sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A bailarina (republicação de carnaval)


Amanheceu o sábado.
Ela levantou cedo. Não queria perder um segundo: o banho foi rápido, o café, ainda de toalha, igualmente.
Foi ao armário. Lá estava a fantasia.
A bailarina.
Dançou dos três aos 12. Parou: o quadril cresceu mais do que a professora de balé poderia aceitar. A fantasia era uma lembrança.
E uma frustração, poderia ter dito.
Tirou-a do armário e, depois, do cabide. Estendeu sobre a cama e observou por alguns segundos. Os segundos viraram minutos de contemplação. Era muito bonita a roupa da bailarina. Lembrou da infância e uma lágrima escorreu discretamente.
Tirou a toalha e começou a colocar a fantasia. Mas a roupa da bailarina parecia ter alguma coisa errada. Não entrava. Não cabia na roupa da bailarina. Tentou mais uma vez.
As lembranças vinham sem parar. A professora do balé. As outras bailarinas. Tutu, sapatilha, cabelo bem preso. Ia sempre assistir. Gostava de balé. Era apaixonada. Mas odiava um pouco as bailarinas. Pensou que a professora talvez tivesse razão, definitivamente, não tinha jeito para bailarina.
Foi então que rasgou a roupa da bailarina. Inteira. Desfiou algumas partes, costurou outras. Em pouco mais de uma hora, tinha outra fantasia.
Odalisca.

A odalisca é uma bailarina gostosa, pensou.


A publicação original é de fevereiro de 2012 e pode ser lida aqui.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"Seco" no Bar do Escritor

Engoliu em seco.
Aquelas palavras significavam mais do que pareciam. Ou deveriam.
Deixou o garfo sobre a mesa e perguntou o que ela queria dizer com aquilo.
Foi ignorado.
Pede outra garrafa. [continua aqui]

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

domingo, 23 de fevereiro de 2014

BLOGS DO ALÉM: Darcy Ribeiro



"Podemos entender aquele momento [abertura da primeira loja da Apple no Brasil] como a consagração de um novo referencial para a análise do povo brasileiro pelas ciências sociais. Os gritos de 'Brasil!' e a cantoria são parte de uma manifestação nacionalista. Associe-se a isso a questão da valorização da natureza, visto que se tratava de uma loja da Apple, representada por uma maçã. O quadro se completa com as sacolas carregadas na saída da loja, traço marcante da nova identidade brasileira. Em alguns países, já se estuda, inclusive, abolir o uso de passaportes para os brasileiros, bastando apenas a observação de quantas sacolas da Zara e da Abercrombie o cidadão porta no momento da passagem pela alfandega."

Texto meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Frase para começar um romance #6


O sol entrava suave pela janela e o corpo imóvel no chão, cabeça em cima da poça vermelha, lembrava um desenho infantil.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Blog do Rasputin no Blogs do Além


"Sem dúvida, Putin tem nos colocado de volta em uma posição de destaque. Temos nos integrado a esse mundo pós-Guerra Fria e, nesse processo, o Brasil é muito importante. Nossa luta, entretanto, tem sido difícil. Pra muitos jovens brasileiros, por exemplo, somos o país da Natasha, aquela vodka da garrafa de plástico que custa R$5,00, ou dos bilionários que compram times de futebol pra brincar de Football Manager da vida real. Mas, se Halloween, Super Bowl e a Black Friday pegaram por aqui, por que não o esqui alpino, o inverno rigoroso e o czarismo?"

