domingo, 13 de novembro de 2016

O dia em que recebi uma ligação pra avisar que meu pai tinha morrido

Ainda lembro da ligação. E do silêncio. Longo. Duro. Cheio de dor. Três segundos? Dez? Um minuto? Não sei. E, na sequência, um choro baixinho.
Mas foi o silêncio que me disse tudo.
Hoje, conversando despretensiosamente, fiz uma pergunta que acabou me levando pro dia 12 de novembro outra vez. O dia em que recebi uma ligação que dizia que meu pai tinha morrido.
Tem uma espécie de vazio aqui. Lembro da ligação, do silêncio, lembro que chamei minha supervisora e disse que meu pai tinha morrido e que precisa resolver as coisas. Ela me olhou sem saber o que fazer. As pessoas se aproximaram e falaram coisas. Mas não lembro das palavras exatas de ninguém.
Em casa, estavam há duas horas sem saber como me contar. E, na verdade, não contaram. Porque ninguém chegou a dizer nada. Eu sabia.
Desci, fechei o ponto e fiz as ligações necessárias pra começar a resolver. Tranquilizar a minha tia, irmã dele, minha mãe postiça. Ligar pro primo, sobrinho dele, que iria querer ir pra lá imediatamente. Avisar à minha irmã.
E andei. Andei muito, uns 40 minutos, quase uma hora, sei lá, numa velocidade de fuga, pensando em tudo. Na virada que era aquilo. Na porrada que era aquilo tudo.
Porque a gente espera. E se prepara. E na hora não adianta nada. Porque você não quer que aconteça. Não quer que acabe. Porque a gente ama tanto que acaba sendo egoísta pra caralho.
“Ele descansou”, alguém disse no velório. E eu respondi que não sabia que ele tava cansado. A pessoa ficou sem graça. E deveria mesmo. Não, camaradas, não digam isso de descansar. A não ser que a pessoa tenha 94 anos. Meu pai tinha 47. Descansar de quê?
Liguei o piloto automático. Cruzei os 70 km que nos separavam e cheguei antes do velório começar. Fui em casa. Alguém já tinha chegado com comida por lá e a burocracia já estava resolvida. Beijei minha tia, tomei um banho e fui para o velório.
Fiquei lá por intermináveis 16 horas. Sentado num sofá preto e frio.
No início da madrugada, as pessoas pararam de aparecer. Coloquei a esposa dele pra dormir numa salinha e deitei no sofá do salão ao lado do caixão. Não arredaria pé dali de jeito nenhum.
Deitado, olho no teto, peguei no sono. Dormi um pouco mais de 30 minutos. E sonhei. Sonhei com ele. Acordei e fui conferir se tava no caixão mesmo. Até hoje rio disso.
Antes do sol nascer, apareceu amigo dele. Era o motorista da prefeitura que o levava três vezes por semana para um tratamento médico. No dia anterior, não tinha podido ir e mandou um outro funcionário. Ele chorava muito e chorei junto com ele que eu nunca tinha visto na vida.
Chorei principalmente porque ele me falou do meu pai de um jeito que só poderia ser do meu pai. Contou uma história e riu entre as lágrimas. Depois, me deu um abraço e foi embora.
As pessoas foram chegando e eu perdendo conta dos abraços, dos beijos, das lágrimas divididas no toque dos rostos. O velório tava cheio e conversava mentalmente dizendo pra ficar tranquilo que não faltavam braços pro caixão.
Era uma piada familiar. Minha avó, mãe dele, sempre disse em sua sabedoria rústica que, na vida, a gente precisa ter seis amigos. Um pra cada alça do caixão. O resto é supérfluo.
Eu sorri um pouco comigo mesmo. Um padre chegou. Meu pai era católico e o padre falou umas palavras de consolo, fez uma oração, quase uma missa.
E, às dez da manhã, com um calor insuportável, eu disse que era hora de seguir.
“Vamos fechar.”
Antes, fui até o caixão pra dizer uma última coisa. Agradeci a todos e fiz um último pedido em nome dele. Que, depois dali, todos dessem uma boa risada em sua honra.
Se ele estivesse lá, certamente estaria fazendo piadas e amenizando um pouco o peso de tudo. Era o que ele fazia. Às vezes, dava raiva. Mas, naquele dia, entendi.
As pessoas choraram um pouco, todo mundo junto, como que reconhecendo que era isso mesmo o que ele faria. E a gente seguiu.
Foi pesado segurar naquela alça com a mão esquerda. Mas foi ainda mais difícil soltá-la. E ir embora. E chegar em casa. E dormir e acordar. E seguir.
Hoje, oito anos depois, pensei nisso. Nunca tinha olhado pra tudo assim em perspectiva.
Continua doendo. Uma dor diferente, mas que existe. Só que a lembrança de tudo se transformou numa coisa doce. Doce como ele. Porque, afinal, não é a lembrança da morte, é a lembrança dele.
Quando terminei de ouvir a resposta à minha pergunta hoje de manhã, suspirei e pensei na figura do meu pai. Eu não estava preparado lá e não estaria hoje. Ninguém está, acho.
E, num mês em que uma amiga perdeu o pai — uma pessoa muito querida pra mim e, de quebra, amigo do meu pai — , só consigo dizer que a gente sobrevive. Que dói, mas a gente sobrevive.
Aí, num momento de silêncio, num passeio qualquer ou numa simples pergunta, a imagem deles volta. E a gente tem vontade de chorar e de sorrir. É assim mesmo. É sinal que a gente sobreviveu.
Porque a gente espera. E se prepara. E na hora não adianta porra nenhuma. Porque você não quer que aconteça. Não quer que acabe. Mas acaba. E resta apenas seguir em frente.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Circulação do "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" - São João da Barra/RJ





