segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

"Lona dos sonhos" completo e gratuito


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Na semana passada, a versão digital do "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" foi colocada à venda na Amazon. A primeira impressão, com 1.000 exemplares lançados em maio de 2016, se esgotou em novembro do ano passado.

É sempre importante lembrar que toda a renda obtida com o livro é utilizada no funcionamento da Associação Cultural e Social Lona na Lua, auxiliando com a manutenção das atividades do projeto na cidade de Rio Bonito.

Colocamos o preço bem baixinho porque a ideia é que as pessoas leiam. Leiam e falem do livro e do projeto por aí. Por isso,  caso queiram colaborar com um valor maior - e o projeto precisa -, podem procurar diretamente o Lona na Lua. É possível entrar em contato pelo site, pela página no facebook ou no Benfeitoria.

Nesses oito meses desde o lançamento, já falamos do livro em escolas, centros culturais, festivais e entrevistas para rádio, tv e jornais. Continuamos, eu e o Zeca Novais, à disposição pra conversar sobre o livro, principalmente com estudantes e professores - que têm sido fundamentais na difusão dessas histórias.

Agora, aproveitando o novo lançamento, vou publicar aqui e na minha página no Medium os capítulos do livro nas próximas semanas. Um por semana, toda segunda-feira, começando no dia 30.

Quem puder compartilhar, agradeço em meu nome, do Zeca e de todos os loneiros e loneiras.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Respiros


“Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você, só enquanto eu respirar”.
É esse o coro que se ouve enquanto uma chuva vermelha toca a madeira. O pesadelo, tão cru, tão cruel, tão inacreditável, tão inacreditavelmente dolorido havia começado um mês e meio antes. Sem data para terminar.
No primeiro ato, Raphaela está sentada ao lado do sofá da sala da casa de Zeca. Os olhos redondos diminuídos, como um farol baixo querendo apagar. Estavam ensaiando para uma adaptação de Os saltimbancos. A ideia era rodar escolas da cidade apresentando o espetáculo e, dessa forma, conseguir fundos para a manutenção do Lona.
Zeca gosta da peça. Um carinho especial. Havia sido uma das suas grandes participações nos tempos do grupo de teatro do Colégio Cenecista. Como o Cachorro, tinha se destacado bastante e caído nas graças do público por todos os lugares em que passaram com o espetáculo.
Assim, preparou uma nova adaptação, bem simples, e reuniu os jovens atores do Lona na Lua. Ainda estavam nas primeiras leituras, mas já ficara definido que Raphaela seria o Cachorro.
Mas, naquele dia, no chão da sala, as coisas começariam a mudar. Durante a leitura, os outros atores foram percebendo que ela não estava bem. Perguntada, tentava resistir. Até que não aguentou e disse que tinha que parar um pouco e ir ao médico.
Ela decide ir embora, mas quer que todos continuem ensaiando para a peça. Da casa de Zeca, vai à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Rio Bonito. Feita a triagem, a suspeita é de que seja mais um caso de dengue na cidade. O atendimento e o exame reforçam a ideia, dado o baixo nível das plaquetas. A decisão é pela internação, para que seja observada.
Horas depois, Zeca recebe um telefonema da avó dela, dona Terezinha, avisando que a Raphaela ficaria internada e que não haveria visita. Combinam um encontro na UPA, na manhã seguinte.
A noite é longa. Os outros atores ainda não sabem direito da história. Zeca, em casa, está ansioso. As horas vão seguindo a conta-gotas.
O dia amanhece e ele vai para a UPA. Chegando lá, uma nova surpresa ruim: Raphaela havia sido transferida para a “sala vermelha”. No protocolo de atendimento, significava uma emergência. Independentemente de protocolos – e da compreensão deles pela família e por Zeca –, está claro que as coisas não vão nada bem.
Aos poucos, os loneiros vão sendo informados. As pessoas começam a chegar à UPA e, junto, um clima de desespero. Os loneiros choram muito, eles sempre choram muito; com alguém tão querido doente, tudo se amplifica. Por conta da situação, de lá ela é transferida para o Hospital Regional Darcy Vargas, no centro de Rio Bonito.
Nesse momento, Zeca assume a coordenação dos esforços. Parte em uma peregrinação pelo hospital atrás de ajuda dos médicos e dos membros da diretoria, buscando uma maneira de resolver. Enquanto isso, Ariel, a amiga constante, não sai do hospital de jeito nenhum.
Os médicos responsáveis são muito atenciosos com aquele monte de gente que não sai do hospital. Tentam explicar o inexplicável para quem não quer explicação: todos só querem a Raphaela bem. Há algumas suspeitas, mas o caso evolui de maneira muito rápida. Há uma infecção. Está medicada e em observação. Flávio Colucci e Luiz Gustavo Martins, membros do corpo médico e da diretoria do hospital, respectivamente, acompanham o caso de perto e tentam amparar Zeca e a família no dia a dia.
As visitas são restritas aos familiares. O pai de Raphaela, Jorceil, todos os dias, pouco antes do fim do horário de visita, sai da sala intensiva, retira o adesivo do peito e passa para Zeca, que consegue entrar para ver a amiga.
Em busca de notícias o tempo inteiro, os amigos do Lona decidem ir até o hospital e ficar por lá, em uma espécie de vigília. Todo o resto parece secundário nesse momento. É preciso estar lá.
Logo no primeiro dia, quando se aproximam do vidro da unidade intensiva, Raphaela está na cama, com a máscara de oxigênio e com acessos para o soro, mas cheia de bom humor: acena, manda beijos, faz um coração com as mãos.
Por alguns momentos, tudo parece que vai dar certo. Há um clima de otimismo nos loneiros. Mais que isso: eles têm certeza que, em breve, ela vai estar de volta à lona e aos ensaios.
