segunda-feira, 28 de maio de 2012

Blog do Trotsky







Sobre mim
Poderia me apresentar como socialista, intelectual ou líder militar. Mas acho que represento, melhor que qualquer coisa, a virilidade revolucionária: peguei a Frida Kahlo.

Sobre o blog
Como um grande soviete pós-moderno, aqui é o comitê digital da revolução. Com a internet, nem o Stálin poderá me apagar da História.



Pra conferir o Blog do Trotsky é só clicar no link.


Além do Trotsky, tem outros mortos ilustres batendo ponto na página do Blogs do Além no Facebook. Vai lá!

sábado, 26 de maio de 2012

"A ressaca" no Página Cultural



"Levantou meio zonzo e foi até a cozinha. Na gaveta do armário, procurou um antiácido. Ou um anti-qualquer-coisa. Ou qualquer outro remédio. Talvez um que não existisse. 
Mas insistia na procura."



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O texto integral tá no Página Cultural.

Para ver a publicação original, clique aqui.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Palidez ou O espelho


Traços semelhantes do outro lado. Não, definitivamente não eram iguais.
Olhava o espelho.
Durante algum tempo, procurou por alguém do outro lado. Outra pessoa. Apesar da dúvida permanente, não conseguiu encontrar. A imagem era diferente do que imaginava, mas.
Usava sua roupa preferida. Estava bonita. Bem bonita. Talvez linda. Mas não conseguia encontrar o que procurava.
Os brincos que mais gostava. Estava com eles. Valorizavam suas orelhas, poderiam dizer. Mas ela não via.
O cabelo cortado. Uma novidade. Mas não via nada de novo.
Os sapatos. Também não.
Maquiou-se. Bem feita, tentava disfarçar. Não era capaz.
Não havia nada ali.
Só conseguia enxergar a palidez da alma. Que só ela podia ver.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Três crianças" na 53ª rodada do E-Zine do Bar do Escritor

"Eram três crianças no elevador. Sete ou oito anos, no máximo.
Antes, no play, algumas crianças brincavam. Naquela correria toda, o menino chamou uma amiga.

MENINO: Queria te pedir uma coisa.

A amiga tremeu.
Era apaixonada por ele. Ele pediria um beijo?
Suava um pouco."

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O texto "Três crianças" está na  53ª rodada do E-Zine do Bar do Escritor , organizada pelo Glauber Vieira. Vai lá conferir!


terça-feira, 22 de maio de 2012

O que você poderia fazer de melhor por mim



Morra. Por favor.

Foi o pedido dele. Ela, que sempre fizera tudo por ele, não reagiu. Ou talvez o silêncio fosse a reação. Mas ele não tinha certeza. Pensou que ela não tivesse entendido.

E repetiu.

Não era uma brincadeira. Não era uma metáfora. Não era uma grosseria qualquer. E fez questão de não deixar nenhuma dúvida no ar.

Morrer é o que você poderia fazer de melhor por mim.

Ele disse com os olhos fixos nos dela. Ela desviou. Havia perguntado o que deveria fazer para deixá-lo feliz. Ele respondeu.

E, de repente, não pareceu possível a ela atender à expectativa dele.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"Amargo" no Mundo Mundano


"Ficar tomando café sem comer nada faz mal ao estômago, ela disse. Olhar perdido, ele teve vontade de aplaudir a visão empresarial daquela padaria ao colocar uma gastroenterologista para atender no balcão. Mas achou que poderia ser encarado como uma grosseria."

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O texto integral tá no Mundo Mundano.

Se quiser conferir a publicação original, é só clicar aqui.

sábado, 19 de maio de 2012

"Por uma boa higiene bucal" da dEsEnrEdoS



Ela abriu os olhos.

Sem muitas imagens poéticas sobre o acordar e levantar da cama de uma mulher que habitasse as páginas da literatura, foi até o banheiro e, desviando do espelho, entrou no banho. Terminado, saiu do box desviando mais uma vez do espelho e foi em direção ao quarto, fugindo do outro também. Vestiu-se e foi comer alguma coisa. Como não havia nada que lhe interessasse na geladeira, tomou um gole da coca-cola aberta na porta. Voltou ao quarto, sempre tomando cuidado. Arrumou tudo. Estava quase pronta. Foi então escovar os dentes. Entrou no banheiro, cabeça baixa, sem levantar os olhos. Pegou a escova e passou a pasta. Foi só aí que, suavemente, ergueu o rosto e encarou o espelho ao mesmo tempo em que colocava a escova na boca. Mecanicamente começou o processo e a espuma se formou na boca. Os olhos travados. Corpo travado. Todo. Era aquilo que havia evitado até aquele momento: não queria ver o próprio rosto. Os olhos fundos indicavam sua tristeza. O vermelho não negava o choro óbvio.

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Texto publicado na dEsEnrEdoS, edição 13.

