebido, visto que não sou exatamente um usuário do metrô, sou mais um observador. É isso: não gosto de andar de metrô, mas gosto de observar o comportamento alheio em todos os lugares. Inclusive no metrô.
Mesmo gostando, sempre tentei fugir dele. Nem sempre, porém, é possível, como neste ano. Tal fuga nada tem a ver com as habituais paranoias, nem as minhas nem as coletivas, sobre estar no subsolo, sem luz do sol e tal. Apenas, sempre que pego o metrô, está cheio, ainda que fora dos horários de pico, o que me faz desistir de usá-lo muitas vezes. Mas isso é outro assunto.
O fato que interessa particularmente é a possibilidade de entender o metrô do Rio de Janeiro, de alguma maneira, como um espaço para enxergar a cidade e seus contrastes. E talvez seja assim em todos metrôs e meios de transporte de todas as cidades do mundo. O que, entretanto, não deixa de ser atraente: um espaço tão longe da luz, que revela tantas nuances.
No dia em que descobri que a estação da General Osório estava aberta outra vez, aproveitei pra utilizá-la numa ida ao centro da cidade. Ao me aproximar das escadas de acesso à plataforma, uma tela anunciava o tempo que faltava para a próxima partida. Segundo a informação, cerca de um minuto e meio.
Desci as escadas, então, com alguma tranquilidade. Era um lance de escadas, coisa simples. Eu achava, pelo menos. Do meio da escada, antes de chegar à plataforma, o trem já tinha fechado as portas e estava partindo. Não, não demorei 90 segundos pra descer meia escada, posso garantir. E não, este texto não é sobre o sistema de transportes do Rio.
Esperei pelo próximo trem e entrei rapidamente, vai que as portas travam imediatamente e não consigo subir mais uma vez, né? Eu me acomodei num dos bancos e fui conferir umas anotações pra aproveitar o tempo da viagem. Enquanto isso, quatro jovens entraram com instrumentos musicais no vagão e ficaram próximos as duas portas centrais.
Alguns minutos depois (não saberia precisar, nem no meu relógio, nem no relógio do metrô), o trem partiu e, prontamente, os rapazes começaram a tocar bossa nova. Me senti como elenco de apoio de uma novela do Manoel Carlos. E uma comoção tomou conta do vagão. As pessoas, de repente, riam. Algumas cantavam. Ao chegar à estação seguinte, encerravam e eram aplaudidos. Trem em movimento, começavam outra vez.
Umas duas estações depois da partida, um dos rapazes, que tocava um pandeiro, virou seu instrumento ao contrário e passou recolhendo contribuições. A senhora sentada ao meu lado, olhos marejados quase, me cutucou pra dizer o quanto estava achando tudo lindo e que o marido e a filha também eram músicos e aquilo tudo era maravilhosos. Sorri, balançando a cabeça, como se concordasse. Na verdade, apesar de ser um entusiasta da arte de rua, acho bossa nova um negócio muito chato, não estava comovido e nem incomodado. Mas este texto também não é sobre música.
Naquele momento e pelo resto do dia, fiquei imaginando a reação das pessoas em situações parecidas, com sutis diferenças. Fiz pequenos exercícios de imaginação, nada cientifico, apenas considerando os comentários que escuta e leio com alguma frequência.
As estações iam passando e eu pensava na possibilidade de estar sentado no metrô e, de repente, entrar um grupo de samba. De pronto, uma senhorinha reclamaria da música. Cantarolo mentalmente “Madame diz que a raça não melhora / Que a vida piora / Por causa do samba” e rio. Fosse um grupo de jovens dançando break com música alta, talvez alguém dissesse que aquilo não era lugar praquele tipo de coisa. Preferi não imaginar o que aconteceria se fossem garotos cantando rap ou algum funk, enquanto estávamos parados no Largo do Machado e os quatro rapazes bossa-novistas eram aplaudidos outra vez.
É, pode ser birra. Não tinha como estabelecer comparações ali, naquele instante, só tinha um lado da coisa toda. Nada contra os rapazes bossa-novistas. No entanto, é muito difícil não fazer as conexões com os preconceitos históricos da nossa sociedade ao considerar uma situação dessas. Pensar nos preconceitos de cor, de classe e mesmo a simples reprodução do discurso de preconceito, tão nociva quanto o próprio.
Na semana anterior, tinha acontecido o episódio com o Tinga, lá no Peru. Lembrei do racismo em campo no jogo contra o Real Garcilaso, mas também das declarações desastradas na tentativa de apoiar o jogador e atacar o preconceito no esporte. O episódio serviu pra mostrar que racismo existe e que, muitas vezes, tá inserido no discurso diário com tanta naturalidade que muita gente nem percebe mais.
Pra ilustrar o quero dizer, numa googlada rápida sobre o assunto, você vai encontrar gente defendendo o jogador com o argumento de que ele, o Tinga, tem “alma branca”. Teve uma atriz, em referência a um atleta do Fluminense do início do século XX, vítima de preconceito também, dizendo que ele “nem era negro, era mulato”. E teve uma enxurrada de jornalistas e até colegas dizendo “poxa, logo eles, os peruanos”. Como se algum desses caminhos fosse aceitável. Como se essas próprias palavras, ainda que de boa intenção (não questiono a boa vontade), não fossem o sinal de uma sociedade extremamente preconceituosa. Preconceituosa e que esquece rapidamente do assunto.
Uma sociedade, como a nossa, que diz que o racismo é velado, mas que tem elevador de serviço e que precisa de uma lei dizendo que não pode haver discriminação na hora de utilizá-los; que tem empregada-doméstica-vestida-de-branco-tomando-conta-das-crianças-enquanto-a-patroa-toma-sol, como num hipotético quadro do Debret; que exige “boa aparência” em entrevista de emprego, querendo, na verdade, dizer que só contrata gente branca. A obra da escravidão, nos falou dela Joaquim Nabuco, é difícil de superar. Não consigo entender o que seria não ser velado.
Penso também nas manifestações não-veladas de preconceito social nos aeroportos, nas falas sobre “aeroportos parecendo rodoviárias”, de uma galera que não consegue admitir que não pode mais monopolizar certos espaços. Ou nas falas sobre “normas de comportamento” de alguns outros. Ou ainda, carnaval se aproximando, é se preparar pra ouvir que “brasileiro é assim mesmo, só quer saber de carnaval e futebol, não se interessa por coisas importantes”. E, este ano, tem carnaval e Copa. Imagina.
Volto ao metrô. Os rapazes se despediram na Cinelândia. Quem sabe tenham corrido de volta para a novela do Manoel Carlos. Tomara que continuem tocando por aí e que mais artistas ocupem os espaços públicos com o máximo de coisas possíveis. A música devia ser boa, as pessoas estavam animadas no vagão.
Desci na estação seguinte. A observação estava terminada, ainda que não tivesse, nem tenha ainda, chegado a nenhuma nova conclusão. A cidade cheia de rachaduras históricas se encontra, ou finge, nos dias de Carnaval que estão próximos. Depois, volta ao estado de tensão muito ou nada discreta que vive no resto do ano. Talvez seja só birra minha. Era só o metrô, uns rapazes fazendo música e as pessoas achando legal. É melhor ir de ônibus da próxima vez e escrever um texto sobre música ou o sistema de transportes do Rio de Janeiro.
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O texto acima é o meu segundo texto para o Ouro de Tolo, do Pedro Migão. Uma vez por mês, publico por lá na "457".