É um momento especial para o movimento. Naqueles dias, a lona está sendo transferida para outro endereço, uma nova sede para o Espaço Cultural Lona na Lua, na avenida Sete de Maio. Uma área mais central, mais próxima do público, uma conquista importante. Só que a conquista implica em um volume maior de trabalho e preocupações: é preciso deixar tudo pronto, capinar o terreno, levantar as paredes de uma salinha que servisse de escritório, cimentar o chão, conseguir recursos que paguem todas as despesas daquele momento.
Enquanto Raphaela e os loneiros resistem, os médicos, liderados pelo diretor Flávio Colucci, continuam trabalhando em cima de um diagnóstico mais preciso. Enviam o caso para outros locais em busca de opiniões a respeito. A suspeita é de que seja uma doença autoimune.
São dias longos. Muita tensão. Medo. Ansiedade. Preocupações variadas. Tudo misturado. Zeca é o cara que resolve as coisas. Portanto, não conseguir resolver é um drama sempre, um peso enorme, fonte de inesgotáveis cobranças a si próprio. Uma coisa tão típica dele desde muito tempo, que havia uma brincadeira entre os dois. Diante de um problema, Raphaela costumava dizer: “Zeca resolve”. Em um dos dias da internação, ela lembra disso. Com dificuldades de respirar, tira a máscara de oxigênio, olha para ele e diz: “Resolve aí, Zeca”.
Ele não admite desabar. Em meio à situação complicada, Zeca não come e nem dorme direito. Os olhos fundos e o rosto abatido denunciam o estrago por dentro do jovem de 26 anos. É preciso resolver. A parceira de sonho está ali, prostrada, sem que a solução esteja ao alcance dele. Os moinhos de vento estão derrubando a Sancho Pança.
Em uma das visitas, tentando afastar a sombra de tragédia que paira diante dos olhos, faz uma promessa a ela: “Se você melhorar, deixo você escolher uma peça pra gente montar”. Ela acena concordando, como se dissesse, vai ter que dar um jeito porque eu vou melhorar.
É mais uma história para contar lá fora, para os outros. Poucos conseguem entrar nesses dias. Quase sempre é só a família. Do lado de fora, os amigos inventam o que podem: gravam vídeos, mandam mensagens, acenam da janelinha.
Vem um momento de alívio: mais de um mês depois de ter sido internada, Raphaela melhora. Parece estar reagindo ao tratamento e os médicos decidem transferi-la para o quarto. Poderá receber visitas, estar com a família construída no Lona na Lua, a família que escolheu e que vivia intensamente.
Ato contínuo à transferência para o quarto, já começam as visitas. Quando Zeca aparece pela porta, ela diz: Lisbela. É a resposta à promessa que ele tinha feito. Ela havia cumprido a parte dela, melhorado e ido para o quarto; quer, agora, a dele: criar uma peça baseada na história de Lisbela e o prisioneiro. Ele sorri, como que agradecendo pelo trabalho que teria.
Taiane, a amiga do Lona, chega e sofre com o abatimento da amiga.
“Nenhê, você tá tão magrinha, tem que comer...”
“Graças a Deus, agora eu tô magrinha, né?”
Ela ri, mas não é engraçado. É só sobrevivência, instinto. O riso é o motor. O riso dos outros garante um pouquinho da energia que está se esvaindo, que já foi. Tenta aguentar, mas, humana, tem que lidar com a perspectiva da morte. Dor e cansaço.
A melhora alegra a todos e os acalma também, mas não esconde o desgaste. Os olhos redondos estão lá, tristes e oblíquos, com uma poesia dolorida a contar uma história que não tem nada de machadiana. É um Tchecov, com a vida esvaindo discreta e irreversivelmente em um leito gelado. Ou suassunamente teatral, aqueles olhos tão expressivos, na luta contra o encontro com “o único mal irremediável”, o “fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados”.
O frio de dentro do hospital e a secura do ar-condicionado vão deixando a boca dela estourada. Nem toda a manteiga de cacau do mundo parece dar conta. Ela reclama do jeito dela, fazendo graça. Lembra que a piada é a boia e tenta se agarrar.
Os dias passam. Três. Parece menos, mas são três dias, o mítico número que os dois tanto gostam de lembrar. Ela não está bem outra vez. Os médicos decidem transferi-la de volta para a ala de cuidados intensivos. É domingo, e como os domingos, chega ao fim com aquela melancolia de sempre.
O telefone toca na casa de Ariel. Denize, a mãe, atende. É do hospital. É o médico que cuida do caso. Informa sobre a decisão de levá-la de volta à área de cuidados intensivos e sugere que eles apareçam no hospital. Seria bom que estivesse com as pessoas que gostam dela; seria bom que recebesse a notícia assim.