Tem mais "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" por aí. Dessa vez, em São João da Barra, norte fluminense.

No último mês, as crianças da Escola Municipal Luiz Délio Mendonça, no bairro Cazumbá, fizeram atividades relacionadas ao Lona na Lua. Ontem, o Zeca foi lá conversar com elas e com os profissionais da escola e levou um exemplar do "Lona dos sonhos" pra biblioteca deles.

A nossa primeira tiragem, de mil exemplares, já está quase no fim. Nesses seis meses desde o lançamento do livro, vendemos bastante, mais da metade do que fizemos.


Além disso, foram quase 400 livros doados para bibliotecas, centros culturais, alunos e alunas da rede pública, coletivos e projetos artísticos-culturais, dobrando a meta que estipulamos ao idealizar o projeto de publicação.

Mas há algo maior que os números. O "Lona dos sonhos" tem, além de atrair elogios, servido como porta de entrada para a leitura para vários jovens estudantes. Não tem dinheiro que pague isso.

Foi e continua sendo um prazer imenso participar disso tudo.

As fotos da passagem por lá estão aqui.

domingo, 6 de novembro de 2016

As couves nos quintais

Era um sábado à tarde quando eu pisei no Rossão pela primeira vez.
Na estradinha bem conservada que leva até lá no alto da Serra do Montemuro, naquele pedacinho do concelho de Castro Daire, tirei uma foto em frente à placa que apontava a direção da aldeia. Sim, o clichê, não tem muito como fugir dele nessas horas. E, pra ser sincero, nem tentei.
Apesar do frio — fazia uns cinco graus — , sentia um pouco de calor. Sessenta e cinco anos antes, meu avô emigrara dali. Era impossível pra mim negar aquela lagriminha equilibrada na ponta da pálpebra. Afinal, sempre, desde criança, desde que me lembro de pensar numa viagem, queria visitar aquela aldeiazinha.
Na sala de casa tinha um recorte de jornal num quadro. Era uma matéria sobre o dia que o vovô Cal recebeu o título de cidadão rio-bonitense. No texto, que li muitas vezes ao longo da vida, a história do jovem que emigrou do Rossão para Rio Bonito.
Tanto tempo depois, quando fiz o caminho de volta, cheguei às ruas vazias do lugar. Como não tinha o contato de ninguém da família, fui sem nenhum aviso prévio. Podia dar um pouco errado, mas valia só ir até lá.
A aldeia tem 40 habitantes. No verão, a população local pode chegar a 800, com a chegada dos parentes pra festa do lugar.
Naquele momento, o vazio ainda maior nas ruas era por causa da missa. Estavam todos fechados dentro da igreja. Ou quase todos.
Quando tentei pegar a primeira rua que vi e avançar na aldeia, uma dupla de senhores de boné — um de bigode, o outro sem — me abordou.
“Sou da família Cal.”
E eles ficaram me olhando. Daí lembrei da história familiar de sobrenomes diferentes pra uma parte dos irmãos do meu avô e corrigi.
“Dos Félix. Cal Félix.”
Uma parte dos irmãos do meu avô ganhou, além do sobrenome Cal, um outro, Félix. Acontece que ninguém era Félix na família antes disso, foi um sobrenome inventado pelo biso Manoel.
Meu avô contava que um parente do pai dele, também Cal, tinha dado um calote na região. Pra diferenciar a família do caloteiro, o meu bisavô criou o Félix e passou e os filhos mais novos que meu avô foram batizados com Cal Félix. Com isso, uma parte da família nem tem o Cal no nome.
“Ah, sim, tua prima tá na missa.”
E eles desataram a falar de todo mundo que conheciam da família. Como ela estava na igreja — o padre só vai à aldeia uma vez por semana — era preciso esperar. Só que não era pra esperar parado, entendi logo.
“Vamos ali que vou mostrar as casas dos seus parentes”, disse o de bigode.
E andamos um pouco e ouvi algumas histórias. Eles me mostraram a casa dos primos e de um tio, mas não a que eu queria ver, a do meu avô.