terça-feira, 11 de março de 2014

BLOGS DO ALÉM: Ibrahim Sued




"Panteras e panterinhas, bonecas e deslumbradas. Sorry internet, ou ainda sorry redes sociais. Muito antes de vocês aparecerem, eu já havia parido o hiperlinkidismo. Eu já usava as notas curtas na época em que as pessoas tinham paciência de ler um texto inteiro."



O Blog do Ibrahim Sued é texto meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além. Além disso, também está na edição impressa da Carta Capital da última sexta-feira. Vai lá ler!

domingo, 9 de março de 2014

Blog do Ibrahim


"Os colunistas sociais são hoje as mais influentes vozes da imprensa brasileira. Qualquer empresário que preze o seu negócio prefere muito mais aparecer esculachado numa nota da colunista Mônica Bergamo do que ter seu perfil longamente elogiado numa matéria da revista Exame. As páginas de economia, política e até mesmo o esporte são constantemente furadas pelas colunas sociais. Se é importante mesmo, o Ancelmo Gois vai saber primeiro. Arnaldo Jabor não é formador de opinião coisa nenhuma. Quem molda a opinião mesmo no Brasil é gente como o Lauro Jardim, Sônia Racy e o Amaury Junior. Quando não está enrolando a língua, claro (olha quem falando). Desculpe. Amaury, adoro você."

O texto integral tá no Blogs do Além e é meu e do Vitor Knijnik. Aproveita e vai curtir a página do Blogs do Além no Facebook.

Se quiser saber mais sobre o Ibrahim Sued, vê o vídeo aqui embaixo, a maior entrevista já realizada na TV brasileira, do Ibrahim com o Chiquinho Scarpa.



sábado, 8 de março de 2014

Antes (da semana de folga inventada por causa) do carnaval chegar ao fim mais uma vez


O carnaval já acabou há alguns dias, mas ainda há quem insista. Aqui uma lista de textos, deste e de outros anos, marcados com o termo carnaval.

sexta-feira, 7 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

terça-feira, 4 de março de 2014

Frase para começar um romance #13


Sem saber as horas ou sequer que dia era, levantou da cama rapidamente e pegou o telefone sobre a mesa: havia duas ligações perdidas.

domingo, 2 de março de 2014

Frase para começar um romance #11


A fantasia se desmanchava rápido, como derretendo diante da luz do sol que nascia, enquanto ele caminha de volta pra casa.

sábado, 1 de março de 2014

Frase para começar um romance #10


Quando os garotos fantasiados dobraram a esquina, ele se levantou do bar e decidiu visitar o pai que não conhecia.