Todos correm para lá. Ela reclama, outra vez, fazendo piada, reclamando dos lábios machucados: queria voltar bonita para brincar com os médicos intensivistas. Todos riem um riso sem força. Não tem graça, é só a sobrevivência.
Antes da volta, é preciso fazer um novo acesso para medicação, mas o corpo está tão frágil que tudo fica difícil, doloroso, sai muito sangue. A cena assusta os amigos que veem tudo pela porta entreaberta. Mas, ao sair na maca, está altiva: a doença não a dobra. O corpo esquálido carrega uma alma nobre e resistente, que não quer se entregar apesar de tudo.
Todos retornam para suas casas. O dia seguinte é de escola e trabalho na lona, é preciso deixar tudo preparado. Afinal, é uma questão de tempo até que as coisas voltem ao normal, é o que pensam. Quer dizer, é do que têm certeza.
O 1º de maio amanhece e os loneiros decidem gravar um vídeo com o celular para mandar para ela. São imagens do terreno que abrigará a lona, brincadeiras, palavras de apoio, beijos, carinhos. Eles fazem montinhos com a brita espalhada, sentam e não conseguem pensar em nada que não seja a Raphaela curada e de volta. Planejam até uma festa surpresa – faria 22 anos no dia 16 de maio daquele ano – para quando ela sair, com direito a boneco de papelão com o rosto do Brad Pitt.
Mas as notícias não são nada boas. O estado é grave e segue piorando. Os médicos decidem transferi-la para um hospital com mais recursos e a opção é o Hospital dos Servidores do Estado, no centro do Rio de Janeiro. Zeca, de um lado para o outro, segue tentando organizar as ações, na expectativa de salvá-la, de resolver. Em vão.
No começo da noite, os loneiros estão reunidos em um restaurante no centro da cidade, quando recebem a visita da mãe de Ariel, Denize. A fala dela parece não fazer sentido para aqueles jovens – como pode ser verdade? O tom é de preparação para o fim.
As notícias que chegam do Rio de Janeiro dão conta de que Raphaela não está mais reagindo ao tratamento e o corpo não consegue combater a infecção generalizada. Alguns órgãos já começam a dar sinais de falência. O que a mãe fala com a filha e os amigos dela era, com doçura, que a morte estava chegando.
Nesse momento, Zeca está na casa dele. Com a mãe e as últimas forças. Na cidade vazia, a lua parece tocar o asfalto da avenida Sete de Maio, enquanto aqueles adolescentes voltavam para suas casas.
Durante a madrugada, o telefone toca, mas ele não abre os olhos. Tia Fátima se aproxima e fala baixinho, como se a voz não quisesse sair. Ele não precisa ouvir, sabe o que é.
E precisa resolver.
Avisar a todos. Preparar tudo. A notícia se espalha rapidamente e Zeca e tia Fátima vão passando de casa em casa para buscar os loneiros.
O dia vai amanhecendo e ele vai ao Lona. Pede para a mãe parar o carro e desce com o passo meio descompassado. Quando volta, traz os panos pretos das tapadeiras do palco. Agora, um imenso pano preto cobre o muro do Espaço Cultural Lona na Lua. A dor está escancarada.
A manhã já está no fim, quando o corpo chega a Rio Bonito. O velório é na funerária Santo Antônio, no centro da cidade. Ao redor, as pessoas choram, uma comoção que se espalha pela cidade. Zeca parece não pisar mais o chão. De alguma maneira, é como todos parecem ali.
Lá dentro, cumprem uma promessa feita à Raphaela. Muitas vezes conversaram sobre a morte. Ela sempre disse que seria a primeira a morrer. E que quando isso acontecesse, queria brigadeiro no velório e que todos usassem a camisa do Lona na Lua e um nariz de palhaço. Queria também ser enterrada com a bandeira do movimento.
Ainda parece difícil acreditar. Alguns esperam que ela chegue rindo e fazendo alguma piada. Mas ela não vai chegar.
Ao final do velório, Zeca pede a família autorização para colocar a bandeira. Cumpre o desejo dela. Depois disso, o corpo é levado para o Cemitério de Boa Esperança, 2º distrito de Rio Bonito.
Enquanto o caixão é colocado no túmulo, os loneiros cantam “O anjo mais velho”, música do Teatro Mágico, uma das bandas preferidas de Raphaela. “Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você”. E uma chuva vermelha cai junto: os narizes de palhaço são lançados ao túmulo com ela.
Não é um pesadelo e é um pesadelo. A ausência dela é silêncio. Os olhos dos loneiros não mentem a dor junto à poesia, ao verbo e à saudade. E o fim, por mais belo que seja, não tem mais nada de incerto.
Cantam alto. Mas nenhum grito é suficiente.