O texto integral está disponível aqui e foi escrito por mim e pelo Vitor Knijnik.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Frase para começar um romance #5


Encarou o relógio de parede, o ponteiro pequeno chegando ao cinco, ponteiro grande querendo abandonar o nove, e sorriu pensando que ainda era cedo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

BLOGS DO ALÉM: Rasputin



"Outra ideia para tornar o evento em Sochi ainda mais popular é apostar num funk como música tema. Não podemos ignorar a sonoridade de Putin pra esse caso. PUPUPUPUPUTIIIIIINNNNNNN, É NÓIS! Urge também produzir uma versão russa do clipe "Beijinho no Ombro", da Valeska Popuzuda. A canção tem como tema central a inveja, algo que nosso poderoso país sempre despertou. Essa é uma adaptação simples de ser feita, visto que ela já figura como uma czarina russa no clipe, com suas botas brancas e casaco de neve sentada num trono vermelho."


O texto é meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além. A versão integral está disponível na edição impressa da Carta Capital e pode ser lido aqui.








O clipe czarista da Valeska Popuzuda também merece ser visto. Carece, porém, de legendas em alfabeto cirílico.





domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Cítrico" no Manufatura






"Chuveiro aberto. O barulho da água batendo no chão. Quente. Fumaça. 
Ela numa espécie de transe. Lavou os cabelos. Não era possível ir além. 
O cheiro do xampu dominava o ambiente. Cítrico. Misturado ao vapor da água quente, dava um certo barato. Riu daquilo. Mas parou subitamente. 
(...)"


O texto integral está aqui.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Blog do Rasputin




"Como homem influente do século XX e conselheiro do czar Nicolau II, tenho acompanhado os jogos olímpicos de inverno, em Sochi, com atenção. Volto a cena na hora certa: o governo de Putin, com os conselhos do RasPutin, vai ser um sucesso e deixar o Obama Putin. A maior prova que se trata de um momento histórico para a nossa grande Rússia é que não se falava tanto de nós desde a dancinha constrangedora do Yeltsin alcoolizado."


O texto, meu e do Vitor Knijnik, está disponível aqui.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Jerry Garcia no Blogs do Além




"Nesse momento, cabe a Francisco aproveitar ao máximo a atenção gerada pela capa da Rolling Stone e espalhar suas palavras aos quatro cantos. Ele é habilidoso e equilibrado, diferente da minha turma, mas ainda falta alguma coisa de impacto, talvez uma banda e um single polêmico. Deixo aqui minha sugestão: convidar a Madonna, a Britney e a Christina Aguilera pra formar uma banda vocal e gravar "Sympathy for the devil". Poderia chamar The Mamas & The Papa. Sinto potencial pra liderar a Billboard. O que daria mais capas de revista e mais fãs. Que os anjos digam amém."


O texto é meu e do Vitor Knijnik e está disponível aqui.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

BLOGS DO ALÉM: Jerry Garcia

"Humbertinho estava certo e continua mais atual do que nunca: o papa é pop. Depois do Bento XVI, que de tão carismático era chamado de Alckmin do Vaticano, a Igreja ganhou um novo sopro de vida com a ascensão do Papa Francisco. O argentino é tão popular que é presença constante nas revistas de variedades: Time, Vanity Fair e, agora, Rolling Stone. Só perde em frequência nas revistas semanais pras dietas, receitas de longevidade e dicas de cuidado com cabelo no verão."


O texto integral, meu e do Vitor Knijnik, está disponível aqui ou na edição impressa da Carta Capital.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Frase para começar um romance


Sentado no ponto de ônibus, pode observar todo o tumulto que se seguiu ao vaso sanitário despencando em frente ao prédio número 224.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Blog do Jerry Garcia




"O fato é que o mundo pop assumiu o papel de religião pra muita gente no século XX e continua exercendo essa função. Enquanto o catolicismo vive uma crise no ocidente, os artistas pops, mesmo os mais jovens, são acompanhados por verdadeiras seitas. Hoje em dia, por exemplo, é fácil ver um fã perder os limites por uma guimba do cigarro que o novo ídolo pop jogou da sacada hotel ou uma montagem no youtube do Metálica no palco executando um pagode. Os meus, e olha que eu nem sou tão famoso assim, pagaram mais de um milhão por alguns dos meus objetos do meu banheiro. É como se essas coisas fossem aquelas relíquias sagradas vendidas pela Igreja medieval, as quais os fiéis atribuíam poderes milagrosos. Eu só fico imaginando que tipo de salvação o meu vaso sanitário poderia gerar."

