sábado, 31 de março de 2012

"Seco" no Diários Gastronômicos



Engoliu em seco.
Aquelas palavras significavam mais do que pareciam. Ou deveriam.
Deixou o garfo sobre a mesa e perguntou o que ela queria dizer com aquilo.
Foi ignorado.


O texto tá no Diários Gastronômicos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Blog do Cortés








Na página do Blogs do Além no facebook tem um texto do Cortés, conquistador espanhol, sobre as injustiças sofridas pelo Ricardo Teixeira.

O texto é meu. Mas tenho certeza que o Cortés acharia isso do "El Rico".

Para ir direto pro texto: Blog do Cortés.

E tem muitos outros  Blogs do Além, criados pelo Vitor Knijnik. De alguma coisa você vai gostar por lá.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Amargo


Entrou na padaria.

Era o meio da manhã. Saiu de casa um pouco antes do habitual e, indo pro trabalho, decidiu tomar um café.

Tinha fome.

Por isso, pediu um espresso. A garota do lado de dentro do balcão perguntou o que iria comer.

Nada.

Ficar tomando café sem comer nada faz mal ao estômago, ela disse. Olhar perdido, ele teve vontade de aplaudir a visão empresarial daquela padaria ao colocar uma gastroenterologista para atender no balcão. Mas achou que poderia ser encarado como uma grosseria.
Desistiu.

Olhou pra ela. Que sorria. Ele havia parado de sorrir. Não com a pergunta. Ao menos não com aquela. Mas respeitava o sorriso dela. Na verdade, admirava.

Ergueu as mãos, como dizendo que não podia fazer nada, que no fundo, não conseguia evitar. Ela entendeu o gesto e sorriu mais uma vez, entregando o espresso. Olhou pra xícara. Pegou o biscoitinho do pires e comeu.

Procurou o açúcar.

Ela entregou uma cesta com os sachês. De amargo já basta a vida, disse. Clichê, ele pensou em resposta. Mas não falou nada. Abriu o primeiro sachê.

E despejou.

Misturou. Bastante. Tentando fazer desaparecer os microgrãos. Aproximou a xícara da boca. Cheirou o café.

Precisava de mais açúcar.

Outro sachê. Mesma operação. Ainda não era suficiente. Não estava doce o suficiente. Xícara próxima a boca e nariz. Sem encostar. Sentia o amargor. E não queria.

Outro.

Chegou ao quinto sachê. A balconista olhou. Talvez pensando em falar alguma coisa. Ele se preparou para fazer a pergunta que havia sufocado antes em nome da doçura. Ela não falou nada. Nem ele.

Mais um.

Tá tudo bem?, ela perguntou. Ele não respondeu. Abriu outro sachê e despejou na xícara.

Não havia nada a dizer. Sentia-se só. Profundamente só.

Ela não se deu por vencida. Repetiu. Mas ele já estava colocando outro sachê na xícara. Era como se ele não ouvisse. Mas não. Ouvia. Só não tinha uma resposta. Ao menos, não uma satisfatória.

Ela mudou de estratégia. Posso te ajudar em alguma coisa?, perguntou.

Sim, respondeu. Ela sorriu. Sentiu-se bem. Ele, só. Não havia mudado. Nada. Preciso de mais açúcar, pediu.

Ela não acreditou. E resolveu insistir. Algum problema?, ela perguntou, sim, ele respondeu rápido.

E fez-se silêncio. Ela ficou olhando pra ele. Ele levantou os olhos da xícara e disse alguma coisa baixinho. Não deu pra ouvir.

Tá tudo amargo, ele disse.


quarta-feira, 21 de março de 2012

"O dia em que encontrou Lourenço Mutarelli" no Blog da Editora Apicuri


Era o final do ano. E no final do ano todos os lugares estão cheios.

Evitou os shoppings enquanto pode. Comprou presentes pela internet. Fez encomendas: a revendedora conhecida ficou em êxtase. A mãe e as tias ficariam depois.

Mas teve que encarar o monstro. Sempre resta alguma coisa. Sempre falta comprar aquele presente. Praquela pessoa. Presente que você não encontra em qualquer lugar. Pessoa chata.

Entrou no inferno.



O texto integral tá no blog da Editora Apicuri

sábado, 17 de março de 2012

"O ovo" no Página Cultural



Sentia que estava sendo cozido.


ELE: Tô com fome.


Ele disse alto, pra ela ouvir.
Abriu a geladeira e pegou um ovo na porta.


ELA: Vai comer agora?
ELE: Vou.


Ele respondeu com uma certa rispidez.
Era uma reação.
Não tinha certeza, era apenas uma sensação, mas achava que estava sendo cozido.




O texto tá no Página Cultural

quarta-feira, 14 de março de 2012

Seco


Engoliu em seco.
Aquelas palavras significavam mais do que pareciam. Ou deveriam.
Deixou o garfo sobre a mesa e perguntou o que ela queria dizer com aquilo.
Foi ignorado.
- Pede outra garrafa.
Ele chamou o garçom. Pediu outro vinho. Outro pedido.
Seco.
Ele repetiu.
Não sobre o vinho. Sobre ela.
Nenhuma resposta.
Mas queria saber. Aquilo não podia ser uma simples frase.
Permaneceu olhando pra ela.
- Você tem que experimentar o filé.
Mastigava o ar. Olhos fixos.
Ela, cabeça baixa, desenhando no prato com o garfo.
- O ponto é perfeito.
Pensou, então, que o chef deveria gerenciar sua vida. Tinha dificuldades em estabelecer pontos perfeitos. Mas não disse nada.
- Desmancha.
Talvez fosse essa a intenção dela com a frase inicial.
Ele insistiu no significado.
- Os acompanhamentos também são excelentes.
Ignorado. Sem cerimônia. Outra vez.
Pensou que talvez o que ela havia dito não significasse nada demais.
O que não pensou foi que sua inquietação talvez fosse a resposta.

E, concentrando o olhar no que estava a frente, decidiu analisar, com cuidado, os acompanhamentos que pediria para o seu filé.

terça-feira, 13 de março de 2012

"Fale somente o indispensável" no Bar do Escritor



Dentro de um ônibus, ela está sentada em um banco.
Ele entra e, ao passar pela roleta, vê ela sentada. Sente um frio na espinha. Quando ela percebe a entrada dele, congela. Desvia o olhar, esperando que ele não perceba sua presença ali.
Tarde demais: ele vai em direção ao banco onde ela está, fazendo-a olhar pela janela, numa tentativa de ignorar a aproximação dele.
- Oi.




O texto integral tá no Bar do Escritor.

sábado, 3 de março de 2012

Blog do Munch





"O grito" e "O novo grito"


Na página do Blogs do Além no facebook tem um texto do Edvard Munch falando sobre a origem das duas obras.

Tá, o texto é meu. Mas pode imaginar que é do Munch. Tenho certeza de que ele assinaria embaixo.

Para ir direto pro texto/imagem: Blog do Munch


E tem outra coisa: se, depois de ler, você não gostar do que escrevi, vai no Blogs do Além. Certeza de que vai gostar de alguma coisa lá.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"O pedido" no Página Cultural



Ele está em um bar.
Ela chega.

ELE: Tava preocupado.
ELA: Desculpa o atraso.
ELE: Não tem problema. Acabei de chegar.
ELA: Trouxe os papéis?
ELE: Tão aqui.
Silêncio.

O texto completo tá lá no Página Cultural.