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O texto acima é o capítulo 11 do livro “Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua”, lançado em maio de 2016. Aqui você pode ver imagens do lançamento, já aqui tem uns textos sobre a escrita do livro e se clicar aqui pode comprá-lo.

A Associação Cultural e Social Lona na Lua e o Espaço Cultural Lona na Lua estão em Rio Bonito (RJ), sob a liderança do Zeca Novais. O livro foi escrito por mim, Rafael Cal, e toda a renda gerada por ele é revertida para as atividades do projeto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Lona dos sonhos" na Amazon





Em maio de 2016, lançamos - eu, o Zeca e todos os loneiros e loneiras - o "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua". O projeto completava sete anos e fizemos um festão pra mostrar esse nosso filhote.

Aqui a cobertura da InterTV: 



Foram muitas vozes e mãos fazendo isso acontecer, Lona e livro. Foram muitas palavras de apoio, muitas mensagens emocionadas, muitas pessoas comprando o seu primeiro livro.

Foi muita gente lendo. Esgotamos os 1000 primeiros que imprimimos - será que vem mais uma impressão em 2017?

Nos comprometemos a distribuir 200 para instituições educacionais e culturais do estado, mas fomos além e doamos quase 500 exemplares, incluindo estudantes da rede pública e coletivos. Vendemos pouco mais de 500 e a renda gerada por eles foi revertida para o projeto. Para um país que não lê, ficamos muito felizes.

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Mas tem mais. A partir de hoje, o "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" está disponível na Amazon. Fruto do trabalho do Ricardo Hoffmann para preparar e subir o material na loja. Valeu, Ricardo!

Lá, você pode comprar o ebook e ler no celular, no tablet, no kindle, no computador, sei lá mais aonde: https://www.amazon.com.br/dp/B01MS6TFWH

O preço estipulado foi o menor possível e, claro, a renda continua sendo revertida integralmente para a manutenção do Espaço Cultural Lona na Lua.

Então, se puder ler, indicar, dar de presente, avaliar o livro no site, compartilhar esse post, qualquer uma dessas coisas ou todas elas ao mesmo tempo, a gente vai ficar muito feliz. E você vai estar colaborando com um projeto sério e transformador, o que, no mínimo, faz bem pra alma.

Compra lá!

domingo, 13 de novembro de 2016

O dia em que recebi uma ligação pra avisar que meu pai tinha morrido

Ainda lembro da ligação. E do silêncio. Longo. Duro. Cheio de dor. Três segundos? Dez? Um minuto? Não sei. E, na sequência, um choro baixinho.
Mas foi o silêncio que me disse tudo.
Hoje, conversando despretensiosamente, fiz uma pergunta que acabou me levando pro dia 12 de novembro outra vez. O dia em que recebi uma ligação que dizia que meu pai tinha morrido.
Tem uma espécie de vazio aqui. Lembro da ligação, do silêncio, lembro que chamei minha supervisora e disse que meu pai tinha morrido e que precisa resolver as coisas. Ela me olhou sem saber o que fazer. As pessoas se aproximaram e falaram coisas. Mas não lembro das palavras exatas de ninguém.
Em casa, estavam há duas horas sem saber como me contar. E, na verdade, não contaram. Porque ninguém chegou a dizer nada. Eu sabia.
Desci, fechei o ponto e fiz as ligações necessárias pra começar a resolver. Tranquilizar a minha tia, irmã dele, minha mãe postiça. Ligar pro primo, sobrinho dele, que iria querer ir pra lá imediatamente. Avisar à minha irmã.
E andei. Andei muito, uns 40 minutos, quase uma hora, sei lá, numa velocidade de fuga, pensando em tudo. Na virada que era aquilo. Na porrada que era aquilo tudo.
Porque a gente espera. E se prepara. E na hora não adianta nada. Porque você não quer que aconteça. Não quer que acabe. Porque a gente ama tanto que acaba sendo egoísta pra caralho.
“Ele descansou”, alguém disse no velório. E eu respondi que não sabia que ele tava cansado. A pessoa ficou sem graça. E deveria mesmo. Não, camaradas, não digam isso de descansar. A não ser que a pessoa tenha 94 anos. Meu pai tinha 47. Descansar de quê?
Liguei o piloto automático. Cruzei os 70 km que nos separavam e cheguei antes do velório começar. Fui em casa. Alguém já tinha chegado com comida por lá e a burocracia já estava resolvida. Beijei minha tia, tomei um banho e fui para o velório.
Fiquei lá por intermináveis 16 horas. Sentado num sofá preto e frio.
No início da madrugada, as pessoas pararam de aparecer. Coloquei a esposa dele pra dormir numa salinha e deitei no sofá do salão ao lado do caixão. Não arredaria pé dali de jeito nenhum.
Deitado, olho no teto, peguei no sono. Dormi um pouco mais de 30 minutos. E sonhei. Sonhei com ele. Acordei e fui conferir se tava no caixão mesmo. Até hoje rio disso.
Antes do sol nascer, apareceu amigo dele. Era o motorista da prefeitura que o levava três vezes por semana para um tratamento médico. No dia anterior, não tinha podido ir e mandou um outro funcionário. Ele chorava muito e chorei junto com ele que eu nunca tinha visto na vida.
Chorei principalmente porque ele me falou do meu pai de um jeito que só poderia ser do meu pai. Contou uma história e riu entre as lágrimas. Depois, me deu um abraço e foi embora.
As pessoas foram chegando e eu perdendo conta dos abraços, dos beijos, das lágrimas divididas no toque dos rostos. O velório tava cheio e conversava mentalmente dizendo pra ficar tranquilo que não faltavam braços pro caixão.
Era uma piada familiar. Minha avó, mãe dele, sempre disse em sua sabedoria rústica que, na vida, a gente precisa ter seis amigos. Um pra cada alça do caixão. O resto é supérfluo.
Eu sorri um pouco comigo mesmo. Um padre chegou. Meu pai era católico e o padre falou umas palavras de consolo, fez uma oração, quase uma missa.
E, às dez da manhã, com um calor insuportável, eu disse que era hora de seguir.
“Vamos fechar.”
Antes, fui até o caixão pra dizer uma última coisa. Agradeci a todos e fiz um último pedido em nome dele. Que, depois dali, todos dessem uma boa risada em sua honra.
Se ele estivesse lá, certamente estaria fazendo piadas e amenizando um pouco o peso de tudo. Era o que ele fazia. Às vezes, dava raiva. Mas, naquele dia, entendi.
As pessoas choraram um pouco, todo mundo junto, como que reconhecendo que era isso mesmo o que ele faria. E a gente seguiu.
Foi pesado segurar naquela alça com a mão esquerda. Mas foi ainda mais difícil soltá-la. E ir embora. E chegar em casa. E dormir e acordar. E seguir.
Hoje, oito anos depois, pensei nisso. Nunca tinha olhado pra tudo assim em perspectiva.
Continua doendo. Uma dor diferente, mas que existe. Só que a lembrança de tudo se transformou numa coisa doce. Doce como ele. Porque, afinal, não é a lembrança da morte, é a lembrança dele.
Quando terminei de ouvir a resposta à minha pergunta hoje de manhã, suspirei e pensei na figura do meu pai. Eu não estava preparado lá e não estaria hoje. Ninguém está, acho.
E, num mês em que uma amiga perdeu o pai — uma pessoa muito querida pra mim e, de quebra, amigo do meu pai — , só consigo dizer que a gente sobrevive. Que dói, mas a gente sobrevive.
Aí, num momento de silêncio, num passeio qualquer ou numa simples pergunta, a imagem deles volta. E a gente tem vontade de chorar e de sorrir. É assim mesmo. É sinal que a gente sobreviveu.
Porque a gente espera. E se prepara. E na hora não adianta porra nenhuma. Porque você não quer que aconteça. Não quer que acabe. Mas acaba. E resta apenas seguir em frente.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Circulação do "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" - São João da Barra/RJ