Enquanto eles contavam, pensava que tudo o que eu queria era comprar uma casinha de pedra e poder passar as férias ali. Porque pisar naquelas ruas cobertas de gelo, ainda que vazias e quase assustadoras por isso, significava voltar às memórias construídas ao longo de uma vida inteira e me reencontrar com um passado que eu nunca vi, mas sempre soube que existia.
Os minutos passaram rápido e a (Henri)Queta saiu da missa. E foi impossível conter a alegria dela ao ouvir que era o primo que ela nunca tinha visto do Brasil.
“Vais dormir aqui.” Eu é que não ia discutir.
Passou a mão ao telefone, ligou pras irmãs que moravam nas cidades ao redor, combinou com todo mundo um jantar. Carne de porco pro forno, vinho aberto.
“Vai dar uma volta e conhecer a tua aldeia.”
A minha aldeia. Fui.
A noite chegou, o frio duro, o gelo no chão, as couves murchas no quintal, tantas lembranças que não existiam e que sempre existiram. E chorei um pouco andando por ali.
Disfarcei quando cruzei com a vizinha que levava um bolo até a casa da minha prima. Queria, na verdade, ver quem era a visita e levou um bolo que tinha acabado de fazer. Perguntou meu nome, falou do Brasil e do Rossão.
“Que bom que você veio.”
Fiquei com vontade de dizer que ela nunca tinha me visto e que aquilo não tinha sentido. Mas pensei por um segundo e tinha sentido, sim, foi bom mesmo ter ido.
Chegaram os primos e as primas. Um que jogava futebol. Outro gostava de videogame. Uma era silenciosa. Outra queria contar sobre todas as pessoas. “Os da sua idade moram em Lisboa.”
Comemos como se não houvesse amanhã. E bebemos enquanto a lenha queimava na salamandra e falávamos uma quantidade infindável de nomes de pessoas, que é o que famílias fazem quando se encontram: lembram de pessoas que morreram há tempos, falam de primos que ninguém conhece, contam histórias que todos repetem muitas vezes.
Demorei a dormir. Havia uma espécie de euforia difícil de passar. E quando o sono veio, pareceu durar nada. Os olhos abertos, o dia amanhecido, a casa no mesmo pique da noite anterior.
“Vamos ver a casa do teu avô.”
Fui. E, de novo, a pálpebra se esforçou muita pra equilibrar a lagriminha.
Fiquei olhando praquela casinha pequena, pras pedras, pro limo, pra tanto que tinha ali e dentro de mim. O sol até apareceu.
Entrei. Fiquei parado uns minutos.
Achei bonita. E achava bonita não por ser bonita, mas por ser.
As primas e o primo falavam sem parar e, em algum momento, perceberam que eu não tava prestando a menor atenção.
Se entreolharam e sorriram. Éramos todos cúmplices.
Fizemos uma foto juntos na porta, sorrimos mais um pouco, nos abraçamos e continuamos o assunto e o passeio.
De uma ponta a outra, me mostraram tudo. Contaram todas as histórias possíveis naquelas horas e, ao mesmo tempo, queriam saber de tudo que eu pudesse revelar pra eles sobre como era estar do lado de cá — do mundo e da família.
Algumas horas mais e nos despedimos. Eu com o coração meio apertado, já peguntando quanto custava uma casa daquelas de pedra por lá. Eles meio encantados com a visita surpresa.
Entrei no carro e desci a serra no mais absoluto silêncio. Pensando.
No meu avô vivendo ali. Em ter que ir embora — ele e eu. Em todos que viveram ali depois dele. E antes. Nos filhos do velho cal — que ainda era jovem — passeando por aquelas ruazinhas de terra, pelos campos. Naquela fonte de água. Na piscina que eles abrem no verão. Nas montanhas ao redor. nas couves nos quintais. Naquelas pessoas todas, naquelas casas todas. Naquelas histórias todas.
E pensei que era bom demais ter podido ir até o Rossão. Porque, afinal, não é todo dia que a gente se encontra com o passado assim.