O texto é meu e do Vitor Knijnik para o Blogs do Além e para a edição impressa da Carta Capital. Para ler o texto integral, clique aqui.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um pequeno olhar sobre Portugal *


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O céu estava azul. Não um azul habitual aos meus olhos. Não o azul do céu azul inconfundível do Rio de Janeiro que vi, novamente, ao desembarcar no Galeão 30 dias depois. E o azul e sol do céu de lá enganavam: fazia frio. Muito frio.
Pela primeira vez, visitava a terra dos meus pais. Ser brasileiro e filho de portugueses, meu caso e de tantos outros, é carregar a eterna sensação de pertencimento a dois mundos completamente distintos e umbilicalmente ligados.
Estava na estação de trem havia dez minutos. Um turista, em Lisboa, tentando, em vão, passar despercebido. Por lá havia uma semana, tentava mimetizar certos comportamentos. Às vezes, porém, o olhar se perdia em tantas cores, tantas coisas, tantas gentes.
O cenário, ao fundo, lindo. Um aqueduto, casinhas brancas, algumas coloridas. Depois, viria a descobrir que estava numa região considerada problemática da cidade, com altos índices de violência. A estação, nem tanto. Um pouco suja e ligeiramente abandonada. De tempos em tempos, a voz feminina do alto-falante anuncia os comboios e os horários. Lembrava um pouco alguma estação mais afastada da Supervia.
Não havia funcionários. Na verdade, um segurança, que parece meio apressado na hora do almoço, e uma senhora varrendo o chão no andar térreo, longe das plataformas. Ela, terceirizada; ele, talvez. Os guichês, esses estavam fechados mesmo. Nem vulto. Bilhetes, só nas máquinas. Informações, num mapa afixado em um mural.
Os rostos se multiplicavam. E a plataforma se tornava um conjunto bastante heterogêneo. Rostos, cabelos, casacos. Muitos africanos, asiáticos e até portugueses. Todos muito bonitos. A construção estereotipada causa essa surpresa, pensei. A verdade é que nem todas tem a cara da vó Maria e nem todos são carecas, usam bigode e guardam o lápis atrás da orelha.
De fato, eram muito bonitos. Em todos os lugares por onde passei. Uma beleza, porém, diferente da brasileira. Talvez seja a nossa miscigenação. Ou pode ser o frio deles. Eram muitos casacos, gorros, cachecóis. As curvas se perdem, a ginga também. Sim, certamente, há uma ginga portuguesa, ainda que eles não saibam, ainda que não seja uma ginga stricto sensu. Há, e salta aos olhos, um charme típico do lugar. Todos diziam: você precisa vir aqui no verão. Pois é.
Voltando a estação, já eram quase trinta minutos esperando. Disse pra mim mesmo que só seriam possíveis duas explicações: um acidente grave ou o Metrô Rio estava operando a CP (empresa responsável pelo trem urbano que ia pegar). A voz que saiu do alto-falante respondeu: não era o Metrô Rio. Segundo a informação, um acidente com vítimas fatais causava o transtorno e tudo estaria funcionando normalmente em breve. Para alguns destinos, já eram 45, 50 minutos de espera. As pessoas pareciam resignadas. Sentaram-se, alguns no chão mesmo, e permaneceram esperando.