Tem mais "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" por aí. Dessa vez, em São João da Barra, norte fluminense.

No último mês, as crianças da Escola Municipal Luiz Délio Mendonça, no bairro Cazumbá, fizeram atividades relacionadas ao Lona na Lua. Ontem, o Zeca foi lá conversar com elas e com os profissionais da escola e levou um exemplar do "Lona dos sonhos" pra biblioteca deles.

A nossa primeira tiragem, de mil exemplares, já está quase no fim. Nesses seis meses desde o lançamento do livro, vendemos bastante, mais da metade do que fizemos.


Além disso, foram quase 400 livros doados para bibliotecas, centros culturais, alunos e alunas da rede pública, coletivos e projetos artísticos-culturais, dobrando a meta que estipulamos ao idealizar o projeto de publicação.

Mas há algo maior que os números. O "Lona dos sonhos" tem, além de atrair elogios, servido como porta de entrada para a leitura para vários jovens estudantes. Não tem dinheiro que pague isso.

Foi e continua sendo um prazer imenso participar disso tudo.

As fotos da passagem por lá estão aqui.

domingo, 6 de novembro de 2016

As couves nos quintais

Era um sábado à tarde quando eu pisei no Rossão pela primeira vez.
Na estradinha bem conservada que leva até lá no alto da Serra do Montemuro, naquele pedacinho do concelho de Castro Daire, tirei uma foto em frente à placa que apontava a direção da aldeia. Sim, o clichê, não tem muito como fugir dele nessas horas. E, pra ser sincero, nem tentei.
Apesar do frio — fazia uns cinco graus — , sentia um pouco de calor. Sessenta e cinco anos antes, meu avô emigrara dali. Era impossível pra mim negar aquela lagriminha equilibrada na ponta da pálpebra. Afinal, sempre, desde criança, desde que me lembro de pensar numa viagem, queria visitar aquela aldeiazinha.
Na sala de casa tinha um recorte de jornal num quadro. Era uma matéria sobre o dia que o vovô Cal recebeu o título de cidadão rio-bonitense. No texto, que li muitas vezes ao longo da vida, a história do jovem que emigrou do Rossão para Rio Bonito.
Tanto tempo depois, quando fiz o caminho de volta, cheguei às ruas vazias do lugar. Como não tinha o contato de ninguém da família, fui sem nenhum aviso prévio. Podia dar um pouco errado, mas valia só ir até lá.
A aldeia tem 40 habitantes. No verão, a população local pode chegar a 800, com a chegada dos parentes pra festa do lugar.
Naquele momento, o vazio ainda maior nas ruas era por causa da missa. Estavam todos fechados dentro da igreja. Ou quase todos.
Quando tentei pegar a primeira rua que vi e avançar na aldeia, uma dupla de senhores de boné — um de bigode, o outro sem — me abordou.
“Sou da família Cal.”
E eles ficaram me olhando. Daí lembrei da história familiar de sobrenomes diferentes pra uma parte dos irmãos do meu avô e corrigi.
“Dos Félix. Cal Félix.”
Uma parte dos irmãos do meu avô ganhou, além do sobrenome Cal, um outro, Félix. Acontece que ninguém era Félix na família antes disso, foi um sobrenome inventado pelo biso Manoel.
Meu avô contava que um parente do pai dele, também Cal, tinha dado um calote na região. Pra diferenciar a família do caloteiro, o meu bisavô criou o Félix e passou e os filhos mais novos que meu avô foram batizados com Cal Félix. Com isso, uma parte da família nem tem o Cal no nome.
“Ah, sim, tua prima tá na missa.”
E eles desataram a falar de todo mundo que conheciam da família. Como ela estava na igreja — o padre só vai à aldeia uma vez por semana — era preciso esperar. Só que não era pra esperar parado, entendi logo.
“Vamos ali que vou mostrar as casas dos seus parentes”, disse o de bigode.
E andamos um pouco e ouvi algumas histórias. Eles me mostraram a casa dos primos e de um tio, mas não a que eu queria ver, a do meu avô.
Enquanto eles contavam, pensava que tudo o que eu queria era comprar uma casinha de pedra e poder passar as férias ali. Porque pisar naquelas ruas cobertas de gelo, ainda que vazias e quase assustadoras por isso, significava voltar às memórias construídas ao longo de uma vida inteira e me reencontrar com um passado que eu nunca vi, mas sempre soube que existia.
Os minutos passaram rápido e a (Henri)Queta saiu da missa. E foi impossível conter a alegria dela ao ouvir que era o primo que ela nunca tinha visto do Brasil.
“Vais dormir aqui.” Eu é que não ia discutir.
Passou a mão ao telefone, ligou pras irmãs que moravam nas cidades ao redor, combinou com todo mundo um jantar. Carne de porco pro forno, vinho aberto.
“Vai dar uma volta e conhecer a tua aldeia.”
A minha aldeia. Fui.
A noite chegou, o frio duro, o gelo no chão, as couves murchas no quintal, tantas lembranças que não existiam e que sempre existiram. E chorei um pouco andando por ali.
Disfarcei quando cruzei com a vizinha que levava um bolo até a casa da minha prima. Queria, na verdade, ver quem era a visita e levou um bolo que tinha acabado de fazer. Perguntou meu nome, falou do Brasil e do Rossão.
“Que bom que você veio.”
Fiquei com vontade de dizer que ela nunca tinha me visto e que aquilo não tinha sentido. Mas pensei por um segundo e tinha sentido, sim, foi bom mesmo ter ido.
Chegaram os primos e as primas. Um que jogava futebol. Outro gostava de videogame. Uma era silenciosa. Outra queria contar sobre todas as pessoas. “Os da sua idade moram em Lisboa.”
Comemos como se não houvesse amanhã. E bebemos enquanto a lenha queimava na salamandra e falávamos uma quantidade infindável de nomes de pessoas, que é o que famílias fazem quando se encontram: lembram de pessoas que morreram há tempos, falam de primos que ninguém conhece, contam histórias que todos repetem muitas vezes.
Demorei a dormir. Havia uma espécie de euforia difícil de passar. E quando o sono veio, pareceu durar nada. Os olhos abertos, o dia amanhecido, a casa no mesmo pique da noite anterior.
“Vamos ver a casa do teu avô.”
Fui. E, de novo, a pálpebra se esforçou muita pra equilibrar a lagriminha.
Fiquei olhando praquela casinha pequena, pras pedras, pro limo, pra tanto que tinha ali e dentro de mim. O sol até apareceu.
Entrei. Fiquei parado uns minutos.
Achei bonita. E achava bonita não por ser bonita, mas por ser.
As primas e o primo falavam sem parar e, em algum momento, perceberam que eu não tava prestando a menor atenção.
Se entreolharam e sorriram. Éramos todos cúmplices.
Fizemos uma foto juntos na porta, sorrimos mais um pouco, nos abraçamos e continuamos o assunto e o passeio.
De uma ponta a outra, me mostraram tudo. Contaram todas as histórias possíveis naquelas horas e, ao mesmo tempo, queriam saber de tudo que eu pudesse revelar pra eles sobre como era estar do lado de cá — do mundo e da família.
Algumas horas mais e nos despedimos. Eu com o coração meio apertado, já peguntando quanto custava uma casa daquelas de pedra por lá. Eles meio encantados com a visita surpresa.
Entrei no carro e desci a serra no mais absoluto silêncio. Pensando.
No meu avô vivendo ali. Em ter que ir embora — ele e eu. Em todos que viveram ali depois dele. E antes. Nos filhos do velho cal — que ainda era jovem — passeando por aquelas ruazinhas de terra, pelos campos. Naquela fonte de água. Na piscina que eles abrem no verão. Nas montanhas ao redor. nas couves nos quintais. Naquelas pessoas todas, naquelas casas todas. Naquelas histórias todas.
E pensei que era bom demais ter podido ir até o Rossão. Porque, afinal, não é todo dia que a gente se encontra com o passado assim.

domingo, 30 de outubro de 2016

Pegando carona *


“A vida só faz sentido quando vira ficção”.

