quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dramaturgias Urgentes: leitura dramática de "Maço de cigarros"

Taí o vídeo da leitura do meu "Maço de cigarros" no Dramaturgias Urgentes. Quem tiver tempo, sugiro uma olhada nos vídeos das outras leituras disponíveis. 



Dramaturgias Urgentes
CCBB-SP - 27/09/12
Maço de cigarros, de Rafael Cal
Leitura dramática realizada pela Companhia Os Fofos Encenam
Dirigido por José Roberto Jardim
Com Cris Rocha e Paulo de Pontes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Queria #5


Queria uma rosa.
Mas não havia ninguém para lhe dar.
Tudo o que conseguiu foi continuar com os espinhos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

"A geladeira desligada" na dEsEnrEdoS

"A geladeira desligada" foi publicado pela revista dEsEnrEdoS desse trimestre. A revista literária piauiense chegou a edição de número 15. E tem muita coisa boa lá. Vai lá ler!

O texto foi postado originalmente aqui no fazendo um drama (30/8/12). Para ler a publicação original, clique aqui!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Queria #4


Queria voar.
Não bastava fazer de avião. Ou asa delta. Ou parapente. Ou paraquedas. Queria voar mesmo. Sem artifícios.
Tudo o que conseguiu foi um suicídio aos 25 anos.

domingo, 18 de novembro de 2012

Queria #3


Queria ser reconhecido nas ruas.
Se inscreveu em todos os programas de tv que conhecia. Inventou fofocas sobre si mesmo. Tentou plantar notícias. Passou a esperar repórteres no centro da cidade, aqueles que entram ao vivo no jornal da hora do almoço. Nada funcionou.
Tudo o que conseguiu foi rejeição.

sábado, 17 de novembro de 2012

Queria #2

Queria ser uma celebridade da internet.

Curtia tudo, seguia a todos, comentava qualquer assunto. Subiu um vídeo no youtube. Fez um vlog, um blog e até faria um fotolog, não fosse ultrapassado.

Tudo o que conseguiu foi estourar o limite de consumo da franquia.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Queria #1

Queria ser um cachorro.
Insistiu. Tentou. Procurou especialista. E não-especialistas. Todos. Investigou métodos de transformação. Estudou por décadas. Tentou. Fez o que pôde.
Tudo o que conseguiu foi aprender a urinar no jornal.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A acidez das coisas sensíveis aos dentes

Mordeu a cebola com altivez e mastigou solenemente.
Depois, chorou. Por horas. Sem parar.
Não se sabe se pela cebola. Ou pelo coração.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O armário embutido


Armários embutidos são uma afronta à natureza, pensou.
Sentado na cama, olhava o armário aberto. Dentro da parede. Antinatural.
A madeira escura, seria mogno?, os desenhos naturais, as dobradiças, o cabideiro, as gavetas. Estava tudo lá. Menos as partes dela.
Ou as que deveriam estar. Havia muitos pedaços. Restos. Cada esquina daquele apartamento guardava um pedaço dela. Todos espalhados. Deixados pelos campos. Como uma espécie de poeira invisível.
Mas sensível.
Ouviu a própria respiração. Achou que era o momento de fazer uma pausa. Não da respiração, do pensamento. Do pensar nela. Não conseguiu.
Desviou os olhos, deu de novo com a ausência.
Presente.
Havia um dentro da gaveta. Fechado. Etiqueta, papel vermelho. Intacto. Como que escondido dentro daquele armário. Embutido. Aquele presente ali, dentro da gaveta. Antinatural. Escondido, envolto pelo armário.
Não abriu. Nem abriria.
Ela deixara a caixa sobre a cama, enquanto fumava sentada na poltrona, perto da janela. A lua estava bonita. A luz que entrava pela janela deixava aquela cena mais bonita. Ela ainda mais bonita. Natural.
Ele viu da porta do quarto. Não queria entrar. Ou queria. Mas não conseguiu. Tinha medo de ficar envolvido.
Preciso te falar.
O rosto dela mudou. Natural.
Apagou o cigarro. Passou pela porta sem que ele conseguisse enxergar seu rosto. Nunca mais conseguiu.
Não precisa.
Tentou seguir o rastro dela. Falar. Viu as malas na sala.
Já tinha comprado, fica pra você.
Ele olhou pelo corredor pra caixa, embrulhada com papel vermelho e uma etiqueta que estava sobre a cama. Olhou de novo pra ela.
Espera.
Não posso.
Abriu a porta e saiu. Ele não pôde impedir. Ou apenas não fez. Ela fechou a porta. Ele encostou a cabeça na madeira. Escura. Parecida com a do armário.
Voltou. Não saberia precisar quanto tempo depois. No quarto, abriu o armário. Não havia nada.
Ocupara um pedaço pequeno do armário embutido. Fazia pouco tempo, era verdade. Tinha pouca coisa lá. Tinha pouco dentro do armário. Embutido. Tinha pouco.
Olhou outra vez para o presente. Não poderia. Colocou numa daquelas gavetas vazias do armário embutido.
E fechou a porta.
Tanto tempo depois, estava sentado. Na cama. A poltrona, vazia. Não havia lua aparente. Nem cigarro aceso. Olhava para o armário. Embutido. Dentro da parede. A madeira escura que não sabia o nome, os desenhos, o cabideiro, as gavetas, o presente ali, intacto. A porta estava aberta. Não sabia como ou por quê. Permanecia confuso. Olhando. Natural.