domingo, 30 de outubro de 2016

Pegando carona *


“A vida só faz sentido quando vira ficção”.

Esbarrei com essa frase meio sem querer. E foi a deixa perfeita pra começar.
Porque existem pessoas que não cabem na vida real. Assim como existem cidades que não cabem no mapa.

E transbordam.

Transbordam em memórias, em livros e personagens. E, por que não?, em autores. Cidades feitas de terra, concreto, trilhos, casas, carros e pessoas de carne e osso, moleques e molecas da estação, que só poderiam ser ficção.

De tanto transbordar, Leir se tornou, no imaginário dos rio-bonitenses, o poeta da cidade. Sem esquecer, claro, de outros grandes como B. Lopes, Julia Cortines e Helio Nogueira — pra não estender muito a lista. 

Mas é que lê-lo é fazer uma viagem por Rio Bonito. 

Uma Rio Bonito idílica, em preto e branco, melhor: em sépia. Como uma foto antiga daquelas que a gente vê penduradas lá na rodoviária. A Rio Bonito do trem, dos moleques na estação, do jogo de futebol com o bagaço de laranja. É ver uma cidade quieta, silenciosa, um lugar em que o tempo não passa. Uma cidade, afinal, que talvez não possa existir em outro lugar que não a ficção, nas narrativas da memória.

E até quando escrevia prosa, era poesia sendo destilada sobre essa nossa aldeia. Fosse falando de Serrado e Prazeres. Fosse falando de figuras como Manuel Duarte e Astrojildo Ribeiro, ou das cachoeiras, do Cine Glória, da Grutta Tupy.

Por isso, neste dia tão especial, é dia de celebrar e também de sentir saudade. Já que, como ele mesmo já disse há tempos, “a saudade é a nossa presença no passado”.

E voltar ao passado é o que Leir era capaz de fazer com imensas delicadeza e simplicidade a cada linha, a cada verso, a cada história. Não apenas voltar, mas nos levar. Levar numa viagem por memórias – dele, nossas, coletivas – num passo manso, tranquilo. Tal qual o marchar cadenciado de um trem que nos leva sempre de volta a uma estação chamada Rio Bonito.


Afinal, se a vida só faz sentido na ficção, é porque, no fundo, talvez sejamos todos moleques da estação, prontos pra pegar uma carona nas palavras do nosso poeta.


* Homenagem realizada ao escritor Leir Moraes, no dia 29/10/2016, em Rio Bonito.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Encontrei com o Doutor Ulysses e ele curte um fígado acebolado