Esbarrei com essa frase meio sem querer. E foi a deixa perfeita pra começar.
Porque existem pessoas que não cabem na vida real. Assim como existem cidades que não cabem no mapa.

E transbordam.

Transbordam em memórias, em livros e personagens. E, por que não?, em autores. Cidades feitas de terra, concreto, trilhos, casas, carros e pessoas de carne e osso, moleques e molecas da estação, que só poderiam ser ficção.

De tanto transbordar, Leir se tornou, no imaginário dos rio-bonitenses, o poeta da cidade. Sem esquecer, claro, de outros grandes como B. Lopes, Julia Cortines e Helio Nogueira — pra não estender muito a lista. 

Mas é que lê-lo é fazer uma viagem por Rio Bonito. 

Uma Rio Bonito idílica, em preto e branco, melhor: em sépia. Como uma foto antiga daquelas que a gente vê penduradas lá na rodoviária. A Rio Bonito do trem, dos moleques na estação, do jogo de futebol com o bagaço de laranja. É ver uma cidade quieta, silenciosa, um lugar em que o tempo não passa. Uma cidade, afinal, que talvez não possa existir em outro lugar que não a ficção, nas narrativas da memória.

E até quando escrevia prosa, era poesia sendo destilada sobre essa nossa aldeia. Fosse falando de Serrado e Prazeres. Fosse falando de figuras como Manuel Duarte e Astrojildo Ribeiro, ou das cachoeiras, do Cine Glória, da Grutta Tupy.

Por isso, neste dia tão especial, é dia de celebrar e também de sentir saudade. Já que, como ele mesmo já disse há tempos, “a saudade é a nossa presença no passado”.

E voltar ao passado é o que Leir era capaz de fazer com imensas delicadeza e simplicidade a cada linha, a cada verso, a cada história. Não apenas voltar, mas nos levar. Levar numa viagem por memórias – dele, nossas, coletivas – num passo manso, tranquilo. Tal qual o marchar cadenciado de um trem que nos leva sempre de volta a uma estação chamada Rio Bonito.


Afinal, se a vida só faz sentido na ficção, é porque, no fundo, talvez sejamos todos moleques da estação, prontos pra pegar uma carona nas palavras do nosso poeta.


* Homenagem realizada ao escritor Leir Moraes, no dia 29/10/2016, em Rio Bonito.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Encontrei com o Doutor Ulysses e ele curte um fígado acebolado

Às quintas, o bar do Tio Osmar costuma servir bife de fígado acebolado. Por isso, saio do trabalho correndo e tomo metrô e ônibus torcendo pra chegar cedo à praça Orlando Silva, na fronteira invisível entre o Cachambi e o Méier, a tempo de comer a refeição que custa doze dinheiros.
Hoje, pra minha surpresa, na mesa do canto, aproveitando dois dedos de um aperitivo local, estava o Doutor Ulysses. Acenou com o copo e eu, meio sem entender nada, sorri de volta e sentei num lugar próximo.
Mas lá no Tio Osmar ninguém fica de canto, a interação é a alma da casa. Nessa hora do almoço, a tv tá sempre na Record, passando uma oração, um programa de fofocas, uma história triste ou um caso policial. E nessa o Doutor Ulysses não resistiu e engatou um papo sobre as eleições com os outros presentes.
Os ânimos ameaçaram se exaltar. Aquele senhor bem vestido falava erguendo a mão um pouco acima da mesa, gesticulava bastante, enquanto seus interlocutores estavam divididos em prestar atenção e tentar rechaçar algumas falas.
Foi quando chegou Arnauld, o garçom, com o meu prato e o do Doutor Ulysses. Nos serviu e não consegui disfarçar mais minha curiosidade com aquela presença ali.
“O que o senhor tá fazendo aqui?”, perguntei.
“O fígado. Eu vim pelo bife de fígado acebolado”, ele disse pra mim.
Eu, na euforia quase juvenil de estar falando com aquele senhor, naquela situação completamente sem sentido, deixei sair algumas palavras gaguejadas.
“Ninguém vai acreditar que te encontrei aqui. O que você gostaria que eu dissesse sobre este momento?”
“Diz pras pessoas pararem de ficar compartilhando essas tosqueiras de formador de opinião e colunista decadente.”
Bom, eu não ia falar nada, mas um pedido desses é pra ser cumprido, né?. Então tá feito, Doutor Ulysses.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"Lona dos sonhos" n'O Tempo

O Lona na Lua recebeu os idealizadores do Clube da Leitura. Ao centro da imagem, Rafael Cal e Zeca Novais responderam questionamentos sobre os aspectos ambientais do livro "Lona dos Sonhos".