Inquieto, decidi encontrar outra maneira de chegar ao meu destino; não estava com muita disposição para esperar mais. Essa outra maneira passava pela necessidade de abrir um mapa no meio da plataforma. Tentei me esconder um pouquinho, movimentos curtos pra evitar o ridículo de me enrolar com o mapa. Certeza que foi em vão: todos devem ter percebido o sujeito meio desajeitado.
Em meu mapa, no entanto, não havia indicação do lugar pra onde deveria ir. Procurei umas cinco ou seis vezes. Nada. No mesmo dia, mais tarde, ficaria claro que o mapa que estava usando tinha alguns probleminhas com proporções e posições. Nada grave.
Depois de guardar o mapa, ainda naquela tentativa de parecer um local, me aproximei do mapa afixado no mural da plataforma. Procurei. Também não estava lá. Achei, por um segundo, que alguém tinha me sacaneado. No caso, o segurança da estação atrasado para o almoço que teria se divertido me mandando para um lugar que não existia. Ou talvez tivesse entendido errado, sei lá.
Mas a voz voltou, informando o atraso, dentre muitos outros, do trem que ia justamente para o lugar que eu deveria ir e que não encontrava no mapa. Repetiu a notícia do acidente. Decidi sair da estação e tomar um ônibus. Afinal, tem sempre um 638 (adapte para o ônibus da sua cidade famoso por dar voltas intermináveis por todos os bairros) para se tomar por aí e descer no lugar que a gente precisa.
Saindo da estação, incomodava a falta de pessoas no caminho. Havia apenas uma senhorinha, de quem me aproximei e perguntei pelo número do ônibus que deveria tomar. Bem pequena, óculos fundos, aros grossos.
Me olhou inteiro e perguntou, afirmando, se era brasileiro. Balancei a cabeça, sorrindo. Percebe-se, não sabem lidar com frio, vêm pra cá de algodão, tens que usar lã, disse. Não adiantou dizer que estava com uma blusa e dois casacos. Ela seguiu reprovando, falando do vizinho brasileiro, há oito em Portugal, que teve uma hipotermia. É preciso estar atento ao frio, concluiu.
Concordei com ela e acreditei ter perdido o direito à informação por não estar adequadamente vestido para encarar o frio. Mas, com um gesto de mão, ela pediu que eu a acompanhasse. Ia pegar o mesmo caminho que eu e ficamos esperando o ônibus. No ponto, lotado, desandou a falar. Chamava-se Adelaide e era professora de filosofia aposentada. Por ela, descobri que, além do problema nos trens, os motoristas de ônibus e de bonde estavam em greve. Era a explicação pro ponto cheio. É a crise, ela emendou.
Crise.
Ali entrava uma palavra que se tornaria recorrente durante o mês que passei por lá. Outdoors, placas e cartazes nas ruas, manifestações, greves, minicomícios, comentários nos cafés, dureza nas entrevistas dos deputados do PS na tv, charges pouco delicadas sobre a Troika. Sem contar os reflexos: muitos mendigos e muitos jovens pedindo doações para projetos sociais; no metrô, mensagens positivas e uma campanha para aumentar a autoestima; nos ônibus, em todos, a mesma propaganda sobre a loteria de fim de ano.