Pra ler o texto integral, clique aqui.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Bancos altos" no Diários Gastronômicos


Eu não sou difícil de ler, ela disse, já perto dele, logo após entrar no café.
Sentou.
Não perguntou nada. Nem estendeu a mão ou deu um beijo. Disse que não tolerava a incerteza, a fraqueza e a covardia. Que não queria nada pela metade. Não era mais criança. Amava. E fazia isso com intensidade. Não só as pessoas. Aliás, quase nenhuma. Mas amava. Intransitivamente.
Eram bancos altos, numa mesa próxima ao balcão.

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O texto integral tá no Diários Gastronômicos.

Se quiser, tem a publicação original do Fazendo um Drama, é só clicar aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Três crianças" no Manufatura


MENINO: Gosto dela, mas não consigo falar. Você fala pra ela que eu quero casar com ela?


O menino declarou seu amor pela menina de laço rosa, mas não percebeu que acabara de partir o coração de sua amiga de nove ou dez anos.
Ela não conseguia responder. Tinha vontade de chorar. Achava que ia ser pedida em casamento, que ficaria junto com o menino para sempre, com um casal de filhos, uma casa na praia e um cocker spaniel feliz correndo no quintal de uma casa no subúrbio.


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O texto integral tá lá no Manufatura.


Se quiser ver o texto aqui no blog, é só clicar aqui.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"A árvore" no Mundo Mundano




Metáforas elaboradas não explicam sentimentos complexos, pensava.
Era quente. O dia estava claro e o sol rebatia nos carros parados na rua, entrando pela janela entreaberta, causando um leve desconforto nos olhos. Era novidade. Quente, claro, sol e desconforto sucediam a queda. Antes, ainda que fosse quente e claro, havia uma sombra delicada e o sol que rebatia nos carros na rua era barrado, entrando pela janela um balançar cadenciado.
Havia, em frente a janela, uma árvore. Com o tempo aprendera que era um flamboyant. Não que isso interessasse. Era uma árvore, isso bastava. Se era um ipê ou uma macieira era irrelevante. Sempre fora sua árvore.
Sempre esteve ali, oferecendo sombra como em um poema escrito sobre infância e nostalgia. Não que gostasse de sentar aos pés da árvore, recostar em seu tronco e receber a brisa suave no rosto, olhando pro céu entre a copa do flamboyant. Isso era poesia. Gostava de estar na sala e não ter os olhos desconfortáveis enquanto lia Tchecov no sofá.

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O texto integral tá no Mundo Mundano.

Tem também a publicação original aqui a publicação original aqui.

domingo, 13 de maio de 2012

"Por uma boa higiene bucal" no Bar do Escritor



"(...) Estava quase pronta. Foi então escovar os dentes. Entrou no banheiro, cabeça baixa, sem levantar os olhos. Pegou a escova e passou a pasta. Foi só aí que, suavemente, ergueu o rosto e encarou o espelho ao mesmo tempo em que colocava a escova na boca."


Pra continuar lendo, vai lá no Bar do Escritor

Se quiser, tem por aqui no Fazendo um Drama também.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fratura

Quebrara a perna.

Sem querer. Sem muita explicação. Sem nenhum motivo claro.

Foi quase de repente.

Olhava sempre praquela menina na escola. Achava bonita. Muito. Mas nunca conseguia se aproximar. Ou falar com ela. Ela nunca percebera sua presença ali. E ele olhando.

E de olhar, descobriu-se apaixonado. Ficava olhando pra menina bonita. Era invisível. Ela nunca enxergava sua presença.

Consumido pela paixão, decidiu ir atrás do seu objeto de desejo. Num impulso, levantou do banco do pátio e tentou correr em direção a ela.

Os cadarços estavam soltos.

Tropeçou e caiu.

Fíbula fraturada. O coração também. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"O dia em que a cama amanheceu vazia" no Página Cultural


No quarto, ele acorda.
Ela observa, sentada em uma poltrona, perto da janela.
ELE: O que eu fiz?

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O texto integral tá no Página Cultural. Vai lá ler e dá uma olhada nos outros autores também.

Se quiser, o texto também está aqui.



quinta-feira, 3 de maio de 2012

O sorriso


Continuo sorrindo ou posso enlouquecer agora?, perguntou.

Ela estava sentada, em frente ao mar. Olhava. Triste. Como se fosse um quadro do Munch.

Ele tentou melhorar. Disse que ela não precisava ficar daquele jeito. Que nada era preciso. Nada. Como se fosse possível melhorar aquilo.

Não era.

Ela mantinha o sorriso. Era um sorriso débil. Estranho. Meio paralisado. Parecia uma paralisia facial. Era quase bizarro.

Por quê?, ela perguntou.

Mas não esperava resposta. Quis apenas perguntar. Na verdade, dizer. Pensou bem e percebeu que não era uma pergunta. Era só alguma coisa que precisava ser dita.

E o que ele deveria dizer, não sabia. Nem ele.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"O pedido" no Portal Cronópios


ELA: Pede pra mim.
ELE: O quê?
ELA: Pede alguma coisa.
ELE: Não. Não vamos começar isso de novo.
ELA: Pede alguma coisa ao garçom.


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Esse foi o primeiro texto publicado aqui no Fazendo um Drama.

O texto tá no Portal Cronópios. Vai lá ver!