O Tempo foi lá conferir o encontro do Clube de Leitura que discutiu o "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" e fez uma matéria bem legal. Você pode conferir aqui.

sábado, 13 de agosto de 2016

A festa de Mateus - personagens





“ter um filho com 14 anos não é fácil. viver com alguém com essa idade não é fácil. a minha mãe vivia querendo se meter a falar do jean, achando que o jean era o meu pai. aí eu mandei ela calar a boca. você já mandou a sua mãe calar a boca alguma...

“ter um filho com 14 anos não é fácil. viver com alguém com essa idade não é fácil. a minha mãe vivia querendo se meter a falar do mauro, achando que o jean era o meu pai. aí eu mandei ela calar a boca. você já mandou a sua mãe calar a boca alguma vez?” (angela)




“eu queria pedir a vocês, por favor, pra ninguém tocar no assunto do mateus. por favor.” (mauro)
“transbordou um reservatório de merda”
juliana, em “a festa de mateus”: https://goo.gl/Cqi042

“transbordou um reservatório de merda.” (juliana)


“ele me pediu em namoro no final do nosso primeiro encontro. a gente foi ao cinema ver o ‘labirinto de fauno’. fez um monte de comentário inteligente sobre o filme. achei que fosse um gênio. depois, descobri que ele decorou uma resenha antes de sair...
“ele me pediu em namoro no final do nosso primeiro encontro. a gente foi ao cinema ver o ‘labirinto de fauno’. fez um monte de comentário inteligente sobre o filme. achei que fosse um gênio. depois, descobri que ele decorou uma resenha antes de sair de casa. mas só descobri muito depois. a gente já tava casado. e isso, aparentemente, não é motivo pra pedir anulação.” (raquel)

“esse evento de hoje, por exemplo. fiquei me perguntando em casa: mas que porra é essa? você também deve estar se perguntando isso. o que a gente vai fazer lá?”
bernardo, em “a festa de mateus”: https://goo.gl/Cqi042

“esse evento de hoje, por exemplo. fiquei me perguntando em casa: mas que porra é essa? você também deve estar se perguntando isso. o que a gente vai fazer lá?” (bernardo)

“subo essa rua andando toda semana. essas merdas de faculdade espalhada na cidade. aí venho fazer matéria na praia vermelha e subo essa rua. pior que depois que terminei com o mateus ele ficava me esperando passar naquela pracinha ali em frente ao...

“subo essa rua andando toda semana. essas merdas de faculdade espalhada na cidade. aí venho fazer matéria na praia vermelha e subo essa rua. pior que depois que terminei com o mateus ele ficava me esperando passar naquela pracinha ali em frente ao campus. stalker brasileiro nem sabe fazer essas porras direito. uma amiga minha ficava falando ‘olha, esse menino é doido, vai entrar atirando na sala e matar a gente’ e eu só pensava ‘deus me livre de morrer no prédio de física’.” (ana)

“porque vou te falar: eu sou foda. sou mesmo, sou um cara foda. já peguei mulher pra caralho, já comi quem eu quis, do jeito que eu quis. eu pego quem eu quiser e aonde eu quiser. não tem essa comigo. mas isso aqui é outra coisa. é diferente.”
andré,... 
“porque vou te falar: eu sou foda. sou mesmo, sou um cara foda. já peguei mulher pra caralho, já comi quem eu quis, do jeito que eu quis. eu pego quem eu quiser e aonde eu quiser. não tem essa comigo. mas isso aqui é outra coisa. é diferente.” (andré)

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“a festa de mateus” é uma história - ou muitas - sobre as nossas doenças mais profundas. 
sobre as distâncias, os abandonos, a solidão. 
sobre perdas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

"A festa de Mateus" no site do Solar do Jambeiro





"Com estreia marcada para a terça-feira, 09 de agosto de 2016, às 20h, no Solar do Jambeiro, o espetáculo 'A festa de Mateus' inaugura em Niterói o conceito do 'hiperdrama', onde o público pode ser coautor da própria dramaturgia, ao escolher caminhos de como quer acompanhar a trama. O espetáculo, que de forma inovadora, terá inicio em cinco diferentes lugares da Zona Sul da cidade, será apresentado como parte do projeto Terças de Teatro, com entrada franca. 

Com texto de Rafael Cal e direção de Ricardo Rocha, a peça conta com a participação de Amaury Lorenzo, Fabio Fortes, Jean Bodin, Renata Egger e Vivian Sobrino, atores e atrizes com forte atuação em Niterói, além das convidadas Ana Flavia Chrispiniano e Barbara Abi-Rihan.

(...)"


A matéria completa tá em http://culturaniteroi.com.br/blog/?id=2278&equ=solar.


Pra acompanhar as informações sobre a peça "A festa de Mateus", visite nossas páginas:

afestademateus.tumblr.com

https://www.facebook.com/afestademateus/