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Foi um suicídio, a senhorinha disse. Não entendi e ela explicou que o aviso dado pelo sistema de som da estação de trem era o padrão para suicídios. E que já era o segundo que ela tomava conhecimento naquele dia. Insisti no assunto e perguntei sobre a existência de estatísticas. Ela rebateu dizendo que não era necessário, bastava perguntar e a maioria dali provavelmente conhecia algum caso recente. Não pude confirmar, mas encaixava no que ouvia dela e no que ouvi e vi no tempo que passei no país. Foi dela, porém, a fala mais contundente de todas as coisas ouvidas. Desemprego cresce, a economia piora, o remédio, disse se referindo ao FMI/Troika, não faz efeito. As pessoas estão no limite e não há mais esperança. Não se pode exigir mais nada.Não se pode exigir mais nada. Foi a frase mais contundente que ouvi de alguém por lá.
Demorei quatro horas pra fazer um caminho que durava, em média, 40 minutos. Mas, de alguma forma, valeu. No ônibus, a senhorinha se foi e fiquei observando tudo com mais atenção. Pela janela, as ruas do subúrbio de Lisboa. Como o subúrbio do Rio, com mais casacos e menos ginga. Dentro, os rostos. Multicoloridos. Bonitos. E envelhecidos. Quem sabe, Copacabana, o Ver o Peso, a pelada no fim de semana, o ensaio da Portela, o churrasco, a festa no quintal, o mocotó no boteco, a rua e só a rua pudesse amenizar aquele sofrer e aquele cansaço. Porque era isso, aquela velhice nos rostos mais jovens era isso, era a desesperança. Efeito da crise, o fardo da crise, um fado silencioso no semblante dos portugueses.
Pensei em nós, brasileiros. No quanto somos diferentes dos portugueses. Talvez seja Copacabana, o Ver o Peso, a pelada no fim de semana, o ensaio da Portela, o churrasco, a festa no quintal, o mocotó no boteco, a rua. Talvez. É só a impressão de um turista, não um tratado sociológico. Mas, também, no quanto somos parecidos com os portugueses. No quanto esquecemos, dos dois lados, que somos parecidos e que temos tanto passado e tantos passados em comum. Quando os ouvia perguntando se eu iria aproveitar pra ir à Europa, como se Portugal não fosse Europa, era impossível não pensar em nós, brasileiros, nos referindo à América Latina.
Foi muito interessante ver um país ao mesmo tempo tão semelhante e tão diferente das memórias inventadas. Foi bom ver que Portugal é um país que se sofisticou e que atrai turistas de todos os cantos. Mas que, infelizmente, ainda não se deu conta da beleza absurda do seu rio Tejo, a ponto de estampá-lo por todos os cantos do mundo, vendendo-o como uma espécie de Baía de Guanabara lusitana. Foi bom ver os jovens e esquecer as velhinhas típicas personagens de documentários, que existem também, claro, mas dividem o espaço com uma gente cheia de vigor e disposição. O problema é a crise, uma crise de confiança, a desesperança desses jovens, sem saber muito por que caminho seguir. Foi bom ver que o país tem se miscigenado nos últimos anos. Mas foi triste ver os guetos também. Qualquer semelhança, com o Brasil de hoje ou de 20 anos atrás, como disse, não é mera coincidência.
É razoável olhar com tristeza para a política de bem estar social deles que começa a falhar, pra politica de austeridade e submissão que o país tem adotado. Pras lojas vazias e pros comerciantes a espera de um Deus ex machina que chegue pra comprar tudo, aquecer a economia, gerar empregos e solucionar os problemas econômicos e sociais. Só resta pensar que isso pode servir de alerta, que o Brasil possa construir bases mais sólidas pros direitos e conquistas, mas que os avanços não parem. Que o outro ensine alguma coisa com seus tempos duros.
E foi pensando em tudo isso que cheguei ao meu ponto e desci. O ônibus seguiu e, eu, a partir dali, submergi no mundo perfeito dos turistas em que tudo funciona e entrei no Mosteiro dos Jerônimos. Lá dentro, pensava ainda sobre os rostos e sobre o país. E que talvez Dom Sebastião (supostamente enterrado ali, coisas de Portugal) pudesse retornar para resolver tudo aquilo. O pensamento, no entanto, não demorou na cabeça. Mesmo porque as respostas não estão mais no passado. Se há um caminho para Portugal, certamente, está no futuro, no que se fará dele e na vazão que darão aos sonhos de toda uma juventude.
Uma juventude que hoje é triste e envelhecida. Mas que deseja ser alguma coisa.


* No último mês, fiz minha estreia no Ouro de Tolo. O site é comandado pelo economista, petroleiro, portelense e flamenguista, Pedro Migão. Tô lá com uma galera de primeira, vale a visita diária à página. Meus textos entrarão uma vez por mês. Clicando aqui, você pode acessar a postagem original do texto de janeiro, que acabei de reproduzir nesta página.