Às quintas, o bar do Tio Osmar costuma servir bife de fígado acebolado. Por isso, saio do trabalho correndo e tomo metrô e ônibus torcendo pra chegar cedo à praça Orlando Silva, na fronteira invisível entre o Cachambi e o Méier, a tempo de comer a refeição que custa doze dinheiros.
Hoje, pra minha surpresa, na mesa do canto, aproveitando dois dedos de um aperitivo local, estava o Doutor Ulysses. Acenou com o copo e eu, meio sem entender nada, sorri de volta e sentei num lugar próximo.
Mas lá no Tio Osmar ninguém fica de canto, a interação é a alma da casa. Nessa hora do almoço, a tv tá sempre na Record, passando uma oração, um programa de fofocas, uma história triste ou um caso policial. E nessa o Doutor Ulysses não resistiu e engatou um papo sobre as eleições com os outros presentes.
Os ânimos ameaçaram se exaltar. Aquele senhor bem vestido falava erguendo a mão um pouco acima da mesa, gesticulava bastante, enquanto seus interlocutores estavam divididos em prestar atenção e tentar rechaçar algumas falas.
Foi quando chegou Arnauld, o garçom, com o meu prato e o do Doutor Ulysses. Nos serviu e não consegui disfarçar mais minha curiosidade com aquela presença ali.
“O que o senhor tá fazendo aqui?”, perguntei.
“O fígado. Eu vim pelo bife de fígado acebolado”, ele disse pra mim.
Eu, na euforia quase juvenil de estar falando com aquele senhor, naquela situação completamente sem sentido, deixei sair algumas palavras gaguejadas.
“Ninguém vai acreditar que te encontrei aqui. O que você gostaria que eu dissesse sobre este momento?”
“Diz pras pessoas pararem de ficar compartilhando essas tosqueiras de formador de opinião e colunista decadente.”
Bom, eu não ia falar nada, mas um pedido desses é pra ser cumprido, né?. Então tá feito, Doutor Ulysses.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"Lona dos sonhos" n'O Tempo

O Lona na Lua recebeu os idealizadores do Clube da Leitura. Ao centro da imagem, Rafael Cal e Zeca Novais responderam questionamentos sobre os aspectos ambientais do livro "Lona dos Sonhos".



O Tempo foi lá conferir o encontro do Clube de Leitura que discutiu o "Lona dos sonhos: as histórias do Lona na Lua" e fez uma matéria bem legal. Você pode conferir aqui.

sábado, 13 de agosto de 2016

A festa de Mateus - personagens





“ter um filho com 14 anos não é fácil. viver com alguém com essa idade não é fácil. a minha mãe vivia querendo se meter a falar do jean, achando que o jean era o meu pai. aí eu mandei ela calar a boca. você já mandou a sua mãe calar a boca alguma...

“ter um filho com 14 anos não é fácil. viver com alguém com essa idade não é fácil. a minha mãe vivia querendo se meter a falar do mauro, achando que o jean era o meu pai. aí eu mandei ela calar a boca. você já mandou a sua mãe calar a boca alguma vez?” (angela)




“eu queria pedir a vocês, por favor, pra ninguém tocar no assunto do mateus. por favor.” (mauro)
“transbordou um reservatório de merda”
juliana, em “a festa de mateus”: https://goo.gl/Cqi042

“transbordou um reservatório de merda.” (juliana)


“ele me pediu em namoro no final do nosso primeiro encontro. a gente foi ao cinema ver o ‘labirinto de fauno’. fez um monte de comentário inteligente sobre o filme. achei que fosse um gênio. depois, descobri que ele decorou uma resenha antes de sair...
“ele me pediu em namoro no final do nosso primeiro encontro. a gente foi ao cinema ver o ‘labirinto de fauno’. fez um monte de comentário inteligente sobre o filme. achei que fosse um gênio. depois, descobri que ele decorou uma resenha antes de sair de casa. mas só descobri muito depois. a gente já tava casado. e isso, aparentemente, não é motivo pra pedir anulação.” (raquel)

“esse evento de hoje, por exemplo. fiquei me perguntando em casa: mas que porra é essa? você também deve estar se perguntando isso. o que a gente vai fazer lá?”
bernardo, em “a festa de mateus”: https://goo.gl/Cqi042

“esse evento de hoje, por exemplo. fiquei me perguntando em casa: mas que porra é essa? você também deve estar se perguntando isso. o que a gente vai fazer lá?” (bernardo)

“subo essa rua andando toda semana. essas merdas de faculdade espalhada na cidade. aí venho fazer matéria na praia vermelha e subo essa rua. pior que depois que terminei com o mateus ele ficava me esperando passar naquela pracinha ali em frente ao...

“subo essa rua andando toda semana. essas merdas de faculdade espalhada na cidade. aí venho fazer matéria na praia vermelha e subo essa rua. pior que depois que terminei com o mateus ele ficava me esperando passar naquela pracinha ali em frente ao campus. stalker brasileiro nem sabe fazer essas porras direito. uma amiga minha ficava falando ‘olha, esse menino é doido, vai entrar atirando na sala e matar a gente’ e eu só pensava ‘deus me livre de morrer no prédio de física’.” (ana)

“porque vou te falar: eu sou foda. sou mesmo, sou um cara foda. já peguei mulher pra caralho, já comi quem eu quis, do jeito que eu quis. eu pego quem eu quiser e aonde eu quiser. não tem essa comigo. mas isso aqui é outra coisa. é diferente.”
andré,... 
“porque vou te falar: eu sou foda. sou mesmo, sou um cara foda. já peguei mulher pra caralho, já comi quem eu quis, do jeito que eu quis. eu pego quem eu quiser e aonde eu quiser. não tem essa comigo. mas isso aqui é outra coisa. é diferente.” (andré)

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“a festa de mateus” é uma história - ou muitas - sobre as nossas doenças mais profundas. 
sobre as distâncias, os abandonos, a solidão. 
sobre perdas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

"A festa de Mateus" no site do Solar do Jambeiro





"Com estreia marcada para a terça-feira, 09 de agosto de 2016, às 20h, no Solar do Jambeiro, o espetáculo 'A festa de Mateus' inaugura em Niterói o conceito do 'hiperdrama', onde o público pode ser coautor da própria dramaturgia, ao escolher caminhos de como quer acompanhar a trama. O espetáculo, que de forma inovadora, terá inicio em cinco diferentes lugares da Zona Sul da cidade, será apresentado como parte do projeto Terças de Teatro, com entrada franca. 

Com texto de Rafael Cal e direção de Ricardo Rocha, a peça conta com a participação de Amaury Lorenzo, Fabio Fortes, Jean Bodin, Renata Egger e Vivian Sobrino, atores e atrizes com forte atuação em Niterói, além das convidadas Ana Flavia Chrispiniano e Barbara Abi-Rihan.

(...)"


A matéria completa tá em http://culturaniteroi.com.br/blog/?id=2278&equ=solar.


Pra acompanhar as informações sobre a peça "A festa de Mateus", visite nossas páginas:

afestademateus.tumblr.com

https://www.facebook.com/afestademateus/

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A festa de Mateus - estreia




“A festa de Mateus” é a peça que escrevi e estreia hoje, dia 9. A direção é do Ricardo Rocha e tem um elenco recheado de atores e atrizes talentosos: Amaury Lorenzo, Ana Flávia Chrispiniano, Bárbara Abi-Rihan, Fabio Fortes, Jean Bodin, Renata Egger e Vivian Sobrino.
O espetáculo usa a cidade como cenário e leva os personagens e o público por deslocamentos físicos e emocionais por ela até o Solar do Jambeiro, em São Domingos, Niterói. Às 20h - sem qualquer possibilidade de atraso - as cenas começam em um posto de gasolina, em frente à reitoria da UFF, em frente a um supermercado do Ingá, num café e no próprio Solar.
Em momentos diferentes, os personagens saem de seus locais originais e se dirigem à casa em que está sendo realizada uma festa. E as cenas que vinham se desenrolando nos pontos originais e pelo caminho continuam acontecendo no endereço definitivo.
Parece loucura. E é.
Uma deliciosa loucura, é verdade. A expansão da atuação para a rua, fora do controle - um falso controle, né? - que o palco italiano e a sala fechada com o público sentadinho em seus lugares numerados dão. É vertigem.
Assim, gostaria de convidar vocês a se juntarem a nós nessa vertigem. Venham conhecer essa família completamente desequilibrada. E se desequilibrem conosco.

Algumas informações importantes.
O espetáculo “A festa de Mateus” se inicia PONTUALMENTE às 20h, em cinco locais distintos:
1) Solar do Jambeiro (Rua Presidente Domiciano, 195, Ingá) — 32 espectadores;
2) em frente à Reitoria da UFF (Rua Miguel de Frias, 9 — Icaraí) — 2 espectadores
3) escadaria do supermercado Pão de Açúcar, no Ingá (Rua Paulo Alves, 42, Ingá) — 8 espectadores
4) em frente à loja de conveniências do Posto Shell (esquina Rua Miguel de Frias com Rua Fagundes Varela, Icaraí) — 1 espectador
5) no interior da Escola de Animação e Desenho Animator (Rua Visconde de Moraes, 255, Ingá) — 7 espectadores
* Você deverá escolher o local que deseja iniciar. 
* A partir de sua escolha, deve enviar uma mensagem pelo whatsapp para o telefone (21) 99110–5961 para fazer a reserva.
* O deslocamento até o Solar do Jambeiro do público que escolher iniciar no supermercado Pão de Açúcar (local 3) ou na Escola de Animação e Desenho Animator (local 5) será realizado a pé. Os demais deslocamentos (locais 2 e 4) serão realizados de carro. 
* Caso não deseje fazer os deslocamentos externos, você deve se dirigir diretamente ao Solar do Jambeiro para retirar sua senha uma hora antes do espetáculo. 
* Importante lembrar que a lotação do espetáculo é reduzida. São apenas 50 lugares disponíveis.
* Qualquer dúvida pode ser enviada por mensagem para a página de “A festa de Mateus”.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

"A festa de Mateus" em Niterói


Uma festa.
Uma família disfuncional.
Um convidado que não chega.

"A festa de Mateus" estreia no próximo dia 9 e fica em cartaz por todas as terças de agosto e setembro no Solar do Jambeiro, em Niterói. Com texto de Rafael Cal e direção de Ricardo Rocha, a montagem conta com a participação de Amaury Lorenzo, Ana Flávia Chrispiniano, Bárbara Abi-Rihan, Fabio Fortes, Jean Bodin, Renata Egger e Vivian Sobrino.

No espetáculo, os pais de Mateus organizam uma festa para ele, convidando parentes e amigos. Ao chegar ao local, no entanto, os convidados percebem que faltam coisas básicas para uma festa, inclusive o homenageado que não chega.

Naquilo que deveria ser uma noite de festa, momentos de tensão emergem e levam a explosões de raiva, demonstrações de afeto e momentos de constrangimento coletivo. Os convidados vão se esbarrando e se misturando ao público, procurando saídas para suas vidas ou se afundando ainda mais nelas.

A apresentação começa em cinco espaços da cidade e o espectador escolhe de onde deseja começar no momento da aquisição do ingresso. A partir disso, todas as suas escolhas até o fim determinam a perspectiva que terá da história.

A peça nasceu do "Projeto Hiperdrama", idealizado pelos também produtores Fabio e Vivian. Eles queriam contar um conjunto de histórias que se passasse em lugares distintos da cidade, interagindo com o espaço urbano e culminando no encontro dos personagens no casarão localizado no Ingá.

A ideia veio da experiência deles como espectadores da montagem de "Quase nada é verdade", escrita e dirigida por Rodrigo Portella. Ele veio ao Rio de Janeiro realizar uma oficina com os participantes do projeto em que falou sobre o conceito de hiperdrama, objeto de suas investigações artística e acadêmica. A ideia essencial é pensar na apropriação de conceitos do audiovisual e da internet, como o de hiperlink e hipertexto para realizar uma encenação teatral.

Em "A festa de Mateus", o público escolhe o ponto de partida para assistir, que cenas ou personagens vai acompanhar, que lugares vai ocupar durante a apresentação. Dessa forma, constrói ativamente o espetáculo que deseja assistir, construindo um olhar ainda mais específico sobre a experiência teatral.

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"A festa de Mateus" foi selecionado na Chamada Pública de Teatro no Solar do Jambeiro da Prefeitura Municipal de Niterói, Secretaria de Cultural de Niterói e Fundação de Arte de Niterói - FAN.
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Serviço:

A festa de Mateus
De 9 de agosto a 26 de setembro.
Sempre às terças-feiras, às 20h.
No Solar do Jambeiro (Rua Presidente Domiciano, 195), em Niterói.

domingo, 3 de julho de 2016

"Lona dos sonhos" por aí: entrevista com o Lucas Fernandes, participante do Lona na Lua


O Lucas Fernandes, monitor de circo do Lona na Lua, foi o vencedor de um reality social promovido pelo Criança Esperança. Um pouco antes de começar o show da edição deste ano, o Lucas deu uma entrevista ao youtuber PH Cortês.

Na entrevista, além de falar sobre sua trajetória, o Lucas fala do nosso livrinho e tem algumas imagens do lançamento.

Pra quem quiser assistir, taí: